Descobrindo a "Amoris laetitia": a exortação completa um mês. Recepção e remoção do magistério de Francisco. Artigo de Andrea Grillo

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11 Maio 2016

A apresentação da Amoris laetitia completou um mês no dia 8 de abril. Uma grande recepção recém-iniciou, com grande atenção, com discernimento acurado e com admiração grande, em toda a Igreja. Pequenos grupos marginais ficaram perplexos, sentem-se confusos ou reagem com raiva e até mesmo com intemperança. O que é surpreendente, nessas reações descompostas, é acima de tudo a pobreza e a rudeza dos argumentos.

A opinião é do teólogo italiano Andrea Grillo, leigo casado, professor do Pontifício Ateneu S. Anselmo, de Roma, do Instituto Teológico Marchigiano, de Ancona, e do Instituto de Liturgia Pastoral da Abadia de Santa Giustina, de Pádua.

O artigo foi publicado no seu blog Come Se Non, 08-05-2015. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Eis o texto.

Já passou um mês desde a apresentação da Amoris laetitia, no dia 8 de abril. Uma grande recepção recém-iniciou, com grande atenção, com discernimento acurado e com admiração grande, em toda a Igreja. Pequenos grupos marginais ficaram perplexos, sentem-se confusos ou reagem com raiva e até mesmo com intemperança. É preciso compreender bem os seus argumentos, para enfrentá-los com lucidez e com caridade, explicando-lhes por bem todas as boas razões de uma reviravolta há muito tempo necessária à luz do Evangelho e da experiência dos homens.

O que é surpreendente, nessas reações descompostas, é acima de tudo a pobreza e a rudeza dos argumentos. Tento resenhá-las, ordenando-as por "tipologias". Elas pertencem a três "círculos concêntricos", dos quais o primeiro é o mais amplo, o segundo é o médio, enquanto o terceiro é o menor e central:

a) "Não mudou nada, porque nada pode mudar"

A primeira abordagem distorcida apresenta uma espécie de "leitura de modo menor" do texto da Amoris laetitia: ela o reduz a um texto "curioso", "original", "atípico", "fora de série", de modo a não ter que reconhecer o seu valor magisterial, nem a sua força para modificar o status quo.

Facilmente assume um duplo percurso: por um lado, propõe uma reconstrução falseada do texto, omitindo deliberadamente as suas proposições novas e, ao mesmo tempo, valoriza a ideia de que a verdadeira autoridade está total e exclusivamente nos textos anteriores.

O "lugar comum" dessa posição é que a Familiaris consortio representa o ponto definitivo de possível avanço da teologia magisterial sobre o matrimônio. A fidelidade ao Evangelho é identificada com a repetição "ad litteram" da Familiaris consortio. Uma leitura que parou 35 anos antes da Amoris laetitia.

No entanto, é importante notar que essa estratégia de leitura, aparentemente, se inclina abertamente em favor do texto da Amoris laetitia, propondo, no entanto, uma interpretação fictícia dele, que o esvazia de todo conteúdo novo.

b) "Não se pode negar o dogma e o direito divino"

Há quem vai além dessa primeira atitude. Sem entrar abertamente em conflito com as palavras do texto da Amoris laetitia, uma segunda atitude interpretativa eleva o tiro e o tom. Leiamos e comentemos algumas frases que foram pronunciadas nos últimos dias.

"Não é possível viver na graça de Deus em situação de pecado. A Igreja não tem o poder de mudar o direito divino, não pode mudar a indissolubilidade do matrimônio. Não se pode dizer sim a Jesus Cristo na Eucaristia e não no matrimônio. É uma contradição objetiva."

Essas palavras merecem um breve comentário na forma de silogismo. A contradição entre graça de Deus e pecado é um apriori. Ninguém a discute. Mas o direito divino nunca existe sem nuances. Há circunstâncias atenuantes e discriminantes em toda tradição humana, incluindo a Igreja.

Por isso, a analogia entre matrimônio e relação Cristo-Igreja é uma analogia imperfeita. A contradição pode ser considerada, portanto, como meramente objetiva apenas se aplicarmos categorias rudes demais. Pois bem, essas palavras são o fruto de uma teologia rude demais para ser levada a sério.

Ouçamos outra insinuação pesada:

"Para aqueles que sabem que estão em uma situação 'irregular, a Igreja lhes dá duas possibilidades: ou se separar do cônjuge ilegítimo, ou viver como irmão e irmã. Trata-se de um longo caminho de integração, mas não pode justificar uma situação contra a lei divina."

Essas palavras também teriam valor se tivessem sido pronunciadas quando a Familiaris consortio ainda estava em vigor. Desde que a Amoris laetitia entrou em vigor, não tem nenhum sentido identificar a Familiaris consortio como lei divina, pois isso significaria excluir toda possível evolução em relação a ela. Assim, se confirmaria a impressão de uma leitura superficial e desvinculada da tradição recente, que confundiria disciplina e doutrina, e perderia a necessária distinção entre dogma, lei divina e lei da Igreja.

Posições desse tipo procedem "apoditicamente", identificando um "dogma" e um "direito divino" com as posições da Familiaris consortio e sentenciando que toda posição diferente seria ilegítima, independentemente de quem a sustente: seja cristão, presbítero, bispo ou papa!

c) "É preciso se opor abertamente à negação da tradição que ocorreu"

Por fim, há um terceiro grupo de "resistentes", que contestam abertamente o Papa Francisco, sem meias palavras. Eles acham que o texto da Amoris laetitia tem as características que o segundo grupo simplesmente "teme". Assim, estes – dentre os quais brilham não só pastores ou supostos teólogos, mas também alguns políticos e economistas – levantam a voz e chamam às armas.

O seu alerta é alimentado, porém, pelos mesmos erros dos anteriores, agravados pela pretensão de descrever uma realidade eclesial mistificada e totalmente distorcida.

Leiamos uma das "pérolas" desses resistentes de barricada:

"Mas a moral católica sobre o matrimônio pode se fundamentar sobre uma conduta de fato, sociologicamente adotada, se esta contradiz o plano de Deus sobre o matrimônio e o Seu desígnio de salvação? Mas, além disso, como a exortação convida os ministros de Deus (bispos e sacerdotes) a administrarem sacramentos consideráveis por alguns "contra a consciência", se deixará, ao menos, para eles, o direito à objeção de consciência, assim como para os médicos em relação ao aborto? "

Eis aí resumida a descomposta e despedaçada argumentação desses homens, muitas vezes desprovidos de uma cultura simplesmente catequética à altura da situação.

E eu me pergunto: se você não conhece a teologia, ou se você se tornou presunçoso apenas por ter assumido algum cargo no Vaticano, por que se aventurar em discursos maiores do que você, dos quais não consegue compreender nem o significado das palavras mais simples?

Um diagnóstico honesto

Como é evidente, essas três posições, com as suas diferenças objetivas, estão unidas por algumas características, que vale a pena identificar, para saber como interpretá-las, como responder ao seu protesto e como organizar uma comunicação correta das intenções e dos conteúdos da Amoris laetitia.

a) As pretensões de uma teologia estática

Todas estas críticas compartilham, acima de tudo, a má consciência de uma teologia que se pensa imóvel e imutável. Essa é uma pretensão sem qualquer fundamento. Nem a teologia, nem a palavra de Deus é imóvel e imutável. Deus mesmo é contínua novidade e milagre de sempre novas surpresas. A essa teologia estática corresponde um Deus cinza, um motor imóvel distante, indiferente, chato.

Se, além disso, a pretensão de todas essas posições – da mais moderada à mais visceral – consiste na identificação da "doutrina de sempre" com o texto de João Paulo II, então é clara a contradição interna: a Familiaris consortio estabeleceu novas disciplinas para a doutrina matrimonial em relação a antes de 1981. Se a Familiaris consortio introduziu novidades, por que a Amoris laetitia não poderia ou não deveria fazer o mesmo? Por que em 1981 podia haver uma novidade, enquanto em 2016, de repente, isso não seria mais possível?

b) Um uso distorcido dos termos

Uma segunda característica, igualmente surpreendente, consiste no uso desenvolto de alguns termos "de efeito". Vozes que deveriam trazer no coração a doutrina católica falam de "dogma" e de "direito divino" de modo tão incorreto e aplicando os termos para objetos tão impróprios que realmente nos perguntamos qual é o motivo disso.

Em tudo o que a Amoris laetitia escreve, não está em jogo nenhum dogma; e se se quiser falar de direito divino, é preciso fazer isso com toda a fineza jurídica das distinções e sem usar uma identificação simplista entre "direito divino" e "evangelho". Entre um e outro, há ainda muitas mediações, que, de vez em quando, mudam a relação.

É mesquinho pretender que a definição "de direito divino" seja um obstáculo para a definição daquilo que, dentro da instituição por parte de Deus, é sempre deixado à determinação histórica, embora inspirada, da Igreja. Parece ser no mínimo surpreendente que tal generalização venha justamente de sujeitos eclesiais que teriam a tarefa de "guardá-la".

c) Dois exemplos para compreender

Para entender melhor, podemos dar dois exemplos muito compreensíveis. Mais ainda do que o mandamento "Não cometerás adultério", o anterior, o quinto, "Não matarás", poderia parecer ainda mais um "dogma" e "de direito divino". Portanto, se Deus diz para não matar, todo assassinato é pecado grave.

Tudo isso é verdade. Mas há "causas atenuantes" ou até de "não imputabilidade": por exemplo, a legítima defesa. Se esse discernimento ocorreu para o "Não matarás", por que não deveríamos reconhecer que já ocorreu e que ainda pode ocorrer algo semelhante também para o "Não cometerás adultério"? O que é instituído pela "nulidade do vínculo" senão, precisamente, um primeiro tipo de "descriminante"? E sobre que ideia no hiperurânio – ou em que revelação privada – está escrito que não pode haver uma "via caritatis" e "de discernimento" para reler o adultério, ao menos em alguns casos, como ofensa instantânea e não como ofensa permanente?

Ninguém pensa que diminui a força do "Não matarás" embora se preveja que isso possa acontecer "em estado de necessidade". Por isso não deveria valer também para o matrimônio?

Em suma, no primeiro mês de vida da Amoris laetitia, encontramos um panorama de reações bastante diferenciado. Uma grande maioria de católicos saúda com grande alegria a nova exortação. Sente "letícia" pela Amoris laetitia. Deixa-se exortar, dispõe-se a usar o discernimento e a arregaçar as mangas de bom grado.

Uma pequena parte do povo de Deus, ao contrário, parece bastante desconcertada, indisposta e desnorteada. Se os perplexos e os resistentes parecem oscilar entre uma falsa indiferença e uma sofrida subestimação, os irredutíveis usam argumentos tão mais frágeis e vazios quanto mais alto é aquilo em que eles acreditam que deveriam colocar em jogo.

E, de todas as frases latinas que estes últimos gostariam de citar, para demonstrar que têm razão, só uma me parece se adaptar perfeitamente à sua difícil condição atual: "Quos Deus vult perdere, dementat prius". Raramente tinha me aconteceu de ler tantos disparates de grande autoridade, na vã tentativa de defender não o Evangelho, mas o status quo.

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