O que o papa disse em seu discurso às superioras gerais sobre mulheres e diaconia

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16 Maio 2016

Publicamos aqui o trecho – originalmente em italiano – do diálogo do Papa Francisco com as representantes da União Internacional das Superioras Gerais (UISG), reunidas com ele nessa quinta-feira, 12 de maio, no Vaticano.

O trecho foi publicado no sítio Il Sismografo, 13-05-2016. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Eis o texto.

O papel das mulheres consagradas na Igreja

Pergunta – As mulheres consagradas já trabalham tanto com os pobres e com os marginalizados, ensinam a catequese, acompanham os doentes e os moribundos, distribuem a comunhão. Em muitos países, guiam as orações comuns na ausência de sacerdotes e, nessas circunstâncias, pronunciam a homilia. Na Igreja, há o ofício do diaconato permanente, mas ele está aberto apenas aos homens, casados ou não. O que impede que a Igreja inclua as mulheres entre os diáconos permanentes, assim como aconteceu na Igreja primitiva? Por que não constitui uma comissão oficial que possa estudar a questão? Pode nos dar algum exemplo de onde o senhor vê a possibilidade de uma melhor inserção das mulheres e das mulheres consagrados na vida da Igreja?

Papa Francisco – Essa pergunta vai no sentido do "fazer": as mulheres consagradas já trabalham tanto com os pobres, fazem tantas coisas... No "fazer". E toca o problema do diaconato permanente. Alguns poderão dizer que as "diaconisas permanentes" na vida da Igreja são as sogras [risos]. Com efeito, isso existe na antiguidade: houve um início... Eu lembro que era um tema que me interessava bastante quando eu vinha para Roma para as reuniões e me hospedava na Domus Paulo VI. Lá, havia um teólogo sírio, bom, que fez a edição crítica e a tradução dos Hinos de Efrém, o Sírio.

E, um dia, eu lhe perguntei sobre isso, e ele me explicou que, nos primeiros tempos da Igreja, havia algumas "diaconisas". Mas o que são essas diaconisas? Elas tinham a ordenação ou não? Quem fala disso é o Concílio de Calcedônia (451), mas ele é um pouco obscuro.

Qual era o papel das diaconisas naqueles tempos? Parece – dizia-me aquele homem, que morreu, era um bom professor, sábio, erudito – que o papel das diaconisas era ajudar no batismo das mulheres, na imersão, elas as batizavam, por decoro, também para fazer as unções sobre o corpo das mulheres, no batismo.

E também uma coisa curiosa: quando havia um julgamento matrimonial porque o marido batia na mulher, e esta ia ao bispo para se lamentar, as diaconisas eram as encarregadas de ver os hematomas deixados no corpo da mulher por causa das agressões do marido e de informar o bispo. Isso eu lembro.

Existem algumas publicações sobre o diaconato na Igreja, mas não está claro como ele foi. Acho que vou pedir que a Congregação para a Doutrina da Fé me refira sobre os estudos sobre esse tema, porque eu respondi para vocês apenas com base naquilo que eu ouvi desse sacerdote, que era um pesquisador erudito e válido, sobre o diaconato permanente.

E, além disso, gostaria de instituir uma comissão oficial que possa estudar a questão: acho que fará bem para a Igreja esclarecer esse ponto. Eu estou de acordo e vou falar para fazer uma coisa desse tipo.

Depois, vocês dizem: "Estamos de acordo com o senhor, Santo Padre, que várias vezes relatou a necessidade de um papel mais incisivo das mulheres nas posições de tomada de decisão na Igreja". Isso está claro. "Pode nos dar algum exemplo de onde o senhor vê a possibilidade de uma melhor inserção das mulheres e das mulheres consagradas na vida da Igreja?".

Vou dizer uma coisa que vem depois, porque eu vi que há uma pergunta geral. Nas consultas da Congregação para os Religiosos, nas assembleias, as consagradas devem ir: isso é certo. Nas consultas sobre os tantos problemas que são apresentados, as consagradas devem ir. Outra coisa: uma melhor inserção. Neste momento, não me vêm à mente coisas concretas, mas sempre o que eu disse antes: buscar a opinião da mulher consagrada, porque a mulher vê as coisas de uma originalidade diferente da dos homens, e isso enriquece: seja na consulta, seja na decisão, seja na concretude.

Esses trabalhos que vocês fazem com os pobres, os marginalizados, ensinar a catequese, acompanhar os doentes e os moribundos, são trabalhos muito "maternos", em que a maternidade da Igreja pode se expressar mais. Mas há homens que fazem o mesmo e bem: consagrados, ordens hospitaleiras... E isso é importante.

Portanto, sobre o diaconato, sim, aceito e me parece útil uma comissão que esclareça bem isso, especialmente no que diz respeito aos primeiros tempos da Igreja.

No que diz respeito a uma melhor inserção, repito o que eu disse antes.

Se há algo para concretizar, vocês me perguntam agora. Sobre isso que eu disse, há alguma pergunta a mais que me ajude a pensar? Em frente...

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