Assessores de Pell intimidaram e silenciaram um sacerdote que denunciou abusos na Austrália

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28 Setembro 2016

Assessores de George Pell em Sidney forçaram um sacerdote a admitir que a confissão de um pederasta que este religioso detalhou em uma carta à diocese foi inventada.

A reportagem é de Cameron Doody e publicada por Religión Digital, 27-09-2016. A tradução é de André Langer.

A pressão da cúria de Sidney sobre o sacerdote Wayne Peters foi revelada durante os encontros da Real Comissão sobre a atividade pedófila do padre abusador John Farrell.

Em 2012, o programa de televisão australiano Four Corners denunciou o caso do pederasta Farrell, assunto que escandalizou o público australiano não apenas pela gravidade dos seus crimes, mas pelas medidas que a Igreja tomou para acobertá-los.

Four Corners trouxe à tona detalhes de uma reunião que aconteceu em 1992 sobre a denúncia de uma vítima de Farrell, da qual participaram três sacerdotes: Wayne Peters, Brian Lucas e John Usher. Embora os abusos que esta vítima de Farrell denunciou naquele momento tenham ocorrido na diocese de Armidale, o padre abusador já residia na diocese de Parramatta (sufragânea de Sidney). Foi por essa razão que a reunião foi convocada para a catedral de Sidney.

Perguntado pelo motivo pelo qual a Igreja não tomou nenhuma medida contra Farrell após aquela reunião de 1992, Pell, arcebispo de Sidney em 2012, respondeu que como o sacerdote não fez nenhuma confissão de seus crimes a Arquidiocese pôde somente recomendar seu afastamento. Sua defesa foi desmontada pelo programa de televisão ao publicar trechos de uma carta escrita por Peters ao então bispo de Armidale detalhando os abusos que Farrell tinha cometido, com suas próprias palavras.

Daí a importância dos documentos divulgados na semana passada pela Real Comissão sobre as Respostas Institucionais ao Abuso Sexual de Menores. Notas de arquivo da própria Arquidiocese de Sidney entregues à Comissão revelam que dois dias após a reportagem sobre Farrell ter ido ao ar – na qual Pell faltou com a verdade ao explicar a resposta da Igreja para os crimes do pedófilo –, a cúria de Sidney conspirou para salvar o seu chefe. Confabularam para forçar Peters a admitir ao programa de televisão que sua carta detalhando a confissão de Farrell teria sido “adornada”.

Os participantes da reunião convocada de emergência na cúria de Sidney depois do desastroso aparecimento de Pell no programa de televisão incluíram Danny Casey, então contador chefe da Arquidiocese de Sidney e atual gerente de projetos na Secretaria de Economia do Vaticano dirigida pelo Pell. Mesmo assim, foi o padre Brian Lucas – atual diretor das Pontifícias Obras Missionárias na Austrália – o encarregado de pressionar Peters e de responder em público pela controvérsia que a carta de Peters teria provocado. Embora Peters tenha dito a Lucas, supostamente, que continuaria sustentando a veracidade da carta publicada pelo Four Corners, Lucas e seus co-conspiradores conseguiram que o sacerdote denunciante prometesse que não falaria mais sobre o assunto com nenhum meio de comunicação.

Farrell não responderia perante a Justiça por seus crimes até maio deste ano, mês em que foi condenado a um mínimo de 18 anos de prisão por ofensas cometidas contra 12 vítimas.

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