Como a morte do núncio Pietro Sambi ajuda a entender a Igreja dos EUA

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01 Agosto 2011

O arcebispo Pietro Sambi (foto), núncio papal nos Estados Unidos desde dezembro de 2005, morreu no Hospital Johns Hopkins, em Baltimore, depois de complicações de uma cirurgia no pulmão. Sambi tinha 73 anos.

A reportagem é de John L. Allen Jr., publicada no sítio National Catholic Reporter, 29-07-2011. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Diplomata vaticano pela vida inteira, Sambi começou seu serviço em 1969, sendo designado para o Camarões. Ao longo de sua carreira, Sambi atuou em Cuba, Argélia, Nicarágua, Bélgica, Índia, Burundi e Indonésia. Em 1998, Sambi tornou-se núncio na Terra Santa e, em 2005, assumiu o seu posto nos Estados Unidos.

Eu conhecia Sambi razoavelmente bem, tendo me encontrado com ele pela primeira vez no final da década de 1990, durante sua temporada na Terra Santa. Eu o veria em Roma de tempos em tempos e também falaria com ele ao telefone periodicamente enquanto se deflagravam questões no Oriente Médio. Eu cheguei a considerá-lo como um observador inteligente e equilibrado da política da região, combinando uma tremenda disciplina diplomática ao falar ao microfone com uma notável candura nos bastidores.

Um testemunho da eficácia de Sambi: em diferentes pontos, tanto o embaixador de Israel junto à Santa Sé quanto um proeminente clérigo palestino, muito comprometido com a causa palestina, me puxaram de lado para expressar sua preocupação de que Sambi não era totalmente simpático às suas posições. No entanto, quando seu mandato na Terra Santa acabou em 2005, ambos me disseram que estavam muito tristes por vê-lo ir embora.

Atuação nos Estados Unidos

Quando Sambi foi enviado aos Estados Unidos, eu pensei, portanto, que esse era um bom presságio para a Igreja norte-americana. De um lado, o inglês de Sambi era fantástico, o que significava que ele não teria que confiar em intermediários que interpretassem os EUA para ele; ele poderia sair e experimentá-lo por si mesmo. De outro lado, sua curiosidade e sociabilidade naturais criaram um amplo círculo de contatos, de forma que ele não ouvia apenas um dos lados da rua ou um único conjunto de vozes.

Sambi realmente gostou dos Estados Unidos. Como o arcebispo Timothy Dolan, presidente da Conferência Episcopal dos EUA, disse em uma declaração no dia 28 de julho, Sambi "entendeu e amou a nossa nação".

(Sua afeição, no entanto, não era acrítica. Entre outras coisas, ele me disse há algumas semanas que ele estava chegando à beira do desespero sobre a cultura da imprensa dos Estados Unidos, que ele via como cada vez mais interessada em aplacar os preconceitos, em vez de apresentar um retrato equilibrado. Ele disse, meio brincando: "A mídia aqui está se tornando muito parecida com a Itália").

A personalidade de Sambi também abria portas. Alguns anos atrás, eu e ele dividimos o palco em uma assembleia de líderes de ordens religiosas masculinas dos Estados Unidos. Sambi, é claro, fez um discurso, mas não é isso o que realmente a maioria dos religiosos se lembram. Ao contrário, eles ficaram impressionados com o fato de que, assim como eles, ele trocou as suas vestes clericais por uma larga camiseta de manga curta para as sessões de trabalho, e que, ao invés de fugir imediatamente depois da sua palestra, ele ficou por lá, compartilhando as refeições e as conversas – ambas as coisas que eles não esperavam de um grande potentado do Vaticano.

Sambi também tinha um grande senso de humor. Durante sua palestra nesse encontro, ele se referiu brincando ao seu "inglês de Oxford". Mais tarde, quando eu brinquei que, à luz do seu sotaque italiano, o seu inglês estava muito mais para Guido Sarducci do que para John Henry Newman, ninguém riu muito alto.

Talvez o seu maior triunfo veio com o Papa Bento XVI na visita aos Estados Unidos em abril de 2008. Sambi foi fundamental na organização do encontro do papa com cinco vítimas de abuso sexual na capela da nunciatura, a residência do embaixador, em Washington. Foi o primeiro desses encontros e definiu o modelo para todos os encontros posteriores.

Nomeação de bispos

Uma pedra angular do trabalho de um núncio, é claro, é moldar a nomeação dos bispos de um país. É bem sabido que Sambi nem sempre conseguia o que queria, mas a sua influência, no entanto, era considerável. Nos últimos seis anos, o perfil de um típico "bispo Sambi" era alguém inquestionavelmente ortodoxo, mas não um guerreiro ou um ideólogo cultural (Sambi às vezes ficava desanimado pelo foco aparentemente monolítico de alguns líderes católicos norte-americanos sobre as "questões da vida". Uma vez, ele me disse: "Você tem que ser pró-vida para ser católico, mas ser católico não é suficiente para ser pró-vida").

Tendo sido sempre uma a criatura da Accademia, a escola de elite do Vaticano para diplomatas, Sambi era o tipo de pessoa que nunca gostava de revelar suas intenções. Uma de minhas últimas conversas com ele ocorreu na primavera deste ano, falando sobre a nomeação do novo arcebispo da Filadélfia. Em um estilo típico, quando lhe perguntei longe dos microfones o que ele estava ouvindo a respeito de quem poderia ir para a Filadélfia, ele olhou ao redor e perguntou: "Diga-me, o que você está ouvindo?".

Sambi, é claro, tinha seus críticos. Como a maioria dos diplomatas, ele era adepto das mudanças junto com o vento, e a sua propensão a responder perguntas com outras perguntas poderia deixar as pessoas confusas sobre o que ele estava tentando dizer (o que, em alguns casos, provavelmente era intencional). Às vezes, também era difícil descobrir exatamente onde Sambi se posicionava junto com a sede principal de Roma, e se o que ele estava lhe dizendo realmente refletia o pensamento da Secretaria de Estado ou do apartamento papal.

Antes de sua doença, havia rumores de que o mandato de Sambi nos Estados Unidos estava chegando ao fim e que ele retornaria a Roma para assumir uma posição semi-honorária no Vaticano, em que ele pudesse se tornar cardeal. Como se vê, não era para ser assim. Aqueles que tiveram a sorte de conhecê-lo, no entanto, vão se lembrar dele como uma verdadeira Eminência.

A missa fúnebre de Sambi está marcada para o dia 6 de agosto, na Basílica do Santuário Nacional da Imaculada Conceição, em Washington.

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