Filme conta história de estupro há muito ignorada de freiras polonesas durante a Segunda Guerra

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15 Julho 2016

Les Innocentes (Agnus Dei) passa-se na Polônia, em 1945. Mathilde, jovem médica francesa a trabalhar pela Cruz Vermelha, está numa missão para ajudar sobreviventes da Segunda Guerra Mundial. Quando uma freira busca a sua ajuda, é levada a um convento onde várias irmãs grávidas escondem-se devido a atrocidades cometidas por soldados soviéticos. Incapazes de reconciliar a fé que possuem com suas gravidezes, as freiras viram-se para Mathilde que se torna na única esperança das religiosas.

O filme “Les Innocentes” (Agnus Dei), baseado em fatos reais, conta a história há muito suprimida de estupro sistemático de freiras na Polônia por parte de soldados soviéticos e, ao contar, consegue capturar algo sobre a fragilidade da fé.

O comentário é de Kimberly Winston, publicado por Religion News Service, 11-07-2016. A tradução é de Isaque Gomes Correa.

Um novo filme que estreou em 8 de julho centra a atenção sobre um crime de guerra há muito tempo ignorado: o estupro sistemático de freiras polonesas durante a Segunda Guerra Mundial.

Les Innocentes” conta a história de uma jovem médica francesa que é chamada para ir a um convento polonês para ajudar uma jovem noviça em trabalho de parto. Ela descobre que os soldados soviéticos, com a aprovação dos seus superiores, estupraram dezenas de freiras durante a ocupação, deixando no total cinco grávidas.

Mas, no cerne do filme, está a pergunta mais intrigante levantada pela guerra: Por que Deus permite que coisas ruins aconteçam a pessoas boas? As freiras debatem-se com esta difícil questão, enquanto a médica, que é ateia, respeita os credos delas.

O longa metragem “consegue respeitar a fé, muito embora recusa-se a participar dela”, escreve Justin Chang em sua resenha publicada na revista Variety. “E o seu desenvolvimento dramático define-se, muitas vezes, pelo vai e vem das visões de mundo opostas de seus personagens”.

Projeto em conjunto de cineastas poloneses, franceses e belgas, o filme teve sua estreia americana no Festival Sundance de Cinema em janeiro, com o título de “Agnus Dei”. Ele foi lançado agora com este seu novo após resenhas em geral favoráveis publicadas em todo o país.

A história é baseada em fatos reais.

Em 1945, Madeleine Pauliac, médica de 27 anos de idade, trabalhava para Cruz Vermelha na Polônia quando foi chamada ao aposento em que uma freira estava em trabalho de parto. De acordo com suas notas, a freira era de um convento onde soldados soviéticos estupraram 25 religiosas, mataram outras 20 e deixaram cinco grávidas.

Pauliac, renomeada para Mathilde Beaulieu no filme e interpretada pela atriz francesa Lou de Laage, foi morta um ano depois em um acidente enquanto ainda trabalhava para a Cruz Vermelha.

Apesar do horror que foi a experiência dessas freiras, tal situação era comum. Pesquisadores poloneses – que só puderam estudar as atrocidades soviéticas após a queda do comunismo em seu país em 1989 – estimam que nada menos de 100 mil polonesas foram violentadas sexualmente por soldados soviéticos.

A professora de história da Universidade de Stanford Katherine R. Jolluck é uma das poucas pessoas nos EUA que pesquisam a situação das mulheres polonesas nos anos da Segunda Guerra Mundial. Ela disse que suas histórias foram mantidas longe dos holofotes devido a um sentimento de vergonha e desonra.

“Aquelas mulheres que sucumbiram, seja por necessidade severa ou à força do ‘inferno’ russo, ficaram sujas, os seus corpos e identidades sociais foram estigmatizados”, escreve ela no livro “Gender and War in Twentieth-Century Eastern Europe”. 

Esta avaliação é refletida no filme. A madre superiora, interpretada pela atriz polonesa Agata Kulesza, luta para manter os estupros e as gravidezes das freiras em segredo por medo de que isso signifique o encerramento do convento.

A diretora Anne Fontaine mergulhou na história e na vida em convento antes de rodar o filme em janeiro de 2015. Passou semanas num convento beneditino – a mesma ordem religiosa retratada no filme – e imitou a vida de uma noviça.

“O que mais me tocou, e o que tentei transmitir no filme, é o quão frágil é a fé”, disse ela em entrevista na véspera do Festival Sundance.

“Geralmente acreditamos que a fé fortalece aqueles que se orientam por ela”, acrescentou. “Mas é um erro: conforme a (Irmã) Maria confidencia a (médica) Mathilde no filme, o que acontece é, pelo contrário, vinte quatro horas de dúvidas e um minuto de esperança”.

Nota da IHU On-Line: O filme Agnus Dei foi exibido no Festival Varilux em Porto Alegre, no mês de junho. A partir da última quinta-feira está em cartaz em vários cinemas de Porto Alegre e outras capitais brasileiras.

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