Sinais geológicos indicam que estamos vivendo na Era do Homem, diz estudo

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08 Janeiro 2016

Cientistas do futuro distante que estudarem as rochas ou camadas de gelo formadas hoje vão ser capazes de detectar uma transformação radical no funcionamento do planeta ao longo dos séculos 20 e 21 – uma mudança tão importante que corresponderá ao início de uma nova época geológica, o Antropoceno, ou Era do Homem.

A reportagem é de Reinaldo José Lopes, publicada por Folha de S. Paulo, 07-01-2016.

Essa conclusão aparentemente maluca aparece num estudo monumental que acaba de ser publicado no periódico especializado "Science" por uma equipe internacional de pesquisadores.

Eles defendem que o advento do Antropoceno está deixando uma "assinatura" claríssima no registro geológico da Terra, com magnitude igual ou superior à deixada pelo fim do Pleistoceno, ou Era do Gelo, há 11,7 mil anos.
Seria uma transformação tão grande quanto a ocasionada pela queda do meteorito que aniquilou os dinossauros há 65 milhões de anos? Colin Waters, pesquisador do Serviço Geológico Britânico que coordenou o novo estudo, declarou à Folha que ainda não dá para ir tão longe.

"Poucas barreiras geológicas são tão claras quanto a da extinção dos dinossauros", pondera Waters. "Mas o que torna a transição do Antropoceno tão espetacular é a taxa de mudanças na escala de décadas, e não de séculos ou milênios. A comparação mais direta é mesmo com o Pleistoceno, porque estamos usando análises de bolhas de gás presas em camadas de gelo glacial [como as da Antártida e da Groenlândia], que não existiam antes do Pleistoceno."

Por outro lado, diz ele, o Antropoceno também é marcado pelo aparecimento súbito e abundante de materiais que simplesmente não existiam na Terra antes, como concreto e alumínio em forma metálica pura. Geólogos que viverem daqui a 1 milhão de anos provavelmente serão capazes de enxergar essa "assinatura" com tanta precisão quanto os de hoje veem a camada de irídio – um metal que é raro na Terra, mas bem mais abundante em meteoritos –associada ao corpo celeste que dizimou os dinossauros.

Outros indícios de que o Antropoceno começou, segundo o estudo, são o plástico e gás carbônico, que teve aumento de 2 ppm (partes por milhão) por ano ao longo dos últimos 50 anos (no fim do Pleistoceno, esse aumento foi de apenas de 1 ppm a cada 85 anos).

SÓ PALAVRAS?

O termo Antropoceno (derivado das palavras gregas para "ser humano" e "recente") tem sido usado informalmente desde os anos 1980 por alguns cientistas.

Oficialmente, porém, ainda vivemos no Holoceno, que começou no fim da Era do Gelo. Em 2008, veio a proposta de incluir o Antropoceno na lista oficial de épocas geológicas. O trabalho de Waters e companhia na "Science" é parte do esforço para tentar definir o início dessa época com precisão, de maneira a convencer as sociedades de geólogos do mundo a ratificar a ideia.

"Um dos obstáculos é que muitos especialistas acham difícil apontar um momento específico ou uma assinatura especifica marcando o início do Antropoceno", explica o geólogo britânico.

De fato, há quem defenda que a época deveria começar há uns 10 mil anos, com o advento da agricultura. Outros sugerem o ano de 1492, com a chegada dos europeus às Américas e a enorme transformação dos ambientes nativos gerada por esse contato (bois, cavalos e cana-de-açúcar passam a ser espécies dominantes no Brasil, por exemplo). E há ainda os que argumentam que o início da Revolução Industrial (meados do século 18) seria o grande marco.

Waters e seus colegas, porém, preferem uma data em torno de 1950. Segundo eles, esse é o momento do grande salto tecnológico, industrial e agrícola responsável por alterar significativamente a química do solo, da atmosfera e dos oceanos no mundo todo, com grandes testes nucleares, vasta produção de fertilizantes e queima de combustíveis fósseis, entre outras coisas.

Então, o que falta para a definição proposta por eles triunfar? Waters explica que o ideal seria seguir o exemplo da transição entre a Era do Gelo e o Holoceno, identificada por mudanças no ar aprisionado em cilindros de gelo obtidos na Groenlândia (as alterações envolvem, por exemplo, proporções de variantes de oxigênio na atmosfera que indicam a chegada de um clima global mais quente e úmido).

Uma coisa parecida no Antropoceno poderia ser a presença de minúsculas esferas de cinzas produzidas pela queima de combustíveis fósseis em altas temperaturas, que começam a ser emitidas com frequência elevada em meados do século 20.

Para chegar a uma conclusão sólida a esse respeito, porém, é preciso obter mais amostras de gelo glacial, um processo caro e delicado. "Ainda não temos financiamento para isso", diz Waters.

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