O preso e o Papa. Um diálogo

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19 Dezembro 2011

Da Rádio do Vaticano, publicamos este trecho do diálogo entre um detento italiano e o papa.

A reportagem é de Marco Tosatti, publicada no sítio Vatican Insider, 18-12-2011. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Eis o diálogo.

"Santidade, sou Federico, falo em nome das pessoas detidas do G14, que é o departamento de enfermagem. O que os homens detidos, doentes e soropositivos podem pedir ao papa? Ao nosso papa – já sobrecarregado pelo peso de todos os sofrimentos do mundo – eles podem pedir que reze por eles? Que os perdoe? Que os tenha presente no seu grande coração?

"Sim, nós queremos pedir isso, mas, acima de tudo, que leve a nossa voz para onde ela não é ouvida. Estamos ausentes das nossas famílias, mas não da vida. Caímos e, nas nossas quedas, fizemos mal a outros, mas estamos nos levantando. Muito pouco se fala de nós, muitas vezes de modo tão feroz como se quisessem nos eliminar da sociedade. Isso nos faz sentir sub-humanos.

"O senhor é o papa de todos, e nós lhe pedimos que faça com que a nossa dignidade não seja rasgada, junto com a liberdade. Para que não seja mais dado por óbvio que recluso quer dizer excluído para sempre. A sua presença é, para nós, uma honra muito grande! Os nossos mais caros votos de Santo Natal para todos".

A resposta do papa:

"Sim, você me disse palavras verdadeiramente memoráveis. Caímos, mas estamos aqui para nos levantarmos. Isso é importante, essa coragem de se levantar, de seguir em frente com a ajuda do Senhor e com a ajuda de todos os amigos.

"Você também disse que se fala de modo feroz de vocês. Infelizmente é verdade, mas gostaria de dizer não só isso: há também outros que falam bem de vocês e pensam em vocês. Eu penso na minha pequena família papal. Estou cercado por quatro irmãs leigas e falamos frequentemente desse problema. Elas têm amigos em diversas prisões. Também recebemos dons deles e damos, de nossa parte, o nosso dom. Por isso, essa realidade está, de modo muito positivo, presente na minha família, e eu penso que em tantas outras.

"Devemos suportar que alguns falem de modo feroz. Falam de modo feroz até contra o papa, e mesmo assim seguimos em frente. Parece-me importante encorajar a todos para que pensem bem, que tenham o sentido dos seus sofrimentos, tenham o sentido de ajudar no processo de levantar de novo. E digamos que eu farei o que é possível para convidar a todos a pensar desse modo justo, não de modo depreciativo, mas de modo humano, pensando que todos podem cair, mas Deus quer que todos cheguem a ele.

"E nós devemos cooperar com o Espírito de fraternidade e de reconhecimento também da própria fragilidade, para que possam realmente se levantar e seguir em frente com dignidade e sempre encontrar a sua própria dignidade respeitada, para que cresça, e possam, assim, também encontrar alegria na vida, porque a vida nos é dada pelo Senhor e com uma ideia própria.

"E se reconhecermos essa ideia de Deus que está conosco, até as passagens obscuras têm o seu sentido para nos nos dar mais o reconhecimento de nós mesmos, para ajudar a nos tornarmos mais nós mesmos, mais filhos de Deus, e assim sermos realmente felizes por sermos homens, por sermos criados por Deus mesmo em diversas condições difíceis. O Senhor lhes ajudará, e nós estamos perto de vocês".

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