Xingu ameaçado (de novo)

Revista ihu on-line

A fagocitose do capital e as possibilidades de uma economia que faz viver e não mata

Edição: 537

Leia mais

Juventudes. Protagonismos, transformações e futuro

Edição: 536

Leia mais

No Brasil das reformas, retrocessos no mundo do trabalho

Edição: 535

Leia mais

Mais Lidos

  • Cardeal Müller: documento vaticano sobre a Amazônia contém heresia e estupidez. “Não tem nada a ver com o cristianismo”

    LER MAIS
  • A história dos 13 agricultores presos por Moro e depois absolvidos

    LER MAIS
  • Arcebispo brasileiro é atacado por liderar ''infiltração esquerdista'' na Igreja

    LER MAIS

Newsletter IHU

Fique atualizado das Notícias do Dia, inscreva-se na newsletter do IHU


close

FECHAR

Enviar o link deste por e-mail a um(a) amigo(a).

Enviar

07 Setembro 2016

O Parque Indígena do Xingu, na região Nordeste do Estado, registra neste ano um aumento significativo de queimadas

Seguindo tendência estadual, o Parque Indígena do Xingu, localizado na região Nordeste do Estado e porção Sul da Amazônia brasileira, registra aumento significativo de queimadas, prática tradicional usada pelos índios para limpeza da roça e cultivo de plantações. Além disso, o intenso desmatamento no entorno do parque e as alterações climáticas têm contribuído para que as chamas fujam do controle e se alastrem pela área indígena.

A reportagem é de Joanice de Deus, publicada por Diário de Cuiabá, 06-09-2016.

Dados do Instituto Socioambiental (ISA) apontam para a possibilidade de o Xingu superar a marca história de 2010, quando 10% da vegetação do parque foram consumidos pelo fogo. Apenas no mês de agosto, o parque contabilizou 3.891 focos. Em todo o ano passado, foram 2.728 e, em 2014, foram 2.677.

Diante do quadro, o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) decretou situação de emergência. Dos seus 2,6 milhões de hectares (ha), mais de 200 mil ha já foram destruídos pelas chamas, conforme o analista ambiental do Ibama, em Brasília, Cendy Ribas.

Conforme Ribas, pelo menos 60 pessoas, entre brigadistas indígenas de Mato Grosso, Distrito Federal e Tocantins, tentam controlar um foco que teve início ainda no último dia 10 de julho deste ano, na região. Desde então, os combatentes já controlaram uma faixa correspondente a 18 quilômetros, mais ainda trabalham em outra linha de frente, com cerca de 30 quilômetros.

Para tentar abafar o fogo, eles usam borrifadores de água nas costas e “vassouras de bruxas”. “Nos últimos dias, choveu no Sudoeste, mas no Centro-Oeste não. É uma região de difícil acesso e não tem como chegar de barco ou carro. O transporte do pessoal e material é feito de helicóptero”, comentou.

Um dos fatores para o aumento de queimadas na região do Xingu é a falta da adoção de medidas de prevenção, como a realização de aceiros. Estima-se que, no país, aproximadamente 40% dos incêndios tenham origem em queimadas malfeitas, ou seja, que não conseguiram ser controladas e consumiram área de vegetação não prevista.

Contudo, um estudo do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (Ipam), afirma que, além do impacto do acúmulo de gases do efeito estufa, a região também vem sendo afetada pelo desmatamento nos limites do parque, “tomado por pastagens e pela soja, o que tem desencadeado um aumento da temperatura local e alterações no regime hidrológico”.

O Ipam ressalta que o período anual de estiagem na região aumentou, em média, três semanas. Há registros de seca em sete dos últimos dez anos. Acredita-se que as secas seguidas impedem a reposição da água no subsolo, o que reduz a capacidade da floresta de se manter verde.

Em reportagem publicada ontem (05), a Folha de São Paulo revela a insegurança dos índios em usar a queima, técnica dominada há incontáveis gerações para o plantio de subsistência, por conta das mudanças climáticas na região provocadas pelo aumento da temperatura global e pelo intenso desmatamento no entorno.

Essas alterações têm provocado apreensões entre os índios do Xingu, pois há uma série de confusões de interpretação em relação aos sinais que eles tinham e que marcavam o período de várias atividades voltadas ao plantio.

A situação será discutida nesta quinta-feira, entre representantes do Ibama, Funai, ISA e lideranças indígenas. Até a manhã de ontem, o Estado registrava 16.968 focos, um aumento de 30% em relação a 2015.

Leia mais...

Comunicar erro

close

FECHAR

Comunicar erro.

Comunique à redação erros de português, de informação ou técnicos encontrados nesta página:

Xingu ameaçado (de novo) - Instituto Humanitas Unisinos - IHU

##CHILD
picture
ASAV
Fechar

Deixe seu Comentário

profile picture
ASAV