“Peço perdão por declarações que são infelizes”, diz um cardeal Cipriani arrependido pela postura machista

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08 Agosto 2016

O cardeal peruano Juan Luis Cipriani pediu perdão a quem pudesse ter se sentido ofendido com suas declarações, nas quais assinalou que a “mulher se põe como em uma vitrine, provocando” nos casos de violação sexual, e reiterou que foram infelizes.

 
Fonte: http://bit.ly/2b49HwN  

A reportagem é publicada por Religión Digital, 06-08-2016. A tradução é de André Langer.

“Peço perdão a quem pudesse ter sido maltratado, a quem pudesse ter se sentido ofendido com opiniões ou declarações que são infelizes”, disse o cardeal em sua visita à sede do Lar Gladys em El Agustino, onde se presta apoio às mulheres que sofreram violência, maus-tratos e abandono durante a gravidez.

O arcebispo de Lima foi alvo de duras críticas por parte de autoridades peruanas e organismos defensores dos direitos das mulheres após ter emitido as controvertidas declarações em seu programa de rádio, em 30 de julho.

Em seu programa, Cipriani criticou “esses meios de comunicação que constantemente divulgam violência contra a mulher e também que divulgam esse abuso do corpo, como atração física carnal em horários e maneiras muito sutis”.

Ele assegurou que, com isso, “vão criando uma situação que depois as estatísticas nos dizem que há abortos de meninas, mas não é porque tenham abusado das meninas; são, muitas vezes, porque a mulher se põe como em uma vitrine, provocando”.

Na segunda-feira passada, em declarações à RPP Noticias, Cipriani retificou suas declarações e rejeitou “qualquer violência e qualquer tratamento de menosprezo ou maus-tratos à mulher por sua condição de mulher. Este é o ponto de partida que quero deixar muito claro e contundente”.

O arcebispo de Lima acrescentou que ficou “chateado, lendo e ouvindo interpretações que, utilizando uma frase completamente infeliz e equivocada, pretendem criticar de uma maneira francamente baixa a responsabilidade que tenho como pastor”.

Cipriani rejeitou também o que considerou uma “campanha de calúnias e maus-tratos”.

“Aceitem o perdão que lhes peço e também eu perdoo tantos insultos absolutamente injustos e caluniosos, mas os perdoo e continuaremos trabalhando pelo bem-estar de tantas mulheres e crianças que agora estão desamparadas e necessitam de ajuda”, destacou.

A ministra da Mulher e de Populações Vulneráveis, Ana María Romero, rejeitou esta semana as palavras de Cipriani e acrescentou que “a única vitrine que essas meninas (vítimas de abuso sexual), que são quatro por dia (no Peru), conhecem é a da humilhação, da vergonha e da violação”.

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