"Querem nos dividir", afirma Avós da Praça de Maio

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13 Junho 2011

"Distorceram o que eu disse com má intenção", explica a presidente Avós da Praça de Maio sobre supostas declarações suas contra Hebe de Bonafini. Estela de Carlotto afirma que existe uma campanha para desqualificar as organizações de direitos humanos na Argentina.

A reportagem é de Victoria Ginzberg e publicada pelo Página/12, 12-06-2011. A tradução é do Cepat.

"Procuram nos dividir para que passemos a  desconfiar uma da outra", afirma Estela de Carlotto (foto). A presidente das Avós da Praça de Maio diz que ficou surpresa ao ver declarações suas nas manchetes dos jornais Clarín e La Nación, que supostamente acusavam a presidente da Associação das Mães da Plaça de Maio, Hebe de Bonafini, de estar comprometida com os delitos pelo qual foi denunciado o ex-procurador da Fundação de Mães Sergio Schoklender. "Distorceram o que eu disse com má intenção", explica ela.

Não nega as diferenças que teve e tem com Bonafini, mas também destaca a história em comum. Está convencida de que existe uma campanha para desqualificar os organismos de direitos humanos e impedir as políticas implementadas nessa área. Na mesma linha, Avós junto com as Mães da Praça de Maio, familiares dos desaparecidos e detidos por razões políticas e HIJOS (filhos e filhas de Identidade na Justiça contra o Esquecimento e o Silêncio) divulgaram um comunicado em que afirmam que "a luta pela memória, a verdade e a justiça não pode ser manchada e nem atacada por nenhum grupo econômico ou político que procure desacreditar o ártudo camino que temos percorrido em mais de 30 anos".

Carlotto fala com Página/12 e explica que logo depois de tomar conhecimento das denúncias contra Schoklender não quis comentar o assunto, apesar dos repetidos apelos da mídia, mas que resolveu dizer alguma coisa quando ouviu que alguns jornalistas e apresentadores de rádio e televisão não diferenciavam as Mães da Praça Maio lideradas Bonafini das Avós da Praça de Maio, presidida por ela: "Meu esclarecimento não tem relação nenhuma com o julgamento de ninguém, apenas queria dizer que são duas organizações diferentes e que o momento que estamos passando é muito doloroso para nós também, porque tudo o que diz respeito a um organismo de direitos humanos afeta a todos nós. Somos todos parte de uma história. Temos em comum a luta iniciada há muitos anos contra uma dor terrível".

O presidente das Avós argumenta que "o que eu disse é que, confiando na justiça, esperamos que se esclareça a responsabilidade daqueles que cometeram delitos. A dirigente da organização o denuncia. Quando eu dou essas declarações, sem acusar ninguém, a imprensa se aproveita para ver como pode nos desunir e nos envolver diretamente na gestão do governo, distorcem as declarações, colocam-na em outro contexto, isolado, e reproduzem palavras que não são verdadeiras. São meios de comunicação que não nos convidam para falar sobre as coisas que são inerentes a Avós, como a busca de nossos netos. Agora se aproveitam de um momento tão difícil a que estamos expostos".

"Diferenças entre organizações de direitos humanos existem. Tentam nos dividir para que desconfiemos uma das outras. Em uma história de 34 anos nem sempre tivemos a mesma opinião. Nós discutimos, resolvemos as coisas e continuamos juntos. De maneira alguma isso vai terminar uma amizade ou o carinho de tantos anos. O fato é que eles querem apagar os esforços tanto de Néstor Kirchner como de Cristina, que foram os que mais fizeram  pelo reconhecimento de nossa história, de respeito e e respostas sobre o que queremos, como a memória, a verdade e a justiça.

Para você, o objetivo é eleitoral ou há intenção de impedir, por exemplo, processos contra os opressores?

Há uma motivação eleitoral. Eles querem desacreditar o governo de Cristina, como sempre fazem, mas agora há uma campanha muito forte para que as pessoas que não têm acesso à leitura fina da história, estabeleçam alianças com estes ultrajes e isso passe a ter resultado nas eleições. Estão lutando para que não se coloque em prática a Lei da Mídia. É um ataque a um projeto de país. E sobre os julgamentos também, porque todos eles têm estado juntos desde os tempos da ditadura, como o jornal Clarín. Todos estes que estamos procurando, como responsáveis pelo genocídio, de uma forma ou de outra têm sido envolvidos na apropriação de bens, concentração de poder na mídia. Eles não querem que falemos, não querem ser julgados, não querem que encontremos as crianças, porque justamente neste momento, no foco, está um homem e uma mulher que podem estar com os netos que procuramos, no poder de um proprietário de um monopólio.

As acusações contra Sérgio Schoklender, porém, existiem, a mesma Hebe de Bonafini as respalda, qual é sua posição sobre esta questão? Para que fique claro ...

Por princípio, ninguém tem o direito de julgar as pessoas, se não há provas conclusivas. Acreditamos por que a propria Hebe o diz por muito tempo, porque ela mesma denuncia que um grupo de 16 pessoas que seriam responsáveis por delitos de que são imputados. Ela disse abertamente que aguarda a decisão da Justiça. Ele não contesta o inquérito e, logicamente, se está isenta de que tudo isso chegue até ela. Nós não temos que acusar injustamente, tampouco inocentar porque todos somos seres humanos. O exagero não é bom em nenhum sentido. Somos nada mais do que mulheres em luta.

Recentemente você declarou à justiça a existência de um plano sistemático de rapto de crianças. Foi sua segunda declaração nesse sentido.

Declarei também em La Plata e na Itália.

O que a mobilizou?

Estou acostumado a contar a história toda, inclusive a minha. Mas a metodologia didática ou pedagógica que trago, igual a de outras Avós, de fazê-la como que  despojando-me de que seja o meu caso, é que se não fosse dessa forma pela regularidade com que faço, estaria quebrada. Entretanto, quanto é feito num tribunal, a sensação é muito mais forte, porque acarreta uma grande responsabilidade em dizer tudo, não esquecer, não confundir-se, porque isso irá a julgamento e condenará os responsáveis. A mim me invadiu muita emoção, me ajudou o fato das luzes estarem apagadas, eu fiquei muito emocionada e eu não quis esperar porque eu estava cansada, esgotada, muito emocionada. Eu vi que com outras avós aconteceu o mesmo. É a dor particular de cada uma e que é irreparável. Esperamos que isso vá para a frente. Os juízes estão trabalhando muito bem.

Esperam agora a definição da Corte Suprema?

Esperamos que a Corte esteja pronta para dar um ponto final nisso. Que defina os responsáveis, porque isso é o que diz a lei, e que o faça mais rapidamente possível.

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