Cardeal chinês critica Papa sobre acordo "inaceitável" entre Pequim e o Vaticano

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08 Novembro 2016

O Cardeal chinês Joseph Zen criticou publicamente o Papa Francisco, dizendo que o acordo iminente com Pequim é "absolutamente inaceitável".

Em diálogo com o Wall Street Journal, esta semana, o ex-chefe da Igreja em Hong Kong compartilhou grandes preocupações sobre a tentativa do Vaticano de atrair a China com um acordo relativo à nomeação de bispos católicos.

A reportagem é de Megan Cornwell, publicada por The Tablet, 04-11-2016. A tradução é de Luísa Flores Somavilla.

Desde 1950, autoridades do Vaticano foram banidas do país ateu, e a Associação Patriótica Católica Chinesa tem supervisionado a "Igreja oficial" sancionada pelo governo. Paralelamente, existe a Igreja "não oficial" ou "underground", que segue Roma em primeiro lugar e nomeia seus próprios bispos - em torno de 30 no total.

Há rumores de que o Papa Francisco tem trabalhado pela reconciliação com Pequim a respeito disso, uma medida que tornaria a Igreja "totalmente subserviente a um governo ateu", diz Zen.

Só alguém que não entende de comunismo pensaria que os bispos nomeados enviados pelo Governo à Roma não seriam coagidos, diz ele. Ele foi professor nos seminários chineses de 1989 a 1996 e lembra que os bispos da "Igreja oficial" não podiam atender ou até mesmo fazer chamadas internacionais sem que os chefes do governo estivessem presentes.

Na opinião do Cardeal, a abordagem do Papa reflete uma falta de compreensão sobre a natureza do comunismo a partir de suas experiências na Argentina: "O Santo Padre conhecia os comunistas perseguidos, e não os perseguidores. Ele conhecia os comunistas mortos pelo governo, e não os governos comunistas que mataram milhares e centenas de milhares de pessoas".

Dezenas de milhões morreram sob o domínio de Mao Tsé Tung.

"Sinto muito em dizer que, com suas boas intenções, ele fez muitas coisas que são simplesmente ridículas", acrescentou o Cardeal, referindo-se à recente intervenção de Francisco na Cuba comunista, que contribuiu para as sanções dos Estados Unidos contra o país.

Mas, apesar de suas opiniões pessoais, o Cardeal diz que vai respeitar a autoridade do Papa e se abster de protestar, caso o acordo com Pequim realmente vá adiante.

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