O teólogo dos animais: “Explico-lhes o paradoxo do Papa”

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16 Mai 2016

“Estou totalmente de acordo com Francisco. Está claro. O paradoxo, neste caso, se vê na recusa da consciência ao chamado de comunhão, do afeto e da sensibilidade com tudo que tem vida, ser humano, animal ou árvore”.

O grande teólogo e biblista Paolo De Benedetti, nascido em 1927, pensador da “teologia dos animais” (“O próprio Messias sofredor aparece nos olhos de um cão que morre”), concede a entrevista desde a sua casa em Asti. Filho de pai hebreu e mãe católica, se descreve ironicamente como ‘marrano’, foi professor de Judaísmo na Faculdade teológica de Milão.

Um livro, em homenagem ao seu pensamento, publica artigos dos seus amigos Carlo Maria Martini e Umberto Eco. Os achaques da idade não interferem na lucidez do seu espírito: “Não quero lhe escandalizar, mas eu penso que Deus quis o ser humano e a criação inteira porque se não fosse assim ele sofreria, na solidão”.

A entrevista é de intervista Gian Guido Vecchi, publicada por Corriere della Sera, 15-05-2016.

Paolo De Benedetti é autor, entre outros, do livro Teologia delli Animali (2007, Morcelliana).

Eis a entrevista.

Não se trata, então, de escolher entre seres humanos e animais?

Trata-se de ver, na  relação entre seres humanos e animais, uma opção que tem a sua origem em Deus. Não se pode anular um dos dois.  Deus sempre deseja, sente a necessidade de difundir a sua vida sobre toda a criação. Se se lê atentamente os relatos da criação, se dá conta que Deus necessita de um ‘tu’ que somos nós.

Nós seres humanos ou nós criaturas em geral?

Depende do ponto de vista. Do meu ponto de vista Deus necessita da criação inteira.

Mas o ensinamento bíblico e da Igreja coloca o ser humano numa posição de superioridade,  não?

O crente deve ter a consciência que tanto a vida do ser humano como a vida animal e a vida da árvore são todas formas que demonstram como Deus, nas relações com a criação, tem como instrumento fundamental – até diria como cetro de governo – a responsabilidade do ser humano para com a criação.

Ser responsáveis e não senhores?

Sim. Num certo sentido a história  do ser humano e da criação nos dá um duplo ensinamento: nos educa no respeito à vida dos viventes, seja onde e como vivam; e nos ensinam a nunca colocar a nossa identidade no mesmo nível da divina.  O pensamento cristão quando se confronta com os animais é mediado pela vitalidade que Deus semeou em tudo aquilo que tem ou teve um respiro.

Mas em que sentido o ser humano é superior?

No sentido decidido por Deus. O crente deve recordar que Deus lhe deu uma relação com Ele que nenhuma outra criatura tem. Mas é, precisamente, esta relação que o torna responsável e não onipotente no confronto com a criação. Cabe às religiões fazer que isto seja entendido.

O senhor escreveu uma “lamentação” quando morreu a sua gata: “espero que nos sonhos virás correndo para te deitar nos meus joelhos”. O senhor pensa que os animais, como os seres humanos, têm um destino eterno?

Num certo sentido, sim, ainda que nós não saibamos o que seja este sentido. Mas existe.

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