O segredo de metal de uma caverna do Oriente Médio

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28 Março 2011

Órgão de arqueologia de Israel acredita que as lâminas de chumbo com possíveis textos sobre os últimos anos de Jesus Cristo são falsos. Mas essa coleção de livros de metal podem ser um exemplo primitivo da Cabala?

A reportagem é de Simon Rocker, publicada no sítio The Jewish Chronicle Online, 03-03-2011. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Robert Feather (foto) quer provar que os céticos estão errados. Engenheiro metalúrgico com paixão pela arqueologia, ele foi solicitado para ajudar a autenticar o que ele acredita que poderia ser uma das descobertas religiosa mais emocionantes desde os Manuscritos do Mar Morto.

Membro da sinagoga do oeste de Londres, Feather já publicou um livro sobre o Rolo de Cobre, o manuscrito do Mar Morto que se acredita que contém pistas sobre a localização de um tesouro em um templo enterrado. Agora, ele está tentando estabelecer as origens de um misterioso esconderijo de livros de metal que poderiam estar ligados à Cabala.

Os objetos pertencem a Saeda Hassan, um agricultor beduíno da Galileia, que diz estarem entre as posses de sua família desde que seu bisavô os encontrou em uma caverna na Jordânia, há um século.

Sua coleção é composta por mais de 20 códices (livros antigos), moldados em sua maioria em chumbo e que contêm mensagens criptografadas em hebraico e em grego, juntamente com símbolos como a menorá. Em vários lugares, as letras hebraicas parecem indicar Bar Kochba, líder da revolta da Judeia contra os romanos, no século II, e o místico talmúdico Shimon bar Yochai, que se escondeu dos romanos em uma caverna por 13 anos.

"A primeira vez que eu ouvi falar da descoberta, eu fiquei extremamente cauteloso", disse Feather. "No entanto, quando me foi dada a oportunidade de ver e analisar algumas exemplares e visitar a caverna onde eles teriam sido encontrados, meu ceticismo se dissipou".

Os livros parecem estar "relacionados à Cabala, e a natureza do conteúdo indica um estilo de escrita de encantamento mágico", disse Feather. Antes de 400 d.C., quase todos os códices antigos eram feitos de pergaminho. Os códices de chumbo "são anteriores a qualquer forma de códice em várias centenas de anos, e esse material em particular foi provavelmente escolhido para garantir sua permanência".

A Autoridade de Antiguidades de Israel - IAA, no entanto, rejeitou a ideia de que os livros tenham valor. Especialistas que examinaram alguns deles, afirma-se, "duvidam absolutamente da sua autenticidade". De acordo com a IAA, os livros são uma "mistura de períodos e estilos incompatíveis, sem qualquer conexão ou lógica Tais aspectos falsos podem ser encontrados aos milhares nos mercados de antiguidades da Jordânia e de outros lugares do Oriente Médio".

O professor Andre Lemaire, especialista em inscrições antigas da Sorbonne, também ficou em dúvida, dizendo que a escrita de alguns dos códices que ele viu não fazia sentido e era "uma questão aparentemente de falsificações sofisticadas".

Implacável, Feather, ao contrário, cita as conclusões de Peter Northover, analista de metais da Universidade de Oxford. Realizando testes em duas amostras de metal de um dos livros, Northover concluiu que a sua composição era "consistente com uma gama de chumbo antigo", e ficou claro a partir da corrosão superficial que o livro "não é uma produção recente".

O IAA não se convenceu, argumentando que o metal pode ter sido retirado de um caixão antigo, enquanto as mensagens podem ter sido produzidas mais tarde.

Mas Sasson Bar-Oz, advogado que representa Saeda, o proprietário dos artefatos, acredita que o IAA não realizou verificações suficientemente extensas. "Minha opinião, depois de muito tempo neste projeto", disse, "é que eles são genuínos".

Agora há uma esperança renovada para Feather, que começou a ajudar Saeda por causa de sua perícia em metais. Um pedaço de couro, com a imagem de um crocodilo, que também se encontrava com os livros de metal, foi enviado para a datação por carbono. Os resultados, que acaba de chegar, indicam que ele tem quase 2.000 anos. Mas Feather disse que a datação precisa ser corroborada por outros testes, que estão sendo realizados, antes que ele possa ter certeza de sua exatidão.

O solo seco do Oriente Médio é rico em relíquias de civilizações antigas. Mas os especialistas não querem ser pegos por fraudes elaboradas. Em outubro passado, em Israel, chegou ao fim um julgamento de cinco anos de dois traficantes acusados de falsificar uma inscrição em um ossário (caixão de pedra), na tentativa de sugerir que ele poderia ter abrigado os restos de Tiago, irmão de Jesus Cristo. O juiz ainda tem que anunciar o veredito, e as 12 mil páginas de provas conflitantes demonstram como pode ser difícil determinar o que é genuíno ou não.

As instituições envolvidas com antiguidades tendem a ser "ultracautelosas", disse Feather, "porque elas já queimaram suas mãos em ocasiões anteriores. Um exemplo clássico é o das tiras de Shapira".

Moses Shapira (foto) era um negociante de antiguidades do século XIX, de Jerusalém, que adquiriu algumas tiras de couro que ele pensava que eram dos primeiros textos bíblicos. "Inicialmente, eles foram saudados como uma das maiores descobertas históricas de todos os tempos", disse. "Posteriormente, o Museu Britânico os descartou como falsificações, principalmente porque o texto diferia da versão bíblica da época. Shapira ficou tão perturbado que explodiu seu cérebro em um hotel de Amsterdã", disse.

"Quando o primeiro dos Manuscritos do Mar Morto foi descoberto em 1947, as semelhanças com os textos de Shapira fizeram com que os especialistas reavaliassem suas conclusões. Agora, aceita-se geralmente que as tiras de Shapira eram provavelmente a versão mais antiga conhecida do Deuteronômio".

 

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