Igreja e mídia: uma longa história de incompreensões

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13 Novembro 2011

São Paulo já havia intuído que não era fácil comunicar e fazer chegar a mensagem cristã na sua inteireza sem distorcê-la ou simplificá-la demais. O epistolário paulino, em vários pontos, dá conta das incompreensões (e das polêmicas) que, já naquela época, marcavam as relações do Apóstolo dos Gentios com os gálatas, com os tessalonicenses, com os coríntios.

A reportagem é de Franca Giansoldati, publicada no jornal Il Messaggero, 11-11-2011. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Até o maior comunicador que a Igreja já teve (depois de Jesus Cristo) se interrogou sobre por que as suas palavras, em determinados contextos, eram deformadas ou mesmo distorcidas.

"Paulo usou o verbo "adulterar" para destacar os problemas que ocorriam já naquela época", observou com perspicácia o cardeal Gianfranco Ravasi, concluindo o congresso Incompreensões, Igreja Católica e Mídia, organizado pelo diretor do L"Osservatore Romano, Giovanni Maria Vian, por ocasião do 150 º aniversário do jornal da Santa Sé.

Desde os tempos de Paulo até hoje, muita água passou por baixo da ponte, mas pouco parece ter mudado em substância, mesmo que (paradoxalmente) abundem os instrumentos disponíveis para comunicar. No fim das contas, rádio, Internet, Twitter, televisão, satélites, redes sociais, YouTube, julgando-se pelos efeitos finais, não parecem incidir muito. De quem é a culpa desses altos e baixos? A relação entre Igreja e meios de comunicação de massa continua variando, e o desfavr midiático não poupou sequer Paulo VI e João Paulo II, o grande comunicador, embora sob o atual pontificado os problemas se manifestaram com maior evidência do que passado.

Alguns episódios marcaram o caminho. Como quando Bento XVI, no início de seu mandato, fez um discurso acadêmico em Regensburg que, por uma citação inoportuna, incendiou o mundo islâmico, atraindo críticas de todos os lados. Ele mesmo, no livro-entrevista Luz do mundo, explicou ao jornalista Peter Seewald que não tinha se dado conta "de que o discurso de um papa não é considerado a partir do ponto de vista acadêmico, mas sim político".

Ou como quando uma frase sua sobre o uso do preservativo, pronunciada enquanto ele estava no voo para a África, causou a dura reação de diversos  governos contra a posição da Igreja sobre a luta contra o HIV. Ou ainda quando decidiu revogar a excomunhão do bispo lefebvriano negacionista Williamson ("Dever-se-ia ter separado o caso Williamson dos outros, mas infelizmente nenhum de nós olhou na Internet e tomou consciência de quem se tratava").

Fica a pergunta: de quem devem ser debitadas as incompreensões relacionadas à comunicação? A responsabilidade é só da mídia? Para refletir sobre essas questões, foram convidados dois historiadores (Lucetta Scaraffia e Andrea Riccardi), um cardeal, Ravasi, e alguns correspondentes de longa data.

Para John Allen, do National Catholic Reporter, uma das vozes católicas norte-americanas mais proeminentes, foi com o Papa Ratzinger que se desencadeou a "tempestade perfeita" – devido, de um lado, às pressão midiáticas; de outro, aos atrasos da Igreja em fornecer respostas. No fim, quem saiu perdendo foi a imagem do papa. No banco dos réus, porém, não estão os meios de comunicação, acima de tudo. O cardeal Ravasi identificou cinco vícios (simplificação excessiva, banalização, busca do "picante", aproximação, visão relacionada a um preconceito), "que, no entanto – acrescentou –, também podem ser tornar virtudes" para a Igreja, que deveria aprender a ser mais essencial na comunicação, fazendo com que a consistência de um argumento se torne evidente.

Enfim, mais do que ver complôs, talvez os "homens da Igreja" também deveriam ser mais "compreensivos com relação ao trabalho" dos jornalistas: "Se é verdade que Deus nos deu olhos para ver" o que não vai bem, "ele também nos deu as pálpebras para fechar um olho".


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