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09 Março 2011

A saudação de boa noite chega agora da Internet. Seis em cada dez norte-americanos deslizam para o sono acompanhados por um computador. Eles o usam principalmente para trocar e-mails ou falar nos chats, confirmando o papel de grande antídoto contra a solidão que a rede esconde. Mas, em um em cada cinco casos, o computador presente no quarto é usado também para trabalhar (ou fazer as tarefas, no caso dos jovens).

A reportagem é de Elena Dusi, publicada no jornal La Repubblica, 08-03-2011. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

O estudo, recém-concluído pela National Sleep Foundation norte-americana, foi pensado para analisar os problemas de sono de uma população muito acostumada a colonizar o tempo noturno e a manter ritmos altos à base de cafeína. Mas acabou jogando luz também sobre hábitos de uma nação que custa para desligar os interruptores, a qualquer hora do dia e da noite.

O estudo sobre o impacto das novas tecnologias sobre a qualidade do sono revela que 95% dos norte-americanos usam pelo menos um aparelho eletrônico na última hora transcorrida antes de dormir. Se a televisão continua tendo a sua parte no quarto de dormir dos acima de 45 anos e caminha mais ou menos lado a lado com o computador na faixa dos 30 aos 45 anos, entre os menores de 30 anos a ultrapassagem da Internet com relação aos filmes noturnos quase se consumou. Nem a busca de contatos com os amigos da rede é um fenômeno apenas noturno. Há alguns anos, em agosto de 2009, o gigante das telecomunicações norte-americanas Verizon havia notado um boom de contatos (principalmente no Facebook) a partir das 7h da manhã. Conectar-se à rede é, portanto, a primeira e a última atividade das nossas jornadas.

O relatório da National Sleep Foundation explica que, na faixa de idade entre os 46 e os 64 anos, a televisão está ligada à noite – todos os dias – em 67% dos quartos. Mas menos de um em cada dois menores de 20 anos herdou esse hábito dos pais. Os jovens entre 13 e 18 anos navegam na rede todas as noites antes de dormir em 55% dos casos (os irmãos mais velhos entre 19 e 29 anos fazem isso em 47% dos casos, os de 30 a 45 anos em 26%, os baby-boomers entre 46 e 64 anos só em 17%). As redes sociais são o padrão: vão de 52% dos adolescentes entre 13 e 18 anos, até 9% dos baby-boomers.

Ao mesmo tempo, o celular continua mandando e recebendo mensagens (56% dos adolescentes usam o celular para os SMS na hora que precede o sono, contra 5% dos baby-boomers), e o iPod ou outros tipos de leitores de áudio acompanham a noite com a sua música (34% entre os adolescentes e 2% entre os baby-boomers). Inimigos jurados do sonos são os videogames, que, além de apaixonar a faixa de idade mais jovem (36% joga pelo menos três vezes por semana), abriram caminho também entre os baby-boomers (12%).

A ascensão dos eletrônicos entre as novas gerações coincide com o declínio dos livros e dos jornais. Os que dormem folheando páginas são 23% dos baby-boomers e 16% dos menores de 30 anos. O papel não foi ainda substituído pelos e-books: só 2% da amostra entrevistada fez referência de fazer um uso regular dos leitores eletrônicos.

As conclusões que a National Sleep Foundation tira da sua análise são preocupantes sobretudo para a qualidade do sono dos norte-americanos. Cerca de 60% dos entrevistados indicaram que acordam regularmente pouco descansados, e 6% dos adolescentes dormem até menos de seis horas.

"A exposição à luz artificial depois do pôr-do-sol – explica Charles Czeisler, da Harvard Medical School, um dos coordenadores da pesquisa – suprime a produção de melatonina (um hormônio que promove o sono, mantém alto o nível de alerta e desloca para horas mais tarde todos os ritmos circadianos do organismo [ritmos biológicos que se completam em 24h], tornando sempre mais difícil o abandono a um bom sono repousante".

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