EUA. Luteranos ratificam documento inter-religioso católico

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15 Agosto 2016

Um documento inter-religioso que afirma que católicos e luteranos não mais estão divididos em muitas questões centrais relacionadas à igreja, ao ministério e à eucaristia deu um passo à frente em 10 de agosto deste ano, quando membros da Igreja Evangélica Luterana Americana (ou ELCA, na sigla em inglês) votou, com esmagadora maioria, pela retificação do material de 120 páginas. A votação para ratificar o documento intitulado “Declaration on the Way: Church, Ministry and Eucharist” ocorre apenas duas semanas depois que a Igreja Luterana começou o ano de comemoração do 500º aniversário de sua fundação por Martinho Lutero em 1517.

“Queridos irmãos e irmãs, façamos uma pausa parar para honrar este momento histórico”, disse logo após a votação a Bispa Elizabeth A. Eaton, presidenta do corpo episcopal da ELCA. “Embora não tenhamos chegado lá ainda, declaramos que, de fato, estamos a caminho da unidade”.

A reportagem é de Michael O’Loughlin, publicada por America, 11-08-2016. A tradução é de Isaque Gomes Correa.

Dom Denis J. Madden, bispo auxiliar da Diocese (católica) de Baltimore, que atuou como um dos presidentes da força-tarefa responsável pela elaboração do documento, esteve presente em Nova Orleans para a votação. O bispo foi presenteado com um cálice pela ELCA.

Madden contou que encontrou luteranos expressando um “anseio verdadeiro pela unidade, por aproximação” durante o encontro. Falou também que, embora ainda haja barreiras por ultrapassar, a ratificação deste documento é uma “indicação de quanto todos ansiamos o dia em que poderemos receber juntos a Eucaristia”.

O documento “Declaration on the Way” foi revelado no ano passado. Ele compila os resultados de 50 anos de diálogo inter-religioso entre as duas igrejas em 32 “declarações de concordância” a respeito de questões teológicas que, no passado, foram contenciosas.

A força-tarefa foi criada após uma sugestão, em 2011, do Cardeal Kurt Koch, presidente do Pontifício Conselho para a Promoção da Unidade dos Cristãos, de que as duas denominações estudassem as últimas cinco décadas de diálogo inter-religioso para que registrasse onde acordos já haviam sido alcançados.

Esta votação de quarta-feira, 10 de agosto, é um outro sinal de aprovação de um grupo importante, porém o documento não se eleva ao nível de magistério eclesial para nenhuma das denominações, e é pouco provável que consiga alcançar este feito antes que se passem mais vários anos de diálogo e reformulação. O mais recente e importante acordo teológico entre as duas igrejas ocorreu em 1999, com a ratificação da Declaração Conjunta sobre a Doutrina da Justificação.

Dito isso, tanto a Federação Luterana Mundial como o Pontifício Conselho para o Diálogo Inter-religioso apoiaram a força-tarefa e, no começo deste ano, os dois grupos publicaram uma oração comum que pode ser usada por católicos e por luteranos para marcar o 500º aniversário da Reforma.

 

A Irmã Susan Wood, professora de teologia na Universidade de Marquette, disse que o próximo desafio é encontrar uma recepção positiva para o documento nos círculos luteranos e católicos.

“Queremos enviar uma mensagem à Conferência dos Bispos Católicos dos EUA e à Igreja Católica em geral de que há um forte desejo por parte dos luteranos da ELCA em estreitar as relações com os católicos romanos”, declarou Wood direto de Nova Orleans em entrevista por telefone. A ELCA representa cerca de 3,7 milhões de fiéis nos Estados Unidos e no Caribe.

Susan Wood considerou “maravilhosa” a votação de quarta-feira, com o seu resultado “esmagador” a favor da ratificação, mas disse que ainda há muito trabalho a ser feito no lado católico.

“Ainda temos um enorme desafio formativo diante de nós, para que os bispo [católicos] americanos estejam mais cientes do documento”, disse ela, que é membro da Congregação das Irmãs de Caridade. Além disso, os católicos nos bancos das igrejas têm de ser sensibilizados para com o progresso entre as duas igrejas. Ela recomenda que as paróquias estudem o documento, a fim de ganhar “uma apreciação desta fé compartilhada”.

Dom Denis J. Madden afirmou que ele e outros participantes da força-tarefa planejam enviar uma carta aos demais bispos católicos falando-os do “entusiasmo” em torno da votação de quarta-feira e incentivando-os a estender a mão a seus colegas luteranos no intuito de estudar o documento, rezar juntos e colaborar em questões de justiça social.

O comitê inclui três teólogos católicos e três teólogos luteranos, sendo presidido por Madden e pelo bispo luterano Mark Hanson.

O estado das relações entre luteranos e católicos capturou a atenção do Papa Francisco, quem deverá marcar o aniversário da Reforma durante uma cerimônia na Suécia em 31 de outubro próximo, data em que Martinho Lutero teria pregado as 95 Teses à porta de uma igreja alemã em 1517. O evento dará início à comemoração da Reforma pela Igreja Luterana, que tem mais de 70 milhões de fiéis.

O papa chamou a atenção nesse tocante quando, no ano passado, fez alguns comentários que foram interpretados como sendo uma luz verde para que um luterano casado com um fiel católico possa receber a Comunhão na missa, o que o ensino da Igreja proíbe na maioria dos casos.

O documento ratificado pela ELCA na quarta-feira observa que tanto católicos como luteranos creem que, na Eucaristia, Jesus está “presente verdadeiramente, substancialmente, como pessoa, e está presente em sua inteireza como Filho de Deus e ser humano”.

O documento igualmente observa que desacordos substantivos ainda existem entre as duas denominações, em particular em torno do papel do papado e da ordenação de mulheres, o que a Igreja Católica proíbe.

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