Só 25% da população de SP têm ponto de transporte a até 1 km de casa

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16 Setembro 2016

Somente 25% da população de São Paulo tem acesso a pé a uma estação de transporte público de qualidade no raio de um quilômetro de casa. Um estudo inédito na capital paulista mediu a proximidade entre os passageiros e o transporte de média e alta capacidade na cidade.

A reportagem é de Juliana Diógenes, publicada por O Estado de S. Paulo, 14-09-2016.

O índice PNT – da sigla em inglês People Near Transport – é um cálculo que considera o número de pessoas que vivem em um raio de até 1 km de estações de metrô, trem, BRT e VLT, dividido pelo total da população do município. A pesquisa foi feita pelo Instituto de Políticas de Transporte e Desenvolvimento (ITDP Brasil) e pelo WRI Brasil Cidades Sustentáveis.

No cálculo do PNT foram desconsiderados os corredores de ônibus, por não serem exclusivos do transporte público coletivo, já que aceitam táxi. “É necessário que corredores sejam exclusivos ao transporte público coletivo e existam melhorias que possam ser implementadas, como pagamento pré-embarque e embarque em nível”, explica a socióloga Clarisse Linke, diretora do ITDP.

Segundo ela, o monotrilho da Linha 15-Prata também foi descartado do estudo por não ter horário de funcionamento das 6 horas às 22 horas e extensão mínima (3 km), além de ter intervalo de 20 minutos ao longo do dia, não podendo assim ser considerado dentro das análises técnicas.

Para Clarisse, o PNT da capital na comparação com Cidade do México (48%) e Rio (47%) evidencia que há maior adensamento populacional longe dos corredores de transporte estruturantes. “A distância de grande parte da população em relação às estações de transporte público pode induzir a viagens em automóveis particulares e mostra a dificuldade de acesso ao território como um todo”, afirma.

Diretor da WRI Brasil, o engenheiro de transportes urbanos Luis Antônio Lindau diz que os mais penalizados com a inexistência de uma rede de transporte de qualidade são os moradores da periferia, que precisam fazer deslocamentos mais longos. É o caso do analista de seguros Lucas Teixeira, de 23 anos, morador em Cidade Tiradentes, na zona leste, que já chegou a gastar cerca de cinco horas por dia com transporte público.

Teixeira mora próximo do terminal de ônibus do bairro e, diariamente, se deslocava até o serviço, no Brooklin, zona sul. De lá, seguia para a faculdade na Avenida Liberdade, no centro, e voltava para casa. Hoje, sem trabalho, perde aproximadamente 3h30 por dia entre a residência e a faculdade. “Nos bairros extremos, há diferenciação. Não existem tantos investimentos e as estações são bem mais longe uma da outra”, diz.

Superlotação. No Grajaú, zona sul, a babá Rosimeire Claudino, de 49 anos, relata que o mais desgastante é a superlotação nos horários de pico. Por dia, Rosimeire sobe e desce de cinco ônibus. “Ficamos em pé por uma hora na volta para casa. É cruel.” Segundo ela, o problema é pior em dias de chuva e de greve dos motoristas de ônibus.

Todo dia, a dona de casa Célia Klein, de 50 anos, sobe no ônibus com a filha para acompanhá-la até a escola, na Cidade Dutra, também na zona sul, em um trajeto que costuma levar uma hora. “Tem de chegar ao ponto na hora certa da perua. Qualquer cinco minutos a mais já atrasa o dia todo.”

Para o professor de Engenharia de Transportes da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (USP), Cláudio Barbieri, o baixo PNT na capital é reflexo de falta de planejamento a médio e longo prazo. “Faltam soluções maduras de continuidade. Elas mudam muito conforme os governos. A cidade precisa de uma visão mais estável e menos paliativa para evitar projetos malfeitos”, diz.

Em nota, a Secretaria dos Transportes Metropolitanos informa que São Paulo tem 339,4 km de trilhos “totalmente integrados (78,4 km do Metrô e 261 km da CPTM)”. “Os dois sistemas de São Paulo transportam, sozinhos, quase quatro vezes mais passageiros do que todos os outros dez Estados e seus 13 sistemas somados”, informa.

O secretário municipal dos Transportes, Jilmar Tatto, destaca que faixas e corredores de ônibus permitiram o aumento de 14 km/h para 22 km/h na velocidade. “O ônibus é o único que consegue atingir todos os bairros, mas ele está sobrecarregado porque faltam transportes de massa, como metrô e trem.”

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