Renda sobe e 2,2 milhões de lares saem do Bolsa Família

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17 Outubro 2011

Desde a criação do Bolsa Família, no fim de 2003, até setembro deste ano, 5,856 milhões de famílias deixaram de receber os benefícios do programa. Os motivos para a saída são diversos, mas cerca de 40% dos ex-beneficiários, ou 2,227 milhões de lares, fazem parte de núcleos familiares que aumentaram sua renda per capita e não se enquadram mais na atual faixa de pagamento do benefício - renda mensal em grupos de até R$ 70 por pessoa ou rendimento individual mensal de R$ 70 a R$ 140.

A reportagem é de Luciano Máximo e publicada pelo jornal Valor, 17-10-2011.

Esse universo é composto principalmente por pessoas que foram beneficiadas pela atual política de valorização do salário mínimo. Elas conseguiram emprego formal, montaram negócios próprios ou foram alcançadas pela aposentadoria rural ou Benefício de Prestação Continuada da Assistência Social, que paga um salário mínimo para ex-trabalhadores rurais, idosos e deficientes.

Boa parte dos casos, porém, retrata o esforço bem-sucedido de melhoria da renda. Roseana Cipriano de Lima, de 42 anos, recebia cerca de R$ 100 mensais do programa desde 2003. Moradora de Juazeirinho (PB), a 250 quilômetros de João Pessoa, ela usava o benefício para complementar a aposentadoria da mãe, cega. Nos últimos meses, começou a poupar R$ 20 por mês graças à tarifa social de água e energia elétrica, fez um empréstimo de R$ 500 com o irmão e abriu um mercadinho. "Estamos indo bem, já devolvi o dinheiro do meu irmão, o cartão do Bolsa Família e dá para tirar uns R$ 600 livres por mês. À vista do que era antes, estamos ricas", brinca.

Outras razões justificam o cancelamento dos benefícios no período, como o não cumprimento de condicionalidades na área de educação e saúde (117 mil famílias), revisão cadastral não concluída (613,1 mil famílias) e até decisões judiciais.

O número de famílias assistidas, porém, não mudou e oscila há três anos entre 12,3 milhões e 12,8 milhões, diz Lena Lavinas, do Instituto de Economia da Universidade Federal do Rio de Janeiro. "O país tem mais de 16 milhões abaixo da linha de indigência [renda per capita mensal de R$ 1 a R$ 70], o que revela que a cobertura do Bolsa Família está aquém da demanda", conclui.

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