Pepe Mujica: “Se a cultura não mudar, nada muda”

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06 Novembro 2016

A conferência de José Mujica, Pepe como se faz chamar, não deixou um auditório lotado indiferente. Direta, clara e emotiva, daquelas que costuma fazer para refletir comunitariamente: com temas que abarcam a globalização, que tantas desigualdades provoca em cada um dos lugares que, em sua manifestação mais cotidiana, os delegados e as delegadas acompanham e vivem e seus respectivos movimentos; mas, sem esquecer a necessidade de nos colocar, a cada um de nós, uma “conversão” ou transformação pessoal. Mudança na qual insiste e marca.

A reportagem é publicada por Encuentro Mundial de Movimientos Populares, 04-11-2016. A tradução é de André Langer.

Mujica tem a grande habilidade de não deixar de questionar e de se questionar; de não se esquivar de questões ou temas por mais delicados que sejam; de querer resolver as questões que interessam à parte da “mesa” da humanidade que sofre. Apresenta-se com essa proximidade que diz estar “com um pé na cova”, mas demonstra uma vontade, em suas palavras, de ser uma pessoa que desfruta desse momento da vida.

Seria um atrevimento querer sintetizar suas palavras, cheias de uma profundidade que o auditório não apenas agradeceu, mas que acolheu como próprias desta pessoa, que antes de entrar na sala já era uma referência planetária e que quando saiu dela, aumentou o seu legado. Tanto é assim que o jornalista Ignacio Ramonet, como apresentador, destacou: “quando estamos perto de Pepe Mujica, nos sentimos sempre melhores, vemos, aprendemos e nos convertemos em pessoas de melhor qualidade humana”.

Compartilhamos com vocês as passagens mais relevantes da intervenção, acompanhado de um arquivo de áudio completo. Aproveitem este material tanto quanto esta assembleia de movimentos populares reunida em Roma.

“Das coisas que a Revolução Francesa tentou projetar há uma que anda esquecida, fracassada, que é o sentimento de igualdade. Nós temos necessidade não tanto de praticar, mas de sentir a igualdade nas relações humanas”.

“Na nossa América Latina, tão rica e vasta em recursos, 32 pessoas têm o mesmo que 300 milhões de pessoas. Sua riqueza continua crescendo de maneira brutal. Tanta concentração econômica acaba gerando uma concentração do poder político. As decisões tomadas no campo político acabam favorecendo quem acumula. Este processo desacredita os sistemas políticos, e o povo começa a dar as costas para os sistemas políticos representativos”.

“As repúblicas surgiram neste estágio da humanidade para subscrever que ninguém é mais do que ninguém. O republicano deve ser profundamente fiel às condições da maioria da sociedade, e não o contrário. A política é para viver; vive-se da política. A política é uma paixão, não uma profissão”.

“Se a cultura não mudar, nada muda. As mudanças estruturais não modificam a conduta civilizatória das pessoas. Não se pode construir a cultura solidária a partir de valores capitalistas. A construção de uma cultura é tão importante quanto a construção de uma economia solidária”.

“O capitalismo inventou uma civilização que está tomando conta de toda a Terra, mas que não tem Governo; tem um mecanismo imposto pelo mercado. Esta globalização só tem um selo: o mercado. É ele que impõe a maioria das decisões”.

“Vamos assistir a um longo período em que o sistema representativo não representa toda a sociedade. E a nova representatividade emergente tem que utilizar seu peso, melhorar seu caminho, suas propostas. Inserir-se nos movimentos sociais historicamente tradicionais, como os movimentos sindicais e não cometer o erro de desprezar a política, porque isso seria o mesmo que comer o futuro”.

“Os conflitos são inerentes aos seres sociais, alguém tem que administrar esses conflitos e esse é o papel da política. Necessitamos da política para que a sociedade viva, para que o nosso bem comum viva”.

“Há uma solidariedade no jogo entre a morte e a vida. Temos que ser solidários com a nossa espécie, com a nossa vida. Esquecemos, na nossa perspectiva, que os afetos são a coisa mais importante da vida, e não os objetos inertes. ‘Nada em demasia’, não se pode viver fuzilado pelos sinais do mercado, que nos obriga a comprar e a comprar e a comprar”.

“A vida não e para ser gasta só trabalhando; a vida necessita de tempo para o exercício da liberdade, e a liberdade é quando você decide o que fazer, sem ofender os outros. A liberdade é o tempo em que não vende seu esforço, mas que gasta em coisas que lhe são agradáveis. Não se pode perverter a vida desrespeitando-a”.

“Todos os passos do progresso humano foram consequência da luta organizada de pessoas que lutaram. Por isso, a representação dos movimentos sociais, suas bandeiras, não são para eles; são para o mundo que virá. São, por sua vez, a parte inconclusa de uma das mais maravilhosas gestas da humanidade: a igualdade. Muita liberdade, independência, fraternidade, mas a igualdade? É patrimônio de intelectuais meio raros, mas foi um dos gritos da Revolução Francesa, dos sonhos que sacudiram o mundo. A forma superior de democracia é o degrau que começa pelo direito de igualdade básico. Por isso, aos 3T eu acrescentaria um “I”. A definição de que somos iguais perante a lei não é suficiente; a igualdade tem que estar sob os tetos onde as pessoas vivem. A igualdade deve compor as utopias que nos guiam”.

“Não acredito em um mundo perfeito, porque seria um aborrecimento atroz; para viver conscientemente devemos ter uma causa”.

Para acessar o áudio da intervenção de Pepe Mujica, clique aqui.

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