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18 Outubro 2018

A Igreja deve convidar os ricos, os intelectuais e os sãos a se despojar das suas posses, do seu saber e do seu poder, para ajudar os outros, os menos afortunados a avançar no caminho do Reino. A Igreja deve nos ensinar a amar na gratuidade; é a sua forma de falar de Deus e de servir ao homem.

A reflexão é de Raymond Gravel, padre da arquidiocese de Quebec, Canadá, publicada no sítio Réflexions de Raymond Gravel, comentando as leituras do 29° Domingo do Tempo Comum - Ciclo B. A tradução é de Susana Rocca.

Eis o texto.

Referências bíblicas:
1ª leitura:
Is 53,10-11
2ª leitura:
Hb 4,14-16
Evangelho:
Mc 10,35-45

No caminho até Jerusalém, após o primeiro anúncio da morte-ressurreição de Jesus (Mc 8,31), onde o Cristo servidor do evangelho de Marcos convida Pedro para segui-lo, mas Pedro se recusa a seguir o mesmo caminho que ele, e após o segundo anúncio da morte-ressurreição de Jesus (Mc 9,31), onde o Cristo servidor convida todos os discípulos a segui-lo, enquanto eles se questionam sobre quem é o maior entre eles... Ali estamos ainda hoje, a caminho, cada vez mais próximos de Jerusalém, onde o Cristo servidor, ou melhor: o Cristo escravo agora anuncia pela terceira vez o caminho que é o seu e o qual os Doze deverão seguir: “Eis que estamos subindo para Jerusalém, e o Filho do Homem vai ser entregue aos chefes dos sacerdotes e aos doutores da Lei. Eles o condenarão à morte e o entregarão aos pagãos. Vão caçoar dele, cuspir nele, vão torturá-lo e matá-lo. E depois de três dias ele ressuscitará” (Mc 10,33-34). Novamente, seus discípulos mais próximos, Tiago, o irmão do Senhor, e João, o discípulo que Jesus amava, não compreendem bem a sua missão; eles querem o poder e exigem os primeiros lugares: “Quando estiveres na glória, deixa-nos sentar um à tua direita e outro à tua esquerda” (Mc 10,37). O que responder aos seus colaboradores mais próximos que não compreendem nada? “Vocês não sabem o que estão pedindo” (Mc 10,38). Por outro lado, a pergunta que devemos nos fazer hoje na nossa Igreja é a seguinte: Será que nós compreendemos verdadeiramente a nossa missão? Para respondê-la, precisamos redefinir a missão de Cristo hoje, através da nossa Igreja.

Uma Igreja pobre

O teólogo francês Gérard Bessière escreve: “Cada vez que eu vou, eu olho sobre a colina elevada o castelo de Mercuès que foi durante séculos a residência dos bispos. Um símbolo! Esses homens de Igreja eram também senhores, eles tinham terras e vassalos. Às vezes, tratava-se de homens santos. Mas como a palavra de Jesus parece distante: quem de vocês quiser ser o primeiro, deverá tornar-se o servo de todos. Eu sei, não devemos esquecer o contexto histórico, mas como não ficarmos indignados com o fato de que as palavras de Jesus tenham continuado assim?”. Mas o que acontece hoje? Será que como Igreja não estamos numa situação semelhante? Demasiado ricos! Demasiada riqueza nas nossas propriedades? Nos nossos museus? Nas nossas igrejas? Nas nossas basílicas? Nas nossas catedrais? No nosso poder? No nosso saber? Nas nossas possessões? Eu posso entender que nós herdamos uma longa tradição eclesial, mas como não ficarmos admirados de estar tão longe do evangelho, ainda hoje? São Marcos nos lembra: “Jesus chamou-os e disse: ‘Vocês sabem: aqueles que se dizem governadores das nações têm poder sobre elas, e os seus dirigentes têm autoridade sobre elas. Mas, entre vocês não deverá ser assim: quem de vocês quiser ser grande, deve tornar-se o servidor de vocês, e quem de vocês quiser ser o primeiro, deverá tornar-se o servo de todos’” (Mc 10,42-44).

Eu não tenho certeza que esta palavra do evangelho se realize na nossa Igreja hoje. Gérard Bessière continua: “Que não se diga que é uma questão da mente! Jesus se opõe ao funcionamento do poder nas sociedades e o regime original da autoridade na comunidade cristã. Quantas vezes o governo da Igreja se inspirou na organização, nos métodos e nos costumes dos reinos! A palavra de Jesus é embaraçosa: Entre vocês não deverá ser assim. Deve-se então criar. Como seria isso? Eu não sei. O que eu tenho certeza é que o mundo inteiro respirará fundo o dia que os cristãos de todos os níveis, começando pelos mais proeminentes, se farão pequenos e servidores”.

Uma igreja de servidores (de escravos)

“O Filho do Homem não veio para ser servido. Ele veio para servir e para dar a sua vida como resgate em favor de muitos” (Mc 10,45). Se a missão de Cristo é de ser servidor, a missão dos discípulos que são seu corpo também deve ser assim. Então, por que o poder se uniu ao ministério na Igreja? Ministro e ministério, servidor e serviço, significam em grego diakonia. Não há lá um desvio no exercício do ministério dos ministros da Igreja? E se eu releio bem o trecho do evangelho que nós temos hoje é ainda mais que isso o que se nos pergunta: Devemos ser não somente servidores, em grego: diakonos, mas escravos, em grego: doulos: “Quem de vocês quiser ser o primeiro, deverá tornar-se o servo de todos” (Mc 10,44). Qual é a diferença entre um servidor e um escravo? Segundo o padre francês Léon Paillot, “a ideia de escravidão é mais forte que a de servidor. O serviço é um ato livre e voluntário, enquanto que o escrevo não tem vontade própria, ele é totalmente dependente”.

Será que o Deus de Jesus Cristo era escrevo? Sim, com certeza, porque ele depende de nós. Ele não pode ser reconhecido mais que pelas mulheres e pelos homens que ele criou por amor. Isso significa que nosso Deus é dependente do Amor que ele nos dá. Seu único poder é amar e ele não pode nada sem nós. Se Deus é criador, ele só pode sê-lo através de nós. E é por isso que a missão da Igreja consiste em dar a vida por amor aos outros, e o único modelo que nós temos é Cristo Ressuscitado. Então, a Igreja não tem que colocar obstáculos no caminho impedindo que os pobres, os feridos da vida, os que não são amados e os marginalizados passem; pelo contrário, a Igreja deve convidar os ricos, os intelectuais e os sãos a se despojar das suas posses, do seu saber e do seu poder, para ajudar os outros, os menos afortunados a avançar no caminho do Reino. A Igreja deve nos ensinar a amar na gratuidade; é a sua forma de falar de Deus e de servir ao homem.

Terminando, eu vos proponho essa bela reflexão de Gabriel Ringlet, cujo título é o seguinte: Deus em estado de serviço: “Quando Deus celebra a primeira missa, e quando ele quer adorar: é meu corpo e é meu sangue, ele cai de joelhos aos pés de homem e lhe lava os pés... O serviço religioso só é serviço de Deus, quando é serviço do homem. Não somente ao serviço da sua alma, mas também dos seus pés, de todo seu corpo, de todo ele, da cabeça até os pés. Tratar-se-á de servir mais ao homem do que à missa”.

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