Economia mais humana e mais justa. Tema do Pátio dos Gentios

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28 Setembro 2016

Gratuidade, justiça e solidariedade: são os três temas básicos das relações econômicas, sublinhou o Cardeal Gianfranco Ravasi, presidente do Pontifício Conselho da Cultura. Três temas que têm uma fundação “antropológica e cultural” e que, por isso, podem responder à crise da economia. Uma crise que é antes de tudo moral, como explicaram primeiro Bento XVI e depois o Papa Francisco.

A informação é de Andrea Gagliarducci, publicada por ACI, 26-09-2016. A tradução é de Benno Dischinger.

O Cardeal Ravasi falou num evento do Pátio dos Gentios intitulado precisamente “Por uma economia mais humana e mais justa”. Realizado aos 21 de setembro no prestigioso ambiente do Palácio Borromeu, sede da Embaixada da Itália junto à Santa Sé, o evento tinha como relatores economistas do calibre de Jean-Paul Fitoussi e Sir Angu Deaton, já Nobel para a economia.

O tema é premente, sobretudo no momento em que a questão da justiça social – um tema central na pregação do Papa Francisco, e ainda mais central com a escolha de intitular um dicastério à procura do “desenvolvimento humano integral” – se tornou a “ponte” da cultura do encontro. Um modo, em suma, de colocar crentes e não crentes juntos para alcançar o objetivo que é o cerne da Doutrina Social e da atividade diplomática da Santa Sé: o bem comum.

Eis então a necessidade de superar a crise moral que levou à crise econômica. Segundo o Cardeal Ravasi, são o egoísmo e o autismo espiritual que põem em risco a dimensão humana, vale dizer o fechamento da relação com os outros e com Deus. Como superar a questão? O Cardeal cita o presidente John Fitzgerald Kennedy que, em 1961 – tomando posse da presidência dos Estados Unidos – sublinhou que “uma sociedade livre que não está em condição de ajudar os muitos que são pobres não conseguirá salvar os poucos que são ricos”.

As palavras do Cardeal Ravasi são compartilhadas também por Daniele Mancini, embaixador da Itália junto à Santa Sé. O qual, em sua intervenção, nota que “atualmente tudo mudou desde os tempos pós-guerra, e que há uma acentuação das desigualdades”. E, se há sempre mais disparidade entre a renda do rico e aquela do pobre, quem sofre é sobretudo a solidariedade que, de fato, havia sempre feito “de colante”, enfraquecendo assim “o senso de comunidade e a própria confiança nas instituições”. Mancini sublinhou que a redução das desigualdades é parte integrante da agenda 2030 das Nações Unidas. No debate interveio também o presidente do Senado Piero Grasso, que reivindicou o fato de que a economia deva ser “ciência humana” e sublinhou o modo como as desigualdades aguçam as migrações.

Mas, de que modo a teoria econômica contribuiu para criar estas desigualdades? Sir Angus Deaton não pretendeu demonizar o capitalismo, porque “é verdade que há tantos países que ainda sofrem com o subdesenvolvimento e as injustiças, mas em geral o mundo está melhorando sempre mais”.

O problema é mais local do que geral, porque é nas singulares nações – sublinha Deaton – que “às vezes as desigualdades se tornam injustiça”. O problema é que a vontade de enriquecer-se – acrescentou – levou a “certo modo especulativo de gerir a economia da parte dos lobbies que está reduzindo as oportunidades para os jovens, favorecendo o desemprego dos acima dos 50 anos de idade. Crescem os suicídios, aumenta o alcoolismo e o uso de analgésicos”.

O economista francês Jean Paul Fitoussi, do seu lado, pôs em luz que as desigualdades estejam corroendo “o patrimônio intangível mais importante do balanço das nações”, enquanto Dominique Y Van der Mensbrugghe – com um olhar voltado ao ambiente - pôs em luz que o acordo de Paris seja somente “um primeiro passo”. O problema é sempre quem governa os processos. “Com uma comissão cobrada sobre as emissões energéticas – sublinhava Van der Mensbrugghe – talvez também os mais pobres possam ter acesso à energia”.

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