Cardeal Schuster: antecipando o Concílio

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16 Outubro 2012

Ele se inspirou em São Carlos Borromeu e antecipou a renovação do Concílio, mas não faltaram mal-entendidos na vida do Beato. O cardeal Ildefonso Schuster, em fevereiro de 1945, era taxado de "trapaceiro inescrupuloso", ajudado "por um pequeno grupo de fariseus chamados monsenhores da Cúria". Fonte: um relatório do Comando Especial da Guarda Republicana italiana. A acusação: proteger partidários e judeus. Dali a poucos meses, no entanto, os líderes da Resistência pedem a "depuração do arcebispo", julgado como comprometido com o fascismo.

A reportagem é de Giacomo Galeazzi, publicada no jornal La Stampa, 12-10-2012. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Na verdade, Schuster era autenticamente um santo, como documentado pelo processo de beatificação. Nesse domingo, no canal Rai 1, foi ao ar o programa dedicado ao monge que Pio XI quis à frente da Igreja ambrosiana logo depois da Concordata de 1929. Ildefonso Schuster: apostando na Itália é o título do documentário.

Explica Marco Simeon, responsável pela Rai Vaticano: "A figura do cardeal é extraordinariamente atual, porque, assim como De Gasperi, ele é um símbolo de uma Itália humilde e vencedora, que, no pós-guerra, defendeu o patrimônio de valores indispensável para o relançamento". Na tela, sucedem-se testemunhos de época ou inéditos.

O sucessor, Angelo Scola, atualiza a lição "política" aos católicos comprometidos na vida pública; o condenado à morte Indro Montanelli descreve o pelotão de execução detido no último momento pela intervenção do purpurado em San Vittore. Ele nunca abandonou os fiéis, permanecendo sempre em Milão sob as bombas. Ele até escreveu ao rei da Inglaterra, pedindo que fossem suspensos os ataques aéreos sobre a cidade e transformou o arcebispado em um centro de coleta de roupas e de alimentos para os necessitados.

Ele tentou convencer Mussolini no dia 25 de abril de 1945 a se render aos aliados, ao invés de partir para a fronteira suíça. Com meio século de antecedência, teorizou sobre escolhas acolhidos somente depois pela Igreja, com o Vaticano II. Também surge novamente dos arquivos a sua malfadada batalha no Santo Ofício para remover da liturgia a referência aos perfidis Judaeis (como depois o Concílio faria). Ele acabou em minoria, apesar do apoio do papa, mas depois caberia a ele protestar contra as leis raciais.

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