Obama quer enviar 100 mil estudantes à China

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20 Junho 2011

O presidente americano, Barack Obama, quer levar 100 mil estudantes para universidades chinesas, num esforço para formar um exército de especialistas que falam a língua e entendem a cultura de seu maior rival na geopolítica e comércio mundial. Mas, para chegar lá, antes será preciso vencer a falta de dinheiro e o desinteresse do americano médio por idiomas estrangeiros e pelo que ocorre fora de seu próprio território.

A reportagem é de Alex Ribeiro e publicada pelo jornal Valor, 21-06-2011.

Apenas 14 mil americanos estudam na China, enquanto os chineses inundam as universidades dos Estados Unidos com 128 mil matrículas, segundo dados do Instituto de Educação Internacional. Os americanos não veem muitos motivos para saírem do próprio país, que tem muitas das melhores universidades do mundo. Quando vão para o exterior, a preferência é pelo Reino Unido, com quem dividem a língua e a herança cultural, com 31,3 mil matriculados. A maioria faz cursos de verão. Somente 4,3% dos que saem do país estudam um ano ou mais.

Obama tem se notabilizado por lançar grandes metas sem indicar exatamente como alcançá-las, como dobrar as exportações em cinco anos ou cobrir toda a zona rural com internet de banda larga. Mas o projeto de levar estudantes para a China é considerado estratégico pelo Departamento de Estado - não apenas pela força da economia do país asiático, mas também por interesses geopolíticos. "Talvez não haja relação mais importante e complexa para assegurar a paz global e a segurança do que a entre os Estados Unido e a China", afirma a descrição do programa feita pelo Departamento de Estado.

"Se você quer mandar estudantes para passar um ano na China, talvez seja bom eles aprenderem a falar algum chinês antes", afirma Joy Hughes, vice-presidente da George Mason University, do Estado da Virgínia, que tem um dos mais bem-sucedidos programas de intercâmbio do país. "Muitas universidades abrem programas e fazem propaganda entre os estudantes, mas ficam surpresas que ninguém se inscreve."

O chinês é ensinado em cerca de 3% das escolas do ensino básico nos Estados Unidos, segundo pesquisa do Centro para Linguística Aplicada, baseado em Washington. É um avanço importante em relação aos percentuais inferiores a 1% observados dez anos atrás, e os números tendem a crescer, em parte porque o governo chinês tem oferecido professores para escolas americanas. Mas os números ainda são relativamente pequenos. Para cada americano que estuda a língua chinesa, há cerca de 600 chineses que aprendem inglês, segundo dados citados pelo Departamento de Estado.

Como o inglês é a língua internacional mais importante do mundo, muitos americanos não veem a necessidade de aprender um segundo idioma. A crise fiscal que atinge o país está levando os departamentos públicos de educação a cortar verbas destinadas ao ensino de idiomas. Apenas 25% das escolas de ensino fundamental, que equivalem aos cinco primeiros anos do ciclo básico no Brasil, ensinam uma língua estrangeira, ante 31% uma década atrás.

Obama lançou a iniciativa para levar 100 mil estudantes à China em fins de 2009 e, frente aos lentos progressos, a primeira-dama, Michelle, tentou dar um empurrão com uma visita à Howard University, que serve sobretudo à comunidade afrodescendente de Washington. Apenas 25 de seus alunos estão matriculados no curso básico de chinês, criado em 2006, de um total de 10,5 mil estudantes. "Não é verdade que os americanos não se interessam pelo que se passa no exterior", afirma Barbara Griffin, da Howard University. "Quando eles têm oportunidades, acabam se ligando ao mundo."

Outra frente do programa é aumentar o interesse dos americanos pelo que ocorre fora das fronteiras. A Mason University assinou um convênio com o condado de Fairfax, Virgínia, para ampliar o conteúdo programático sobre a China nas cadeiras de ciências sociais e, assim, incutir uma maior curiosidade sobre o país asiático nos cerca de 160 mil estudantes do ensino básico e médio. "Se os professores falarem mais sobre a China, eles podem inspirar os alunos", diz Alice Reilly, coordenadora de estudos sociais da rede pública de Fairfax.

Mas falta dinheiro público para apoiar o programa. Os Estados Unidos não têm recursos orçamentários para levar estudantes para a China, além dos programas já existentes para incentivar o estudo no exterior. O modelo difundido pelo governo são as parcerias com empresas privadas. Até agora, porém, foram levantados apenas US$ 7 milhões, muito pouco para os ambiciosos planos do governo.

A Fundação Coca-Cola, por exemplo, resolveu apoiar iniciativas em Atlanta, cidade em que está sediada, e a Caterpilar fez algo semelhante no Estado de Illinois. "As empresas estão interessadas em formar os futuros profissionais que eles vão mandar para a China", afirma Kofi Bota, assessor especial do reitor da Howard University. "O maior interesse são os cursos de administração e de engenharia." O governo chinês se comprometeu a conceder 20 mil bolsas de estudos para americanos.

No Brasil, o governo Dilma Rousseff também estabeleceu como prioridade mandar mais alunos para estudar no exterior, embora não haja nenhum programa específico para a China. A meta é enviar 75 mil estudantes ao exterior e, para tanto, o Itamaraty negocia um programa com o Departamento de Estado para abrir as portas das universidades americanas. Hoje, 8,8 mil brasileiros estudam nos Estados Unidos e formam a 14º maior população estrangeira nas universidades americanas.

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