“O desprezo nos repugna”, diz associação argentina de sacerdotes

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15 Agosto 2016

Em uma das suas habituais cartas dirigidas às comunidades de que participam e aos argentinos em geral os sacerdotes católicos nucleados no Grupo de Padres na Opção pelos Pobres (COPP) qualificaram de “infelizes” e como “tenda de desatinos” as recentes declarações jornalísticas do presidente Mauricio Macri sobre direitos humanos, nas quais utilizou o termo “guerra suja” para referir-se ao terrorismo de Estado. “Não houve guerra, não houve quadrilhas, houve terrorismo de Estado que assassinou e fez desaparecer de maneira sistemática e planejada aqueles que se opuseram – operários, professores, estudantes, bispos, padres, catequistas, militantes, etc.”, dizem os padres. E ratificam que “houve um genocídio, não um erro”.

A reportagem é de Washington Uranga e publicada por Página/12, 12-08-2016. A tradução é de André Langer.

Os sacerdotes acrescentam que “o desprezo relação à vida das vítimas do terrorismo de Estado” posto em evidência nas declarações do presidente, “nos repugna”. E se perguntam: “o que aconteceria se algum presidente europeu dissesse que não se importa com o número de judeus que foram assassinados no Holocausto nazista”?

Defendem também que “o processo de memória, verdade e justiça levado a cabo na última década mereceu o elogio unânime de organizações de direitos humanos de todo o mundo, mas parece que o presidente estava assistindo a outro canal”. E destacam os padres que se o presidente está realmente preocupado “com as pressões da Justiça, deveria colocar limites aos seus funcionários, que pressionam publicamente na imprensa a Suprema Corte na questão do aumento de tarifas, e retirar seus operadores dos Tribunais Comodoro Py”. Porque “as contínuas declarações do presidente, da vice-presidente e do chefe de gabinete não fazem outra coisa que manifestar seus desejos de uma justiça dependente e cúmplice”.

Em outra parte do documento os sacerdotes denunciam a vigência de um “estado policial” e a falta de justiça em todo o país que “se manifestam claramente nos 200 dias de detenção ilegal da presa política Milagro Sala e seus companheiros e companheiras injustamente detidos” e em outras situações, como a detenção, em Carlos Paz (Córdoba), de nove integrantes do Comitê para a Libertação de Milagro Sala enquanto faziam murais pela liberdade de dirigente detida.

O Grupo de Padres na Opção pelos Pobres diz, além disso, que a tentativa de prisão de Hebe de Bonafini “mereceu nossa desaprovação e manifestamos a nossa solidariedade com Hebe e com a Associação Mães da Praça de Maio”. Acrescenta que “o juiz Marcelo Martínez de Giorgi, tão ‘compreensivo’ com poderosos como David Mulford [ex-secretário do Tesouro dos Estados Unidos], um dos incriminados pelo perverso Plan Megacanje [2001], quis obedecer às iniciativas do Governo, que decidiu medidas exemplificadoras contra tudo o que se opõe ao seu capitalismo selvagem”.

Os padres assinalam que “continua a ser visível a presença de uma polícia ‘livre’ que ataca moradores, ostenta seu autoritarismo e reprime sem controle”. E, após recordar a “mensagem” que significou o roubo na Paróquia Nossa Senhora de Fátima da Ilha Maciel, qualificam também como “mensagens mafiosas” aquelas sofridas nestes dias pela jornalista Cynthia García e pelo ex-secretário do Comércio Interior, Guillermo Moreno.

“Na mesma linha – dizem –, repudiamos a ação policial em Santiago del Estero contra o MOCASE (Movimento Camponês de Santiago del Estero), onde os direitos dos nossos irmãos camponeses possuidores centenários da terra estão sendo perseguidos por uma Justiça que sistematicamente se coloca do lado dos poderosos”.

Em vista do que disseram anteriormente, os sacerdotes asseveram que “deixar as forças de segurança e os agentes da inteligência por sua própria conta não faz senão nos convidar ao medo, com pessoas armadas como ‘donas das ruas’”, que “se agravaria notavelmente com a participação na segurança interna das Forças Armadas, algo que já repudiamos”.

Sobre a situação social e econômica “que deteriora a vida da população”, os padres católicos que trabalham entre os pobres ressaltam as reivindicações de rua por salários e tarifas e denunciam que “foi notável (e devidamente silenciado pela imprensa hegemônica e governista) o segundo ‘ruidazo’ [de barulho, contra o tarifaço do governo] diante de um governo cada vez mais ‘surdo’ em relação a todas as reivindicações populares”.

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