56 novas espécies de insetos foram descobertas na Expedição Serra da Mocidade

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29 Setembro 2016

Cerca de 60 novas espécies de insetos aquáticos e terrestres, plantas e outros animais já foram identificados, até o momento. Estes são alguns dos resultados parciais da expedição científica de 25 dias para a Serra da Mocidade, em Roraima, um maciço de montanhas de quase dois mil metros de altitude, situado num dos lugares mais isolados da Amazônia brasileira. Os resultados foram apresentados na manhã desta terça-feira (27), no auditório da Ecologia, Campus III (V8) do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa/MCTIC).

A reportagem é de Luciete Pedrosa, publicada por Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa) e reproduzida por Amazônia.org, 28-09-2016.

Realizada pelo Inpa, a expedição aconteceu entre janeiro e fevereiro deste ano, por cerca de 70 profissionais de diversas instituições de pesquisas e equipe de filmagem. A jornada científica contou com o apoio e logística do Comando Militar da Amazônia, do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) e do Parque Nacional Serra da Mocidade. A expedição também contou com a participação da Grifa Filmes, que produziu o documentário Expedições Novas Espécies e pretende exibir nos cinemas e na TV ainda este ano.

Ao todo, sete grupos (Geologia; Plantas e Fungos; Invertebrados terrestres e aquáticos; Mamíferos (pequenos e médios, e morcegos), Peixes; Répteis e Anfíbios; Aves) apresentaram os resultados preliminares dos materiais coletados por quase um mês, na Serra da Mocidade. O grupo de Insetos aquáticos, coordenado pela pesquisadora do Inpa, Neusa Hamada, conseguiu detectar, até o momento, 22 espécies novas de insetos, entre centenas de milhares de exemplares.

Segundo a doutoranda em Entomologia do Inpa, Jeane Nascimento, que participou da expedição, uma rede de pesquisadores está trabalhando na identificação desse material. “Esse trabalho demanda um certo tempo para identificar por causa da ausência de especialistas em diversos grupos amostrados”, diz. Já o grupo de Insetos terrestres, conseguiu identificar 34 espécies novas. Segundo o pesquisador Marcio de Oliveira, os insetos correspondem a 80% de tudo que existe no planeta. Os insetos (ou artrópodes) mais conhecidos são: formigas, cigarras, borboletas, caranguejos, siris, camarões, aranhas, escorpiões, lacrais e piolho-de-cobra.

“O objetivo principal da expedição era achar espécies novas. E achamos”, comemora o pesquisador do Inpa e responsável pela jornada científica, o ornitólogo Mario Cohn-Haft. Segundo ele, a expedição foi um sucesso e excedeu as expectativas, principalmente, do ponto de vista de dificuldades, porque foi mais complicado do que se imaginava, e também pela beleza cênica e pela singularidade biológica.

Para o pesquisador, há muita coisa nova para a Ciência, além disso foi um trabalhado motivador ver a capacidade de articulação entre os parceiros e a equipe. “Tínhamos mais de 50 pesquisadores em cima da serra por um período de quase um mês e cada um conseguiu fazer o seu trabalho com eficiência. Isso foi muito positivo”, destaca.

Na opinião de Cohn-Haft, a evidência de pelo menos 60 espécies novas, incluindo desde insetos, pássaros, plantas e mamíferos é extraordinário. “É muito bicho”, diz o pesquisador. “O registro da presença de mais 1.500 espécies de animais e plantas lá em cima, nem tudo é novo, é claro, mas a proporção de coisas que é nova foi muito alta, porque é um lugar especial, isolado no mundo e totalmente desconhecida”, ressalta.

Para o diretor do Inpa, o pesquisador Luiz Renato de França, mais importante que a expedição é mostrar a união de várias instituições de forma integrada. “Depois de um longo tempo de negociações a expedição foi possível graças ao apoio do Pró-Amazônia do CMA, do ICMBio, do Parque Nacional Serra da Mocidade, além dos pesquisadores, que foram os protagonistas principais, o que tornou o projeto possível”, diz.

Já o gerente do programa Pró-Amazônia do CMA, o general Franklimberg, disse estar satisfeito em ver os resultados da primeira grande operação do Pró-Amazônia. “Agora, vamos ter a oportunidade de ver tudo o que foi coletado e está sendo estudado pelos pesquisadores e que será divulgado para o público”.

Segundo a chefe do Parque Nacional Serra da Mocidade, a bióloga Inara Auxiliadora Rocha Santos, a realização dessa expedição de 25 dias foi um sonho que vinha sendo sonhado desde 2002, juntamente com o pesquisador Mario Cohn-Haft. “Mas não foi um sonho só do pesquisador, foi também da gestão do parque. Só que não pensávamos que fosse nessa magnitude”, comenta.

Programação

A oficina prossegue nesta tarde de terça-feira, quando um grupo de trabalho com o ICMBio estará discutindo o Plano de Manejo do Parque Nacional Serra da Mocidade, pensando no zoneamento, potencial da unidade de conservação para visitação pública e vulnerabilidade da unidade. Segundo o analista ambiental e coordenador do parque, Silvio Romerio Briglia, a Serra da Mocidade é um maciço montanhoso que nunca tinha sido visitado. ‘Foi a primeira vez que se conseguiu acessar a parte alta do parque e a parte vizinha que pertence ao Exército Brasileiro”, destaca.

Segundo ele, as informações geradas com as espécies descritas vão aportar os recursos e informações necessárias para a gestão da unidade. “Antes só tínhamos pequisas das áreas baixas e agora temos acesso das informações das áreas altas, que se mostrou um lugar diferenciado em termos de diversidade biológica”, diz.

A conclusão do Plano de Manejo do Parque Nacional Serra da Mocidade está prevista para o segundo semestre de 2017. “Após essa data é que se poderá viabilizar a implementação de atividades dentro do parque. Pensamos implantar turismo de aventura, visitação guiada pelos índios Yanomami, que estão interessados em se tornar parceiros da unidade”, destaca Briglia. “Agora, vamos juntar as informações para fazer o diagnóstico do parque e gerar um documentário sobre a unidade”, acrescenta.

Na manhã desta quarta-feira (28), serão discutidos os próximos passos e possíveis produtos, como livros científicos com resultados resumidos dos sete grupos e livros fotográficos no estilo coffee table (conhecido como livros de mesa de notável pela sua beleza). O material audiovisual da expedição também será aproveitado para produzir outros filmes além do documentário, como uma série sobre os animais e plantas da serra da Mocidade. Além disso, também está prevista criar um grupo de pesquisa sobre Serras Amazônicas e realizar outras expedições utilizando a articulação feita para a Serra da Mocidade.

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