Novo livro-entrevista com Bento XVI é reduzido midiaticamente à questão do "lobby gay"

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04 Julho 2016

Nessa quinta-feira, 30 de junho, quando os responsáveis pela editora alemã Droemer Knaur, de Munique, anunciaram que, no dia 9 de setembro, simultaneamente em todo o mundo e em inúmeras línguas, será publicado o livro-entrevista de Bento XVI, Ultime conversazioni [Últimas conversas], escrito com Peter Seewald, foram listados aos jornalistas presentes cerca de 20 assuntos entre os inúmeros que são abordados nas 240 páginas do volume e que, temporalmente, vão da infância de Joseph Ratzinger até algumas semanas atrás. E são todos assuntos e temas, obviamente, de grande importância e porte para entender e aprofundar a vida da Igreja Católica dos últimos anos do longo pontificado de São João Paulo II até hoje.

A reportagem é de Luis Badilla, publicada no sítio Il Sismografo, 01-07-2016. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Na lista ilustrativa dos editores, falou-se também do fato de que o papa emérito contou ter tomado conhecimento da existência de um pequeno "lobby gay" dentro do Vaticano, formado por quatro a cinco pessoas, e de ter conseguido dissolvê-lo por ser inadmissível.

A ideia dos responsáveis da editora era a de dar a entender que o livro-entrevista é panorâmico – "A primeira vez na história da Igreja que um papa faz um balanço do próprio pontificado", enfatizaram – e, por isso, na conversa, fala-se de tudo e de nada de importância fundamental, embora o que não é bonito tenha ficado de fora das longas conversas.

Todos os textos que dão a notícia sobre o livro copiam Luigi Accattoli, que ofereceu uma nota bastante completa, que resume a coletiva de imprensa, até porque vai ser o Corriere della Sera que, na sexta-feira, 9 setembro, vai vender, junto com a edição do jornal, o volume impresso na Itália pela Garzanti.

Obviamente, copia-se esse caso do lobby gay que Accattoli inclui na sua completa lista de assuntos. Digamos que, até aqui, não há nenhum problema.

O que surpreende, ao contrário, é que, diante de uma notícia desse porte, a grande maioria dos autores que a relançaram, insistiram, também com os títulos, no "lobby gay", como se fosse um caso central e relevante, a ponto de propô-la como a principal referência em vez de inúmeros outros conteúdos muito mais importantes.

Desse grupo, dentre outros, já se havia falado em 2013, quando uma revista chilena revelou alguns detalhes de uma conversa privada do Papa Francisco com alguns expoentes da CLAR, a Confederação de Religiosos e Religiosas da América Latina e do Caribe (1); conversa em que o papa, falando sobre corrupção, fez referência a esse lobby.

Todo jornalista e toda publicação, naturalmente, tem todo o direito de escrever o que quiser e de propor aos seus leitores aquilo que considera como prioritário na sua forma de informar. Porém, chama a atenção que o calibre dessa notícia sobre o livro do papa emérito é consumido e apagado com uma questão tão pequena e marginal, se levarmos em conta que o papa emérito fala da sua vida e do seu pontificado.

Enquanto isso, na internet, a avalanche já está em pleno desenvolvimento, com um crescimento contínuo. Uma verdadeira pena.

Nota:

1. Alguns dias depois, a CLAR publicou uma nota para dizer que não era possível atribuir ao Santo Padre tais expressões com segurança e certeza.

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