Escândalos de abuso mostram que a 'Hora dos Leigos' deve incluir responsabilização

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06 Junho 2016

Em outro lugar no site da Crux hoje, Jack Valero publicou um texto insistindo conferir que o clericalismo deve ser relegado às latas de lixo da história e que a Igreja deve abraçar plenamente o papel dos leigos. Com efeito, sugere que os leigos "representam" a Igreja tanto quanto o clero, se não em termos de sua autoridade de ensino, em sua missão evangelizadora.

Isso é um argumento que, sem dúvida, terá eco em muitos católicos, incluindo o Papa Francisco, cuja aversão para o clericalismo é bem documentada. Uma história exclusiva da Crux, no entanto, oferece um lembrete importante de que os leigos devem lidar tanto com o ônus quanto com o bônus: se quiserem ser autorizados a algo, também têm que se responsabilizar.

A reportagem é de John L. Allen Jr., publicada por Crux, 03-06-2016. A tradução é de Luísa Flores Somavilla.

Em poucas palavras, Austen Ivereigh relatou do Peru que o líder de um tribunal da Igreja de lá teria escrito uma carta meticulosa documentando os esforços para informar o Vaticano sobre acusações de abuso sexual e outras formas de abuso contra o fundador de um movimento leigo poderoso conhecido como o Sodalício de Vida Cristã, expressando uma indignação visivelmente crescente com a falta de resposta ao longo de quatro anos.

Foi apenas em maio que Congregação dos Religiosos do Vaticano finalmente nomeou um delegado para supervisionar um processo de reestruturação, e ainda não impôs qualquer punição eclesiástica sobre o fundador, Luis Fernando Figari.

Certamente, o atraso é difícil de entender, porque a primeira acusação contra Figari foi transmitida a Roma em 2011, não décadas atrás, quando tal letargia era a norma. Isso foi depois da explosão dos escândalos de abuso nos EUA em 2002/2003, após a propagação que começou na Irlanda e varreu a Europa em 2009/2010.

Até 2011, o compromisso de "tolerância zero" tornou-se mantra público do Vaticano. O fato de que as acusações possam ter sido ignoradas por tanto tempo, nesse ponto, portanto, é intrigante, para dizer o mínimo.

Na tentativa de explicar a situação - o que, para constar, é diferente do que defendê-la - há provavelmente vários fatores.
Um deles é que por um "Instituto de vida consagrada" reconhecido pelo papa encontrar-se sob a autoridade da Congregação dos Religiosos, o caso Figari acabou não se deparando com a Congregação para a Doutrina da Fé, o departamento que tem estado por muito tempo na dianteira das respostas do Vaticano aos escândalos de abuso e tem pessoal e estrutura adequados para lidar com esses casos.

Outra é que uma transição na liderança estava se desenrolando na Congregação dos Religiosos quase simultaneamente. No início de 2012, havia rumores de que o arcebispo norte-americano Joseph Tobin , um ex-superior religioso redentorista e o segundo dirigente da congregação naquele momento, poderia estar encaminhando sua saída, e em outubro de 2012, foi nomeado como o novo arcebispo de Indianápolis.

Se Tobin ainda estivesse no posto, a resposta poderia ter sido mais agressiva - e a congregação tardiamente confirmou o fato, nomeando-o seu delegado com o Sodalício.

No entanto, há outro elemento também, que é que Figari é leigo, e não padre.

Foi concedida autoridade à Congregação para a Doutrina da Fé de dispensar o estatuto habitual de limitações na lei da Igreja, a fim de processar os casos de abuso sexual, e ela baseia-se amplamente nessa autoridade. No entanto, a sua capacidade para anular esses limites só se aplica ao clero.

Não está claro neste momento que qualquer pessoa tenha autoridade para tirar conclusões semelhantes em relação a um leigo, o que pode ter levantado dúvidas na Congregação dos Religiosos sobre sua capacidade legal para abrir um processo formal contra Figari, uma vez que a maior parte das acusações contra ele data da década de 1970.

Com efeito, o catolicismo parece ter evoluído em uma espécie de sistema de duas vias da justiça: punição rápida e relativamente certeira para a maioria dos sacerdotes que cometem abuso e consequências mais lentas e mais confusas para todos os outros.

(Há também um problema de responsabilização pelos bispos que não administram bem as reclamações de abuso, mas isso é outra conversa.)

Aqui é onde nos cruzamos com a questão do estatuto dos leigos.

O "empoderamento leigo", quando concedido, em seu sentido integral não significa segurar escritórios ou representar dentro da Igreja institucional - significa aproveitar a vocação laica no mundo secular, transformando-a de dentro para fora, à luz do Evangelho.

No entanto, os leigos insistem, apropriadamente, na igualdade de condições no interior da Igreja também, obviamente, com papéis distintos dos do clero, mas iguais em direitos e dignidade. Se a demanda significa alguma coisa, no entanto, provavelmente também tem de incluir a igualdade no enfrentamento das consequências de suas ações.

Em outras palavras, os católicos mais zelosos sobre a realização de uma "hora dos leigos" também devem ser os primeiros a insistir que a lacuna na lei da Igreja que pode ter distanciado Figari por tanto tempo seja preenchida.

Para ser franco, o empoderamento sem responsabilização é ainda um embuste. Isso também parece ser parte da história Figari.

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