Por que os jovens cristãos abandonam as Igrejas

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14 Outubro 2011

Três de cada cinco jovens cristãos, mais ou menos, se afastam da fé e abandonam suas igrejas de origem. Isso, geralmente, acontece por volta dos 15 anos. É um fenômeno comum, que tem diversos graus, com todas as confissões religiosas cristãs do ocidente, na Europa e nos Estados Unidos. E a grande pergunta é: por que isso acontece, e por que com esta frequência?

A reportagem é de Marco Tosatti e está publicada no sítio Vatican Insider, 10-10-2011. A tradução é do Cepat.

Um novo estudo, cujo resultado foi tornado público há alguns dias pelo Barna Group, indica seis razões diferentes para este êxodo juvenil. Os pesquisadores do Barna Group apresentaram seus questionários a uma variedade de pessoas: jovens, adultos, adolescentes, jovens pastores evangélicos e seus colegas mais idosos. A pesquisa teve uma extensão de período de tempo muito longa: cinco anos.

O primeiro problema: as igrejas dão a sensação de serem “excessivamente protetoras”. Quase um quarto dos jovens, na faixa de idade dos 18 aos 29 anos, responderam que “os cristãos demonizam tudo o que não tem a ver com a Igreja”, na maior parte dos casos. 22% declararam que as Igrejas ignoram os problemas do mundo real, 18% afirmaram que sua Igreja parecia muito preocupada com o impacto negativo dos filmes, da música e dos videogames.

Aprofundando mais, descobriu-se que muitos jovens adultos sentem que sua experiência do cristianismo é superficial, pouco intensa. Um terceiro grupo juvenil entrevistado afirmou que “a Igreja é chata”. 20% dos que participaram da pesquisa como adolescentes, afirmaram que Deus parece estar ausente de sua experiência de igreja.

O estudo evidenciou que muitos jovens adultos não apreciam o modo como sua Igreja parece se opor à ciência. Além disso, um terço dos protagonistas do estudo, jovens adultos, declarou que “os cristãos parecem confiar no fato de que conhecem todas as respostas”, ao passo que um quarto deles afirmou, de maneira muito simples, que “o cristianismo é contra a ciência”.

Alguns fazem uma crítica à sua correspondente Igreja: as confissões às quais pertenciam ou às quais ainda pertencem são muito “simples” ou julgam de um modo muito fácil quando se toca a questão da sexualidade. 17% dos jovens cristãos afirmam “que cometeram erros, e que se sentem julgados pela Igreja por causa deles”. Dois de cada cinco jovens adultos cristãos afirmam que os ensinamentos da Igreja sobre o controle da natalidade e sobre o sexo “são antiquados”.

A quinta razão que o estudo aponta para explicar o êxodo das Igrejas cristãs é que muitos jovens adultos lutam contra o problema da exclusividade do cristianismo. 29% dos jovens cristãos declararam que “as Igrejas têm medo do que as outras fés acreditam”, e sentem o dever de escolher entre seus amigos e sua fé.

A sexta e última razão assinalada pelo estudo sobre as razões pelos quais os jovens se afastam das Igrejas reside no fato emocional. Ou seja, sentem que a Igreja “é pouco amistosa em relação às pessoas que têm dúvidas”. Mais de um terço dos jovens adultos declararam que é impossível, na Igreja, fazer perguntas sobre as questões mais urgentes da vida e 23% admitiram que “tem dúvidas intelectuais significativas” sobre a sua fé.

Do estudo nasceu um livro, cujo autor é David Kinnaman, presidente do Barna Group, com um título bastante indicativo: “You Lost Me: Why Young Christians Are Leaving Church... and Rethinking Faith” (Me perdeste: por que os jovens cristãos abandonam e mudam de ideia sobre a Igreja). E Kinnamam indica que um dos problemas pode residir no fato de que as Igrejas estão estruturadas e dirigidas a jovens adultos “tradicionais”.

“Mas a maior parte dos jovens adultos já não seguem o caminho tradicional de sair de casa, procurar um emprego, casar-se e ter filhos, tudo isso antes dos 30 anos. Estes acontecimentos foram retardados, deslocados para outra fase e inclusive às vezes eliminados do radar dos jovens adultos”.

O estudo do Barna Group é confirmado por outros dados. Um estudo realizado pela Life Way Reaserch mostra que dois terços dos jovens adultos que participam com regularidade de uma Igreja protestante (isto é, algumas vezes por mês durante pelo menos um ano seguido), deixaram de fazê-lo entre os 18 e 22 anos. Muitos retornam, e participam novamente, inclusive de maneira esporádica; mas 34% declararam que não retornaram antes de cumprir 30 anos. “Circulam muitos números alarmantes sobre o abandono da Igreja. E agora quisemos fazer um estudo que nos desse uma imagem clara da situação, e seguramente há más notícias, mas também soluções importantes que podem ser encontradas. Se sabemos o motivo pelo qual as pessoas se afastam, podemos mover-nos melhor para entrar em contato com estas pessoas”, disse Ed Stetzer, diretor da Life Way Reaserch, organismo da Southern Baptist Convention.

A maior parte dos abandonos está relacionada a mudanças na vida; o que podem também fazer supor uma certa superficialidade na aproximação da fé. Por exemplo, a entrada na universidade, e consequentemente o afastamento físico da igreja à qual se pertence foi o motivo pelo qual um quarto dos jovens se afastou.

“Quando as mudanças misturam as prioridades e o tempo na vida dos jovens adultos, é o momento de se comprometer na vida da Igreja, muitos não se sentem bem-vindos nem comprometidos”, afirma Stetzer. Mais de 52%, no entanto, afirmaram que “as crenças éticas, políticas ou religiosas” contribuíram para o abandono. 18% declararam que não estão de acordo com a “posição da Igreja em temas políticos e sociais; 16% não queriam identificar-se com uma igreja ou com uma religião organizada; e 14% haviam observado que os membros da igreja “estavam inclinados a fazer juízos ou eram hipócritas”; enquanto 20% não se sentiam “em sintonia com os membros da minha Igreja”.

Muitos abandonam, mas nem sempre de maneira definitiva; o abandono é temporal, ou parcial. 34% dos que decidiram voltar, afirmam “Simplesmente queria voltar”; 28%: “Ouvi o apelo de Deus que me dizia que voltasse à Igreja”.

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