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07 Setembro 2016

O Parque Indígena do Xingu, na região Nordeste do Estado, registra neste ano um aumento significativo de queimadas

Seguindo tendência estadual, o Parque Indígena do Xingu, localizado na região Nordeste do Estado e porção Sul da Amazônia brasileira, registra aumento significativo de queimadas, prática tradicional usada pelos índios para limpeza da roça e cultivo de plantações. Além disso, o intenso desmatamento no entorno do parque e as alterações climáticas têm contribuído para que as chamas fujam do controle e se alastrem pela área indígena.

A reportagem é de Joanice de Deus, publicada por Diário de Cuiabá, 06-09-2016.

Dados do Instituto Socioambiental (ISA) apontam para a possibilidade de o Xingu superar a marca história de 2010, quando 10% da vegetação do parque foram consumidos pelo fogo. Apenas no mês de agosto, o parque contabilizou 3.891 focos. Em todo o ano passado, foram 2.728 e, em 2014, foram 2.677.

Diante do quadro, o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) decretou situação de emergência. Dos seus 2,6 milhões de hectares (ha), mais de 200 mil ha já foram destruídos pelas chamas, conforme o analista ambiental do Ibama, em Brasília, Cendy Ribas.

Conforme Ribas, pelo menos 60 pessoas, entre brigadistas indígenas de Mato Grosso, Distrito Federal e Tocantins, tentam controlar um foco que teve início ainda no último dia 10 de julho deste ano, na região. Desde então, os combatentes já controlaram uma faixa correspondente a 18 quilômetros, mais ainda trabalham em outra linha de frente, com cerca de 30 quilômetros.

Para tentar abafar o fogo, eles usam borrifadores de água nas costas e “vassouras de bruxas”. “Nos últimos dias, choveu no Sudoeste, mas no Centro-Oeste não. É uma região de difícil acesso e não tem como chegar de barco ou carro. O transporte do pessoal e material é feito de helicóptero”, comentou.

Um dos fatores para o aumento de queimadas na região do Xingu é a falta da adoção de medidas de prevenção, como a realização de aceiros. Estima-se que, no país, aproximadamente 40% dos incêndios tenham origem em queimadas malfeitas, ou seja, que não conseguiram ser controladas e consumiram área de vegetação não prevista.

Contudo, um estudo do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (Ipam), afirma que, além do impacto do acúmulo de gases do efeito estufa, a região também vem sendo afetada pelo desmatamento nos limites do parque, “tomado por pastagens e pela soja, o que tem desencadeado um aumento da temperatura local e alterações no regime hidrológico”.

O Ipam ressalta que o período anual de estiagem na região aumentou, em média, três semanas. Há registros de seca em sete dos últimos dez anos. Acredita-se que as secas seguidas impedem a reposição da água no subsolo, o que reduz a capacidade da floresta de se manter verde.

Em reportagem publicada ontem (05), a Folha de São Paulo revela a insegurança dos índios em usar a queima, técnica dominada há incontáveis gerações para o plantio de subsistência, por conta das mudanças climáticas na região provocadas pelo aumento da temperatura global e pelo intenso desmatamento no entorno.

Essas alterações têm provocado apreensões entre os índios do Xingu, pois há uma série de confusões de interpretação em relação aos sinais que eles tinham e que marcavam o período de várias atividades voltadas ao plantio.

A situação será discutida nesta quinta-feira, entre representantes do Ibama, Funai, ISA e lideranças indígenas. Até a manhã de ontem, o Estado registrava 16.968 focos, um aumento de 30% em relação a 2015.

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