A visão econômica de Francisco, sob a lupa de especialistas

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11 Outubro 2016

As críticas do Papa ao sistema econômico são bem conhecidas. Desde a sua chegada ao Vaticano, Francisco questionou em incontáveis audiências, homilias e entrevistas a “globalização da indiferença” e a “cultura do descarte”, entre outras pragas modernas, além de reclamar que o capital “não mande nos homens, mas os homens no capital”.

A reportagem é de Ramiro Pellet Lastra e publicada por La Nación, 10-10-2016. A tradução é de André Langer.

Mas, por trás dessas consignas gerais, de forte intenção humanista, seu exato significado foi objeto de debate. Foram escritos livros inteiros tratando de explicar o que Francisco realmente sabe, quer e propõe sobre o que deve ser a função exata e a marcha correta da economia global.

A dúvida se centra em quais alternativas oferece a isso que tanto questiona. Lutar contra os males da pobreza, das desigualdades e da exclusão, estamos de acordo. Mas, como fazê-lo? Sobre qual base? Com que ferramentas? Segundo seus críticos, como é do conhecimento de todos, sua receita de transformação não seria outra que o populismo: um dirigismo com ares de redistribuição.

“Parece-me que quando toca temas econômicos tende a usar uma retórica populista, o que também reflete que não parece saber muito sobre como funciona a economia. Não estou seguro de que entenda como funcionam os mercados”, disse ao La Nación o norte-americano Samuel Gregg, cientista político ao mesmo tempo católico e liberal, durante uma visita a Buenos Aires para debater a visão econômica e ambiental do Papa.

Gregg, diretor de pesquisas do Acton Institute – que promove a liberdade política e econômica no marco de uma ética cristã –, compartilha os objetivos de Francisco quanto ao bem comum como um ideal. Mas, não à custa de livrar-se do livre mercado, que seria pouco menos que matar a galinha dos ovos de ouro, como aconteceu sob os regimes comunistas.

“Não discuto os objetivos do Papa. Eu também quero tirar os pobres da pobreza. Mas, creio que alguns dos meios que recomenda geralmente não funcionam. Essa experiência fizeram na América Latina, África e grande parte do mundo. Pois bem, há problemas como o materialismo e o consumismo que os mercados não podem resolver, porque não são problemas econômicos, mas culturais e espirituais. Aí é onde creio que a Igreja tem muito a dizer”, assinalou.

Inclusive os devotos de Francisco devem admitir que seus conhecimentos sobre a ciência da escassez são mais escassos. Como o economista italiano Stefano Zamagni, professor da Universidade de Bolonha e consultor do Vaticano, que em conversa com La Nación desculpou essa falta de rigor ao assinalar que Bergoglio “estudou Química, mas não Economia”.

Para Zamagni, Francisco, de qualquer modo, sabe o que quer. “Ele se refere a um tipo de economia que é a economia civil, uma economia orientada para o desenvolvimento humano integral. Um modelo de economia que equilibra a dimensão do crescimento com a dimensão relacional e com a dimensão espiritual”.

Se não se ouve o Papa falar maravilhas sobre o mercado, segundo Zamagni, não é porque rejeita sua capacidade de produzir riqueza. Ele destaca suas limitações, é verdade, mas também conhece suas fortalezas. Em uma reunião com grandes empresários italianos em Roma, no começo do ano, “disse-lhes que têm a vocação de produzir riqueza. De produzir, não de distribuir. A vocação de realizar as condições para o bem comum. Nenhum papa antes fez um discurso desses aos empresários”.

Mas, por que não fala do mesmo jeito para o grande público, às multidões fervorosas que acorrem para vê-lo nas viagens internacionais e na Praça São Pedro? “Acontece que quando fala nem sempre usa as palavras corretas – disse Zamagni. É um problema de vocabulário. Mas vai mudar. Eu vi que há uma diferença entre agora e dois anos atrás. É inteligente e vai modificar sua linguagem, mas não os conceitos, que são sempre os mesmos”.

Zamagni rejeitou também a pecha de populista atribuído a Francisco: o Papa não é “populista”, mas “popular”.

“As pessoas confundem populista com popular – afirmou. Este Papa não é como Bento, que não era popular. Bento era muito introvertido, queria falar apenas com pequenos grupos e tinha medo quando lhe davam uma criança para segurá-la no colo. Este Papa fala com multidões. É popular porque prefere relacionar-se com o povo. O populismo é a degradação do popular”.

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