Rabino diz que Holocausto deveria incitar os judeus a defender os cristãos

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04 Agosto 2016

A memória e a dor do silêncio do mundo durante o Shoah deveria ser um chamado à ação para que os judeus defendessem os que sofrem perseguição hoje, especialmente os cristãos, disse o Rabino Michael Schudrich, rabino-chefe da Polônia, na sequência da visita do Papa Francisco a Auschwitz-Birkenau.

A reportagem é de Junno Arocho Esteves, publicada por Crux, 03-08-2016. A tradução é de Isaque Gomes Correa.

A memória e a dor do silêncio do mundo durante o Shoah deveria ser um chamado à ação para que os judeus defendam os que sofrem perseguição hoje, especialmente os cristãos, disse o rabino-chefe da Polônia.

Enquanto os judeus sofreram expulsões e holocaustos nos últimos 2 mil anos, hoje há “muitos mais ataques contra cristãos – apenas por serem cristãos – do que contra os judeus”, contou ao sítio Catholic News Service o Rabino Michael Schudrich no dia 28 de julho.
“Para mim, isso significa que a dor que nós judeus ainda sentimos por causa do silêncio esmagador do mundo – não todos, mas a maioria estava em silêncio – durante a Shoah, significa que nós precisamos ser os primeiros assumir responsabilidades e fazer algo. Temos de ser os primeiros nos manifestar dizendo ‘não’”, declarou o religioso.

O rabino falou na véspera da visita do Papa Francisco ao campo de extermínio nazista de Auschwitz-Birkenau. Usado pelos nazistas entre 1940 e 1945, este campo de concentração era o maior de todos os campos e consistia de três partes: Auschwitz I, onde muitos foram presos e mortos; o campo de extermínio de Birkenau (também conhecido como Auschwitz II); e Auschwitz III (Auschwitz-Monowitz), área de campos auxiliares que incluíam várias fábricas.

O papa cruzou o infame “portão da morte” no dia 29 de julho e orou em silêncio em várias partes do campo onde mais de 1 milhão de judeus foram assassinados pelos nazistas, assim como 23 mil roma [ciganos], 15 mil prisioneiros de guerra soviéticos e milhares de cidadãos poloneses de diferentes nacionalidades.

Entre os mortos estavam São Maximiliano Kolbe, frade franciscano, e Edith Stein, filósofa judia convertida ao catolicismo e que se tornou uma freira carmelita, sendo canonizada como Santa Teresa Benedita da Cruz.

O silêncio do papa no local de uma das piores atrocidades do século XX é uma reação comum dos visitantes, disse Schudrich.

“Estando lá em Birkenau, realmente não se consegue pronunciar nenhuma palavra. Ficamos em silêncio, o que nos ensina que, tão logo caminhamos para o outro lado do “portão da morte”, tão logo estivermos do lado de fora do Birkenau, devemos passar o resto de nossas vidas denunciando e lutando contra todos os tipos de injustiças”, disse ele ao Catholic News Service.

Hoje, continuou o rabino, a história “deu uma virada bizarra”, com ataques contra cristãos sendo mais comum do que contra judeus.
Schudrich disse que, embora “não exista um silêncio” quanto à perseguição aos cristãos ao redor do mundo como houve durante a Shoah, “não há denúncias e ações suficientes”.

O rabino-chefe da Polônia disse que, enquanto as visitas ao campo de extermínio pelo polonês São João Paulo II e o pelo papa alemão Bento XVI tiveram uma dimensão pessoal, a visita do primeiro papa não europeu em quase 1.300 anos também um significado especial.
“Quanto ao Papa Francisco, ele é de longe, ele não tem de vir para a Polônia – em termos de sua própria experiência pessoal. Acho que o fato de ele estar vindo para cá é muito importante para a Polônia. Neste país, ele é um dos grandes heróis do mundo”, disse ele.

“E para os judeus, ele estará vindo a Auschwitz e não se pode vir para a Polônia sem visitar Auschwitz. A pessoa não precisa vir para a Polônia. Mas uma vez que está aqui, também tem de ir a Auschwitz, o pior local de matança da história humana”.

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