“Que o eco de ‘Spotlight’ chegue ao Vaticano. É hora de proteger as crianças”

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Por: Jonas | 02 Março 2016

Ao retirar a estatueta da “Academy”, o produtor de ‘Spotlight’, Michael Sugar, dirigiu-se diretamente à Santa Sé: “Este filme deu voz aos sobreviventes, e o Óscar amplia esta voz. Esperemos que se converta em um coro, capaz de ressoar até o Vaticano. Papa Francisco: chegou a hora de proteger as crianças e de restaurar a fé”.

A reportagem é de Paolo Mastrolilli, publicada por Vatican Insider, 01-03-2016. A tradução é do Cepat.

Foi uma surpresa o filme dedicado aos abusos sexuais cometidos por sacerdotes em Boston e ao acobertamento do então cardeal Law, e poderia parecer um ‘complô’ de Hollywood para golpear a Igreja. Porém, o Vaticano estava pronto e há tempo havia optado pela linha de não contra-atacar, mas, ao contrário, de escutar as razões e buscar soluções.

O escândalo dos abusos sexuais explodiu antes dos casos que ‘Spotlight’ narra, e as primeiras denúncias respondidas pela Igreja, indenizando as vítimas, tornaram-se públicas nos anos 1990, no Texas. Após a emergência, adquiriu dimensões nacionais. No início, o Vaticano escolheu uma atitude defensiva diante da suspeita de que se tratasse de uma especulação política proveniente de ambientes hostis.

O próprio Martin Baron, diretor do “Boston Globe” na época da investigação sobre Law, disse no filme que o fato de ser judeu pode ter criado suspeitas. Depois, os escritórios jurídicos começaram a procurar as vítimas para empreender processos milionários em seus nomes. A Santa Sé respondeu que há tempo havia atualizado as normas sobre os abusos sexuais, que cuidava melhor da entrada nos seminários e que a porcentagem de sacerdotes pedófilos era semelhante ao dos ‘civis’ afetados pela mesma enfermidade.

Em Silver Spring, perto de Washington, existia uma estrutura para ingressá-los e curá-los. Porém, as denúncias de ‘Spotlight’ deixaram claro que não era o suficiente, razão pela qual organizações como a Survivor’s Network of Those Abused by Priests denunciaram casos como o do bispo de Kansas City, Robert Finn, que permaneceu em suas funções até mesmo após ter sido condenado penalmente, em 2012, por não ter denunciado os abusos cometidos pelo padre Shawn Ratigan, em sua diocese.

Com a eleição de Francisco, o Vaticano acelerou as respostas que já estavam em marcha. O Papa criou a Comissão Pontifícia para a Proteção de Menores, e a encomendou justamente ao novo arcebispo de Boston, o capuchinho Sean O’Malley.

No dia 15 de fevereiro deste ano, a Comissão publicou uma declaração para reafirmar o dever da Igreja de denunciar os pedófilos: “Os crimes e os pecados de abuso sexual contra crianças não devem ser mantidos em segredo. Nossa obrigação frente à lei deve ser respeitada, mas todos nós, além destes deveres civis, também temos a responsabilidade moral e ética de denunciar as suspeitas às autoridades que têm a função de proteger nossa sociedade”.

Depois, O’Malley acrescentou que a Comissão e as diferentes Conferências Episcopais têm a obrigação de instruir os bispos sobre esses deveres. Em setembro de 2014, o Vaticano abriu uma investigação sobre Finn, a mesma que levou a sua renúncia, em abril do ano passado.

Em relação ao ‘Spotlight’, foi justamente a Rádio Vaticana, dirigida pelo porta-voz do Papa, padre Federico Lombardi, que elogiou o filme em uma resenha do enviado Luca Pellegrini (quando foi apresentado no Festival de Veneza): “Graças à unidade Spotlight, no dia 6 de janeiro de 2002, solenidade da Epifania, saiu um número histórico do ‘Boston Globe’ que, em primeiro plano, desencobria o horror em parte conhecido e muito tempo silenciado: o da pedofilia espalhada entre os sacerdotes católicos da diocese estadunidense”.

O caminho ainda é árduo e doloroso, mas “a Igreja, levantando-se desses escombros, teve o valor para se mostrar em sua pobreza, para almejar a transparência, denunciar os pecadores, pedir perdão e afastar os que haviam permitido o pecado, apesar de estarem ciente”.

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