Quase 385 milhões de crianças vivem na pobreza extrema

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04 Outubro 2016

Em 2013, praticamente 385 milhões de crianças viviam no patamar da pobreza extrema no mundo. Os mais novos têm também duas vezes mais probabilidade, comparativamente com os adultos, de virem a ser afetados pela pobreza.

A reportagem é de Manuel Louro, publicada por Público, 04-10-2016.

Quem o diz é o Banco Mundial e a Unicef através do estudo Ending Extreme Poverty: A Focus on Children, onde se refere também que, no mesmo ano, 19,5% das crianças dos países em desenvolvimento viviam em agregados familiares que sobrevivia com 1,90 dólares (cerca de 1,6 euros) ou menos por pessoa diariamente. Em relação aos adultos, cerca de 9,2% sobreviviam nestas condições.

O risco agrava-se à medida que se desce nas faixas etárias: mais de um quinto dos menores de cinco anos nos países em desenvolvimento vive no seio de famílias extremamente pobres.

Esta análise surge depois da publicação do relatório do Banco Mundial Poverty and Shared Prosperity 2016: Taking on Inequality, onde se concluiu que, em 2013, e no total, cerca de 767 milhões de pessoas viviam com menos de 1,90 dólares diários, sendo que metade tinham menos de 18 anos.

O diretor executivo da UNICEF, Anthony Lake, explica que “as crianças não só têm maior probabilidade de viver na pobreza extrema como os efeitos desta lhes causam maiores danos. São as mais prejudicadas entre os mais prejudicados, em especial as crianças mais pequenas porque as privações a que são sujeitas afetam o seu desenvolvimento físico e intelectual”.

Esta estimativa global é baseada em dados referentes a 89 países, que perfazem 83% da população dos países em desenvolvimento. A África subsariana é a zona do globo que apresenta as taxas mais elevadas de crianças a viver na pobreza, ascendendo a quase 50%. De seguida aparece o Sul da Ásia com perto de 36% e a Índia com 30% das crianças extremamente pobres.

Ana Revenga, diretora para os Assuntos da Pobreza e Equidade do Banco Mundial, avisa que “este número imenso de crianças a viver na pobreza extrema revela uma necessidade urgente de investir especificamente nos primeiros anos de vida – em serviços como os cuidados pré-natais para mulheres grávidas, programas de desenvolvimento para a primeira infância, educação de qualidade, água potável, saneamento adequado e cuidados de saúde universais”.

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