Chegada em massa de imigrantes da Tunísia faz Itália declarar emergência

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13 Fevereiro 2011

Mais de mil pessoas fugindo dos distúrbios políticos na Tunísia chegaram na madrugada de ontem a uma ilha no sul da Itália depois que o governo italiano declarou estado de emergência humanitária na região.

A reportagem é de Deepa Babington e publicada pelo jornal Valor, 14-02-2011.

A chegada em massa dos imigrantes alarmou o governo conservador do premiê Silvio Berlusconi, que concedeu às autoridades locais poderes extraordinários para controlar a onda migratória a Lampedusa, a ilha siciliana mais próxima do Norte da África. Segundo autoridades italianas, cerca de 2.500 africanos chegaram à ilha no fim de semana - outros dois mil já haviam desembarcado na costa e foram transferidos a outras localidades da Sicília ou ao continente.

Roma convocou uma reunião de urgência com a União Europeia para discutir a "emergência" migratória do Norte da África e defendeu o envio de barcos de patrulha para as proximidades da costa tunisiana para interceptar os imigrantes. "Temos de mobilizar os países do Mediterrâneo que tenham frotas de avião, helicópteros e barcos", exortou ontem o chanceler Franco Frattini. Segundo ele, a Itália não pode lidar sozinha com essa situação de forma eficiente.

No fim de semana, centenas de imigrantes dormiam ao ar livre no porto de Lampedusa, cobertos com mantas térmicas, enquanto esperavam ser levados para centros especiais. A chegada inesperada fez com que muitos deles fossem levados a hotéis e um padre oferecesse as instalações de uma igreja. Outros imigrantes, em número menor, chegaram a outra ilha italiana.

"Como eu temia, a imensa crise política e social em países do Magreb está desencadeando fugas em massa em direção à Itália, especialmente da Tunísia", afirmou o ministro do Interior, Roberto Maroni. "Existe um risco real de crise humana. Centenas de pessoas estão chegando à costa italiana, depois de escapar desses países". O ministro italiano culpou o novo êxodo à incapacidade das autoridades tunisianas de cumprir acordos bilaterais em matéria de repressão à migração ilegal, depois que semanas de protestos forçaram o presidente Zineal-Abidine Ben Ali a fugir do país no mês passado.

Os funcionários também temem que a crise no Egito, onde manifestantes lançaram uma revolta que removeu na sexta-feira o presidente Hosni Mubarak do poder, possa provocar uma nova onda de chegada de imigrantes.

A situação será discutida com o ministro de Relações Exteriores da Tunísia, que visitará Roma na próxima semana, disse Maroni. Membro da Liga do Norte, de posição fortemente anti-imigrante, Maroni disse no início da semana passada que poderá haver "infiltração de terroristas" entre os migrantes e que criminosos poderiam se refugiar na Europa sob o pretexto de obtenção de asilo político. O prefeito de Lampedusa, Bernardino de Rubeis, porém, disse que ficaria surpreso se isso se concretizasse.

"O que vemos é a juventude tunisiana fugindo após a queda de Ben Ali", disse ele à TV italiana. "Muita gente diz que os imigrantes são criminosos, devido às fugas em massa de prisões africanas nos últimos dias, mas olhando aqueles rostos, não acho que sejam".

Empossado em 2008, Berlusconi prometeu reprimir a imigração ilegal e praticamente interrompeu o transporte marítimo de migrantes após um acordo com a Líbia.

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