Um mergulho na escuridão

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30 Agosto 2016

Maria Carpi não tem pressa. Apesar de se considerar poeta desde a infância, só lançou o primeiro livro, Nos gerais da dor (1990), aos 51 anos. De lá para cá, já publicou mais 12 títulos, mas guarda outros 23 na gaveta, sem urgência de editá-los. Essa conta, no entanto, deve mudar hoje, com o lançamento de O Cego e a natureza morta, às 19h, na Livraria Cultura. Na ocasião, haverá bate-papo da autora com o psicanalista Luiz-Olyntho Telles da Silva, autor do prefácio, seguida de sessão de autógrafos.

– Não sou parâmetro para ninguém. Cada poeta precisa encontrar sua própria respiração no mundo. Tenho um filho que é o contrário de mim e amo que sejamos diferentes um do outro. Ele tem pressa, urgência; já eu sou apaixonada pela lentidão e pelo silêncio – diz, comparando seu modo de escrever ao do filho, o também poeta Fabrício Carpinejar.

A reportagem é de Alexandre Lucchese, publicada por Zero Hora, 30-08-2016.

Assim como os livros anteriores de Maria Carpi, O cego e a natureza morta é construído em torno de um tema único. Desta vez, a metáfora do olhar é o ponto de partida para os poemas, agrupados em três cantos. No primeiro terço, As brasas da escuridão, a imagem de um cego é convocada para indicar a possibilidade de desenvolver uma nova sensibilidade. “O cego sabe lidar com o escuro/ Empurra-o como se água/ na banheira, moldável”, diz o eu lírico, “com o tato dobra/ e desdobra as nuanças do sabor/ e da alegria”.

No canto seguinte, Noite em claro, um mergulho na escuridão é proposto ao leitor. Como o título da seção sugere, a noite dos versos também tem seu próprio tipo de claridade, uma vez que “não há maior imaginação/ do que ingressar em sombras”. Já os poemas do último trecho, Ausência ardente e fala feminina, refletem sobre a convivência com o caráter insaciável dos desejos. “Ninguém se livra/ mesmo casando, da viuvez da vida”, conclui um dos poemas.

– Esse livro me persegue há quase uma década, mas foi há cinco anos que o orquestrei. Contudo, fui escrevendo e publicando outras coisas. Fiquei com receio de fazer esses versos encontrarem leitor, pois é um livro muito denso, forte – comenta a autora.

Leitora apaixonada de filósofos como Martin Buber (1878 – 1965), Simone Weil (1909 – 1943) e María Zambrano (1904 – 1991), Maria Carpi ampara as reflexões que geram seus versos na filosofia. Assim como a autora em seu fazer poético, o leitor também precisa de atenção e tempo para meditar sobre as metáforas e os paradoxos sugeridos pelos poemas, abertos a diferentes interpretações, bem como para fruir a delicada musicalidade com que foram estruturados. É um livro para ser absorvido aos poucos. Sem pressa.

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