Retórica negativa do Papa Francisco começa a ecoar no mundo

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22 Setembro 2016

No blog Bondings 2.0, um dos projetos do New Ways Ministry, seguidamente escrevemos sobre a maneira como a abordagem positiva do Papa Francisco em relação às pessoas LGBTs tem afetado o jeito como alguns bispos do mundo vêm falando sobre a comunidade LGBT e temas afins. Um artigo publicado no sítio Crux, no entanto, conta uma história que vai em sentido contrário: a de que os comentários negativos do papa sobre a “teoria de gênero” e a “colonização ideológica” estão encorajando alguns bispos ao redor do mundo a falar de modo semelhante quando se discutem igualdade matrimonial ou direitos das pessoas transexuais.

O artigo é de Francis DeBernardo, publicada por New Ways Ministry, 21-09-2016. A tradução é de Isaque Gomes Correa.

A jornalista Inés San Martin apresentou exemplos de declarações feitas por bispos colombianos, mexicanos e espanhóis para explicar que as ideias do pontífice sobre gênero estão se fazendo presentes no discurso episcopal.

Na Colômbia, o Cardeal Rubén Salazar Gómez, de Bogotá, e Dom Ettore Balestrero, núncio apostólico no país, recentemente protestaram contra a revisão dos livros escolares que incluem debates sobre identidade de gênero, orientação sexual e parentalidade LGBT.

A retórica de Salazar ecoa as declarações do papa:

“Rejeitamos a implementação da ideologia de gênero no sistema educacional colombiano, porque ela é uma ideologia destrutiva, que destrói o ser humano, desfazendo o princípio fundamental da relação complementar entre homem e mulher”, disse Salazar.

O cardeal também falou que a Igreja respeita as pessoas com uma orientação sexual diferente, e que, como instituição, [a Igreja]está em busca constante de oportunidades para o diálogo.

“Os direitos individuais não podem ir contra os direitos da comunidade”, disse o cardeal. “O que precisamos ter é um respeito profundo por todos sem a imposição de ideologias”.

(Particularmente, fiquei interessado em saber de quais oportunidades de diálogo o cardeal está falando. Parece que debater as revisões dos livros escolares junto à comunidade LGBT e com as pessoas que apoiam essas alterações é uma boa oportunidade para dialogar. Fica a pergunta sobre o porquê ele não buscou um diálogo aqui.)
Os esforços do líder eclesiástico colombiano tiveram sucesso. Ainda de acordo com o artigo citado:

Juntamente com o enviado papa ao país, Dom Ettore Balestrero, o Cardeal Salazar se encontrou com o presidente Santos e [com a ministra da Educação] Parody no dia seguinte ao protesto. Em coletiva de imprensa logo após a reunião, o presidente disse que o país não tem a intenção de promover a ideologia de gênero, e prometeu que os livros didáticos seriam reescritos.

No México, onde a igualdade matrimonial é, atualmente, um tema de debate nacional, o Cardeal José Francisco Robles, de Guadalajara, presidente da Conferência Episcopal do país, também empregou o conceito de “ideologia de gênero” do Papa Francisco para alimentar a oposição a uma proposta de lei federal. Robles afirmou:

“O futuro da humanidade se dá no matrimônio e a família natural é formada por um casal heterossexual. A proliferação da mentalidade da ideologia de gênero se move com uma bandeira de aceitação, promovendo os valores da diversidade e não discriminação, mas nega a reciprocidade natural entre um homem e uma mulher”.

O exemplo vindo da Espanha diz respeito aos comentários feitos por Dom Demetrio Fernandez em oposição a uma proposta de lei que criminalizaria o discurso de ódio contra pessoas LGBTs. Fernandez considerou o projeto como um “ataque à liberdade religiosa e à liberdade de consciência”. Em outra entrevista, o prelado ecoou aquelas que são provavelmente as palavras mais severas que o Papa Francisco empregou para falar sobre a comunidade LGBT. Também numa entrevista, o pontífice comparou o teoria de gênero a armas nucleares. A declaração de Fernandez ecoando essa metáfora é:

“A ideologia de gênero é uma bomba atômica que quer destruir a doutrina católica, a imagem de Deus no homem, e a imagem de Deus, o Criador”.

É realmente perturbador que bispos estejam ecoando esta linguagem negativa do papa sobre estes temas. Mais perturbador ainda, no entanto, é o fato de que as palavras do papa e destes bispos revelam uma falta imensa de informação em torno do gênero e das pessoas transexuais. Por exemplo, o artigo do sítio Crux cita o Papa Francisco que diz: “E há também esse erro da mente humana que é a teoria de gênero, que cria tanta confusão”, e que esta visão de gênero é um dos motivos pelos quais “as famílias estão sob ataque”.

Se o papa e os bispos escutassem a experiência de pessoas LGBTs, compreenderiam que o que afirmam ser “teoria” e “ideologia” é, na verdade, um fenômeno muito humano e sagrado. Perceberiam também que os defensores da comunidade LGBT não estão atacando coisa alguma, mas apenas tentando ajudar as pessoas a viverem vidas plenas. Longe de atacar a instituição família, a experiência das famílias com membros LGBTs demostra que a aceitação dessa realidade pode promover a harmonia, a unidade e a força familiar. Pessoas LGBTs não são inimigas da Igreja, mas partícipes fiéis que podem ajudá-la a crescer. Visto que as experiências das pessoas LGBTs são realidades vividas, parece que as únicas pessoas que estão promovendo “teoria” e “ideologia” neste debate são aquelas que insistem que o binário de gênero está gravado em pedra.

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