Quando os papas visitam os presos

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20 Dezembro 2011

Duas são as imagens-símbolo dos papas nas prisões: João XXIII que conta aos detentos do Regina Coeli sobre um parente seu que uma vez acabou lá "dentro", e João Paulo II que visita – na prisão de Rebibbia – a Ali Agca, o terrorista turco que quase o havia matado com os três tiros disparados no dia 13 de maio de 1981.

A reportagem é de Luigi Accattoli, publicada no jornal Corriere della Sera, 19-12-2011. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Roncalli era papa há apenas um mês quando, no dia 26 de dezembro de 1958, foi "visitar os encarcerados". E perguntou: "Vocês estão felizes por eu ter vindo lhes encontrar?". E contou a história do parente preso por ser caçador: "Vindo aqui para São Pedro, lembrei-me que, quando eu era jovem, um dos meus bons parentes, indo caçar um dia sem licença, foi preso pelos policiais e colocado aqui dentro. Oh, que sensação! Mas são coisas que podem acontecer, às vezes, até mesmo quando as intenções não são más. E se nos equivocamos, cumprimos a pena. E devemos oferecer ao Senhor os nossos sacrifícios. Que coisa grande, irmãos, o cristianismo!".

A capacidade roncalliana de falar simples fez dessa visita uma obra-prima: em obediência ao mandamento evangélico "Estive preso e me visitastes", essa "boa ação" havia sido praticada diversamente ao longo dos séculos pelos bispos de Roma, mas havia sido interrompida depois de Pio IX, com os papas "prisioneiros", isto é, que não saíam do Vaticano por causa do conflito com o Estado italiano depois da Brecha da Porta Pia (1870).

Pio IX foi em mais de uma ocasião aos cárceres romanos e, no dia 26 de outubro de 1868, fez uma visita à Penitenciária de Civitavecchia. Desde então, passaram-se 90 anos até que um papa voltasse a se dirigir com frequência para Roma. No seu primeiro Natal como papa, Roncalli foi se encontrar com as crianças internadas no Hospital Bambin Gesù e, no dia de São Estevão, foi à prisão de Rebibbia.

O papa polonês encontrou-se com Ali Agca no dia 27 de dezembro de 1983, em uma cela de segurança máxima da ala G7 de Rebibbia. Essa visita foi completada com o gesto da palavra de perdão já pronunciada por João Paulo II. Mehmet Ali Agca, 26 anos, cabelos pretos, blusão azul, barba mal feita, se encontra com o papa. Inclina-se e quase se ajoelha, beija a mão direita que Wojtyla lhe estende. Depois, apoia a sua cabeça na mão do pontífice. À direita da cela, está o leito de Ali. À esquerda, no canto oposto à porta de entrada, há duas cadeiras, uma com as costas voltadas contra a calefação. Nessa cadeira, Ali se senta, na outra, Wojtyla. O papa se aproxima dele. As câmeras se retiram. Ele voltará depois de 21 minutos, para retomar a saudação. "O que nos dissemos é um segredo entre mim e ele", dissera o papa mais tarde aos jornalistas: "Eu falei com ele como se fala com um irmão que eu perdoei e que goza da minha confiança".

Parece o destino que os papas devem ir às prisões na época de Natal: o Papa Roncalli foi em um 26 de dezembro; o Papa Wojtyla, em um 27 de dezembro; e o Papa Ratzinger, neste domingo, 18 de dezembro. Mas são coincidências. Bento XVI já havia estado na prisão juvenil de Casal del Marmo no dia 18 de março, 2007. Paulo VI foi ao Regina Coeli no dia 9 de abril de 1964.

A mais solene dessas visitas, para o Jubileu dos Encarcerados, com a celebração de uma missa papal "servida" por dois detentos, foi feita por João Paulo II ao Regina Coeli no dia 8 de julho de 2000. Nesse dia, Wojtyla pediu por três vezes às autoridades estatais de todo o mundo "um gesto de clemência para com os encarcerados".

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