Não super-heróis, mas com certeza heróis

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21 Julho 2016

"Quem são os seus heróis?”, perguntou um colega do jornal diocesano católico onde nós dois trabalhávamos.

A pergunta, formulada duas décadas atrás, me deixou perplexa. Será que naquela época, com os meus 30 anos, eu já estava tão cansada a ponto de não poder identificar alguém que eu admirasse por seus feitos extraordinários?

Na ocasião, o colega me ajudou sugerindo uma lista de católicas que eu tinha entrevistado e sobre as quais voltei para a redação com brilho nos olhos.

O comentário é de Heidi Schlumpf, autora do livro Elizabeth A. Johnson: Questing for God” (Liturgical Press, 2016), publicado por National Catholic Reporter, 20-07-2016. A tradução é de Isaque Gomes Correa.

E ele estava certo: eu tinha heróis. O caso era que eu havia interpretado mal a palavra que ele usara: herói. Na escola, aprendemos que os heróis vencem batalhas, lideram nações ou fundam organizações de longa duração. Como católicos, aprendemos que os nossos heróis são santos, indivíduos com feitos espirituais, sem mencionar os milagres…

Nenhuma dessas pessoas – presidentes ou papas – representava um herói pessoal para mim. Isso só mudou quando comecei a olhar mais perto para o lugar onde eu morava, e quando percebi que dezenas de homens e mulheres me inspiram com o trabalho que fazem e com a jornada de suas vidas.

Os meus próprios heróis incluem parentes, amigos e colegas, é claro. Mas também considero como heróis algumas pessoas um pouco mais famosas, como a autora e ativista beneditina Irmã Joan Chittister, a parteira espiritual servita Irmã Joyce Rupp, e as quatro religiosas assassinadas em El Salvador.

Com certeza estas pessoas são heroínas, mas não são “super-heroínas”. Na verdade, parte do que mais me inspira é que as histórias delas incluem perdas, embates, e mesmo tragédias, bem como grandes realizações e sucesso. As histórias delas são reais.

Estas histórias inspiradoras – e reais – de fé são contadas numa série de livros recém-lançada pela Liturgical Press chamada “People of God”. Esta editora, sediada em Minnesota, lança obras na área da teologia, espiritualidade e liturgia, mas quis se aproximar ainda mais e melhor dos fiéis: os editores perceberam que “é o ver a vida dos outros de um modo autêntico o que realmente torna a teologia e a doutrina atraentes e relevantes”, diz Barry Hudock, um dos editores. “Portanto dissemos: ‘Vamos contar algumas dessas histórias’”.

As breves biografias (aproximadamente 130 páginas cada uma) incluem papas, como Francisco e João XXIII, e santos, como Dom Oscar Romero, mas também católicos extraordinários que podemos desconhecer por completo, tais como Daniel Rudd, filho de um ex-escravo que se formou em jornalismo e fundou o Congresso Nacional Católico Negro (National Black Catholic Congress), e Corita Kent, freira americana e artista pop que desenhou um dos selos de “Amor” dos correios dos EUA.

O título “People of God”, literalmente O povo de Deus, é tirado de Lumen Gentium, documento do Concílio Vaticano II que reafirmou que a Igreja pertence a todos os fiéis. Hudock, um dos editores, emprega esta definição de Igreja na escolha dos assuntos, selecionando não somente o clero e religiosas, mas também leigos e leigas que atuam nos campos da justiça social, televisão, literatura e outros.

“Queremos pessoas reais, pessoas com as quais os leitores possam se identificar”, disse ele. “Ao lado de algumas figuras bem conhecidas, estamos também dando destaque a pessoas menos conhecidas que merecem ser melhor lembradas”.

Exemplos desse segundo grupo incluem Dorothy Day, Cardeal Joseph Bernardin, Pe. Thomas Merton e Flannery O’Connor. Figuras menos conhecidas incluem Shahbaz Bhatti, político paquistanês assassinado em 2011, e Georges e Pauline Vanier, pais do cofundador das comunidades de L’Arche. Jean Vanier é também lembrado num dos volumes da série. Embora a maioria das pessoas destacadas nos livros já estejam mortas, algumas ainda vivem, como o ator e ativista Martin Sheen.

“Estas pessoas são heroínas não porque são perfeitas, mas porque não o são”, afirmou Hudock. “Gosto de saber que cada um desses indivíduos tem as suas próprias fraquezas, inseguranças e pecados, exatamente como eu. Apesar disso tudo, eles viveram vidas marcadas por coragem, compaixão, fé e um amor extraordinário. Isto me diz que eu também posso viver uma vida assim, apesar de todas as coisas a meu respeito que poderiam tentar-me a pensar que não posso”.

No ano passado, Hudock pediu-me que escrevesse um livro para a série “People of God” sobre a Irmã Elizabeth Johnson, da Congregação de São José. Johnson é teóloga católica feminista cujo livro “Quest for the Living God” foi criticado pelos bispos Americanos em 2011. Eu já tinha conhecimento de sua obra, especialmente o seu livro inovador “She Who Is”, mas quase nada sabia a respeito de sua vida. O que aprendi, por meio de entrevistas e com o acesso a documentos arquivados, é uma história de coragem e de fé.

Johnson não é perfeita, mas é uma fiel que permaneceu dedicada à Igreja e, o que é mais importante, à sua própria caminhada em busca de compreender quem é Deus. Isso a faz uma de minhas heroínas.

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