Presbítera católica reflete sobre seu 10º aniversário de ordenação

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10 Dezembro 2011

Para aqueles que acreditam que uma mudança na Igreja Católica Romana só pode vir de dentro da instituição, Mary Ramerman (foto) gostaria de convidar a ver o trabalho e o testemunho da comunidade Spiritus Christi. Ramerman acredita que a paróquia oferece um paradigma de como uma paróquia católica pode ser inclusiva e renovada.

O relato é de Jamie L. Manson, mestre em teologia pela Yale Divinity School, nos EUA, onde estudou teologia católica e ética sexual. Suas colunas publicadas no National Catholic Reporter - NCR lhe valeram o prêmio de primeiro lugar da Catholic Press Association por Melhor Comentário/Coluna Regular, em 2010. O texto foi publicado no sítio NCR, 07-12-2011. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

"Depois da minha ordenação, algumas pessoas acharam que eu deveria ser uma porta-voz", relembra Ramerman, "e sair por aí falando sobre o movimento de reforma da Igreja. Mas o mais apropriado para mim era ter uma paróquia maravilhosa que as pessoas pudessem ver como um modelo".

Enquanto Ramerman trabalhou como presbítera em sua comunidade durante os últimos 10 anos, um número crescente de movimentos para ordenar mulheres e construir comunidades católicas independentes ganharam impulso.

Alguns católicos têm buscado a ordenação através de bispos da tradição Vetero-Católica, enquanto outros estão sob o cuidado dos bispos da Comunhão Católica Ecumênica. Um grande segmento dos recém-ordenados entraram formalmente no ministério através da crescente organização Roman Catholic Womenpriests.

Ramerman experimenta uma profunda solidariedade com todas essas formas emergentes de sacerdócio e de Igreja.

"Esse ainda é um novo movimento, então vai haver muitas formas diferentes que as pessoas encontram para serem ordenadas. Eu vejo todos nós juntos nisso, apenas encontrando formas diferentes para conseguir passar por um sistema quebrado".

Ao contrário de algumas pessoas do movimento Roman Catholic Womenpriests, porém, ela não se sente mais ligada ao sistema católico romano e não compartilha o objetivo de se reintegrar na Igreja institucional.

Embora Ramerman apoie e respeite movimentos de reforma da Igreja Católica Romana, ela teme que alguns católicos possam ficar imobilizados devido à sua raiva e decepção com a Igreja institucional.

"As pessoas estão frustradas porque a liturgia é chata. Isso não vai mudar da noite para o dia, então por que não criar a sua própria liturgia? Ou, se você quiser continuar participando da mesma liturgia, então faça algo significativo em acréscimo a isso".

Ramerman acredita que outras pessoas podem aprender tanto com os erros da Spiritus, quanto com os sucessos da comunidade. "Fazemos muitas experiências aqui. Mas, pelo menos, estamos fazendo algo diferente, em vez de continuar fazendo a mesma coisa com a qual ninguém está feliz".O fato de trabalhar em um ambiente paroquial e de se encontrar com pessoas em necessidade todos os dias lhe mostrou que há um trabalho crucial a ser feito para além do movimento de reforma.

"É importante estar centrado interiormente e se focar no que é essencial para a nossa espiritualidade", afirmou. "Também é importante estar centrado exteriormente e se preocupar com os sem-teto, com a guerra e com meio ambiente".

Missão no exterior

Com relação à sua própria participação em trabalhos centrados exteriormente, Ramerman se sente particularmente ligada ao ministério da Spiritus no Haiti, que começou em 1996 com a construção de uma clínica de saúde em Borgne. Onze anos depois, em 2007, eles conseguiram construir um hospital na cidade.

Naquele momento, ninguém sabia como esse espaço seria crucial logo depois do catastrófico terremoto no Haiti em 2010.

Como Borgne se encontra na costa norte, a cidade não foi diretamente afetada pelo desastre. "Mas as pessoas estavam fugindo de Porto Príncipe e se dirigindo para o nosso hospital", contou Ramerman. "Homens e mulheres com ferimentos graves viajaram na carroceria de caminhonetes por sete horas para chegar até lá. É claro que quase todos os suprimentos estavam indo para Porto Príncipe. Então, decidimos que os nossos recursos seriam melhor usados dando suporte à costa norte".

Quando o hospital fez uma estimativa de suas necessidades, Ramerman levou a lista à missa dominical. "Eu disse à paróquia: 'Eu sei que vocês vão rir quando ouvirem isto, mas talvez alguém de vocês tenha uma destas coisas'". Eles precisavam de uma máquina de raio-X portátil, leitos, caminhões, motoristas, pilotos com pequenos aviões, assim como um espaço de armazenamento para selecionar, armazenar e embalar as doações.

"Nós conseguimos tudo o que havíamos pedido. Foi incrível".

Centenas de pessoas voluntariaram seu tempo desde o terremoto, e um fluxo constante de paroquianos da Spiritus continua visitando o Haiti. Médicos profissionais trabalham no enorme abrigo ao ar livre montado por trabalhadores da construção civil. O ano passado foi gasto para combater a epidemia de cólera.

Os desafios do futuro

Enquanto a paróquia e os ministérios de evangelização da Spiritus prosperam, a sua ex-paróquia, Corpus Christi, foi vítima de uma escassez de padres e do crescente movimento de fechamento das igrejas do centro da cidade. A igreja, que passou por diversas mudanças de nome, agora está agrupada a três outras paróquias. No fim, três das quatro paróquias serão fechadas permanentemente.

A alguns quilômetros de distância, o conselho de visão da Spiritus Christi, uma comissão de paroquianos encarregados de traçar o futuro da paróquia, começaram a considerar o fato de convidar um novo ministro que possa, eventualmente, pastorear a comunidade. No típico estilo da Spiritus, eles estão abertos a novas possibilidades.

"O candidato pode já ser ordenado, não ordenado ou mesmo alguém ordenado por uma outra tradição", disse Ramerman. "A pessoa também já pode estar na nossa comunidade e nós ainda não a reconhecemos".

Enquanto a comunidade contempla a sua futura liderança, Ramerman, por ocasião de seu aniversário, se contenta em refletir sobre o que Deus lhe ensinou ao longo da última década. Ela decantou tudo em nove lições, que ela compartilhou com a comunidade durante a sua missa de aniversário. Algumas lições eram profundamente pessoais.

"Primeiro, eu não sou perfeita. Eu falho. Eu caio. E eu me levanto de novo".

Ela continua: "O medo se cria em minha própria mente e pode ser descartado pela minha própria mente. Não há nada para se preocupar. Tudo está bem".

Outras lições referem-se à conexão humana. "Eu aprendi que os relacionamentos são complicados. E que um sorriso significa mais do que uma palavra".

Ela também adquiriu uma nova sabedoria ministerial: "As crianças são os melhores diretores espirituais. Quando eu olhar através do corpo e vejo o espírito de uma pessoa, eu sempre vejo Deus. Existe cura para tudo".

Sua realização final também descreve acertadamente o desafio que a Spiritus Christi apresenta para muitos de nós. "Nós já temos o poder para mudar o mundo. Nós só não sabemos disso ainda".

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