Berta Cáceres estava em lista de alvos de Exército hondurenho, diz militar desertor a "The Guardian"

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22 Junho 2016

A ativista e líder indígena hondurenha Berta Cáceres figurava em uma lista distribuída a soldados das forças de elite de Honduras treinadas pelos Estados Unidos meses antes de sua morte, de acordo com militar hondurenho entrevistado pelo jornal britânico The Guardian em matéria publicada nesta terça-feira (21/06). O oficial disse estar "100% seguro" de que o Exército do país matou a ativista no dia 3 de março.

A informação é publicada por Opera Mundi, 21-06-2016.

Segundo informações passadas à publicação britânica pelo primeiro-sargento hondurenho de nome fictício Rodrigo Cruz, o nome de Cáceres aparecia em uma lista entregue a agentes de duas unidades de elite do Exército de Honduras, que deveriam ser responsáveis por eliminar os “alvos”.

A ativista liderava uma campanha contra a hidrelétrica Agua Zarca e foi assassinada por homens não identificados em sua casa na madrugada de 3 de março deste ano em La Esperanza, no oeste de Honduras.


Foto: Goldman Environmental Prize / Divulgação

O primeiro-sargento, atualmente escondido em um país vizinho, servia à unidade Xatruch quando teve conhecimento das listas. O grupo, que atuava na costa do Caribe no combate a narcóticos e operações contra gangues, recebia treinamento de militares norte-americanos, colombianos e de outras nacionalidades.

Ele disse ao The Guardian que, após uma partida de futebol em meados de dezembro, o tenente responsável pela Xatruch convocou os soldados e mostrou a eles várias folhas de papel com nomes, fotografias, endereços e telefones de cada uma das pessoas presentes na lista. Havia um documento para sua unidade e o outro para a Fusina (Força de Segurança Interinstitucional), que atuava em todo o território hondurenho.

“O tenente disse que não estava disposto a executar a ordem já que os alvos eram pessoas decentes, lutando por suas comunidades”, declarou Cruz. Dias depois, o tenente abandonou a base e desapareceu. Algum tempo depois, Cruz fugiu também.

“Se eu fosse para casa, eles me matariam. Dez dos meus ex-colegas estão desaparecidos. Estou 100% seguro que Berta Cárceres foi morta pelo Exército”, disse Cruz ao The Guardian.

O soldado afirma ter visto as listas em outras ocasiões e, dentre os alvos, teria reconhecido líderes da região do Bajo Aguán, local de atuação das forças do Xatruch e cenário de disputas entre grandes produtores de óleo de palma e comunidades locais.

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