Último Sínodo colocou na mesa de discussão o tema “diaconisas”

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16 Maio 2016

A ordenação de diaconisas ganhou a atenção mundial em outubro quando o arcebispo canadense Paul-André Durocher mencionou o assunto durante um discurso de três minutos no Sínodo dos Bispos sobre a família. Durocher propôs três linhas de ação para o Sínodo, o terceiro relacionado a mulher no diaconato.

“Finalmente, quanto ao diaconato permanente, [espero] que este Sínodo recomende a criação de um processo que venha eventualmente permitir o acesos feminino a essa ordem [o diaconato], que, como diz a tradição, dirige-se ‘non ad sacerdotium, sed ad ministerium’ [não ao sacerdócio, mas ao ministério]”, disse ele.

A reportagem é de Elizabeth A. Elliott, publicado por National Catholic Reporter, 12-05-2016. A tradução é de Isaque Gomes Correa.

Em uma entrevista à revista America, Durocher diz: “Por que não olhar para a questão da ordenação feminina ao diaconato? Não se trata de uma questão encerrada. Não há nenhuma declaração dogmática que afirme que elas não podem ser ordenadas”.

Mas será que estas afirmações terão algum impacto no tema das mulheres ordenadas ao sacerdócio?
William Ditewig, diácono da Arquidiocese de Washington, acredita que uma tal mudança está longe de acontecer.

“Não estou convencido de que essas ideias terão um grande impacto, simplesmente porque outras questões relacionadas à família parecem se mais imediatas”, disse ele, que trabalha na Diocese de Monterey, na Califórnia, e leciona na Santa Clara University. Nesse sentido, Ditewig disse que um exemplo é a admissão de fiéis divorciados e recasados à Comunhão.

Phyllis Zagano, pesquisadora e palestrante católica na área da espiritualidade contemporânea e de questões femininas na Igreja, disse ser um sinal saudável que a Igreja esteja, pelo menos, discutindo o assunto da ordenação feminina ao diaconato.

“Nunca existiu uma decisão definitiva contra a tradição antiga de ordenar mulheres ao diaconato”, disse Zagano.

Agora que o assunto foi levantado, diz ela, “o próximo passo é ver as Conferências Episcopais do mundo discutirem a questão e enviar um dubium [uma pergunta formal] a Roma perguntando se elas podem ordenar mulheres ao diaconato”.

Zagano falou ainda que essa ideia pode não valer para todas as dioceses.

“Da mesma forma como acontece com as coroinhas femininas, nem todas as Conferências dos Bispos querem diaconisas no altar”, disse ela. “Na América do Sul, existem bispos que dizem: ‘Eu ordenaria mulheres na mesma hora’”.

Em entrevista a uma rede de TV local, perguntaram ao arcebispo de Chicago, Dom Blase Cupich, se no futuro teremos diaconisas na Igreja Católica. Cupich, que foi delegado no Sínodo dos Bispos, reafirmou a declaração de Durocher.

“Acho que vai haver algum tipo de estudo sobre isso”, respondeu. Ele também admitiu que não está por dentro do assunto, mas que “estaria disposto a ler e a ficar informado”.

Alguns veem a ordenação de mulheres ao diaconato como uma forma de chegar à ordenação delas ao sacerdócio.

“Muitas pessoas assumem que ver mulheres sendo ordenadas é um perigo”, disse Ditewig.

“A questão é: o diaconato não é o mesmo que o sacerdócio”, explicou. “É um ministério separado e completo. Se a Igreja entender a separação e a distinção, então teremos um longo caminho para restaurar a presença feminina no diaconato. Eu acho que o Santo Padre sabe disso”.

O Papa Francisco vem pedindo pela inclusão mais ampla das mulheres na Igreja.

“E ele quer isso e quer incluí-las no comando e no ministério da Igreja, então o jeito óbvio é restaurar as mulheres ao diaconato”, disse Zagano. “A restauração delas ao diaconato ordenado as faria clérigos”.

De acordo com o jesuíta Luke Hansen, editor da revista America de 2012 a 2014, o apoio dos leigos à ordenação feminina como diaconisas é o primeiro passo em direção à aceitação.

“Se um fiel acredita que a Igreja deveria ordenar mulheres como diaconisas, é importante que esta pessoa manifeste a convicção ao padre ou bispo local”, disse ele. “Os bispos estão familiarizados com as necessidades pastorais de suas jurisdições eclesiásticas e com os dons de seu povo. Se as pessoas crerem que o Senhor está a chamar as mulheres para servirem como diaconisas, os bispos deverão representar essa convicção na Conferência Episcopal ou mesmo diretamente ao Papa Francisco. O papa tem deixado claro que quer que as Conferências façam propostas ousadas para resolver a escassez no clero”.

Zagano salientou que, embora muitas mulheres já estejam engajadas em atividades da Igreja, ordená-las ao diaconato faria do serviço delas uma extensão do ministério episcopal.

Em entrevista à revista America, Dom George Murry, de Youngstown, Ohio, disse que deve haver uma passagem do falar sobre a inclusão a agir efetivamente.

“As mulheres estão envolvidas na Igreja numa variedade de formas, mas e quanto à presença delas nas instâncias decisórias? É aí onde temos de deixar de falar sobre inclusão e agir em diferentes sentidos”, disse ele.

Murry sugeriu se ter uma comissão litúrgica e teológica, dizendo que seria “uma ideia sensata pensar algo nesse sentido, aprender mais sobre o tema e, então, apresentar uma proposta para dizer se há, ou não, problemas teológicos e, se não houver, seguir em frente”.

O relatório final do Sínodo inclui um parágrafo sobre as mulheres na sociedade e na Igreja. A certa altura, lê-se: “Uma maior valorização da responsabilidade das mulheres na Igreja pode contribuir para o reconhecimento social do seu papel determinante: a sua intervenção nos processos decisórios, a sua participação no governo de algumas instituições, o seu envolvimento na formação dos ministros ordenados”.

Hansen contou ao National Catholic Reporter que é significativo que o documento sinodal final estabeleça as mesmas relações que Durocher estabeleceu.

“Se as mulheres forem empoderadas e assumirem uma maior liderança na Igreja, isto tudo vai contribuir para o empoderamento delas na sociedade em geral”, disse. “É significativo que a questão esteja sendo discutida entre os bispos”.

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