Homossexualidade no Islã: um panorama complexo

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16 Outubro 2012

Mas o Islã realmente é homofóbico? Ou se pode dizer, ao invés, que ele ignora totalmente tolerância com relação à diversidade? Certamente, a literatura, tanto clássica quanto moderno, aborda o assunto em inúmeras obras, em algumas com tons leves, mas com significado censório, em outras desempenhando o papel de protagonistas a gays e lésbicas.

A reportagem é de Delia Vaccarello, publicada no jornal L'Unità, 10-10-2012. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Para entender a fundo, é necessário, no entanto, uma abordagem interdisciplinar. O que deu início a uma série de publicações sobre o tema foi Desiring Arabs (2007), de Joseph A. Massad, um estudo de tom provocador que acusa o movimento gay internacional de querer impor ao mundo árabe uma ideia da homossexualidade que não lhe pertence.

Debate aberto.

Há contradições e complexidades que devem ser investigadas, defendem Jolanda Guardi e Anna Vanzan, autoras do texto recém-publicado Che genere de Islam (Ediesse), obra que tenta dar conta das inúmeras interpretações sobre o Islã e a homossexualidade. Tomemos o caso da República Islâmica: o novo Código Penal dedica 19 artigos à sodomia e introduz o crime de lesbianismo.

E não só: todos os comportamentos sexuais são arregimentados em cânones de práticas puníveis por lei. Porém, para provar o crime de homossexualidade, é necessário que haja quatro testemunhas do sexo masculino, o que coloca um limite à aplicação das penas, certamente aquelas que se referem às relações entre as mulheres.

Refugiados no Canadá

Se no Irã a situação para os homossexuais é muito difícil – tanto é que muitos querem deixar o país, até mesmo clandestinamente –, há relatos da seção canadense do Alto Comissariado para os Refugiados que minimizam os perigos, provavelmente por causa do número elevado de pedidos de um visto de expatriação para o Canadá. Mesmo assim, a embaixada sueca no Teerã elabora um relatório confidencial em que se afirma que os homossexuais arriscam pouco ou nada se levam uma vida discreta. O que dá a medida da realidade são algumas personalidades da cena artística iraniana, que saíram à tona para chamar a atenção internacional, como os diretores Ramin Goudarzi Nejad e Mashhad Torkan, que em seu documentário Cul de Sac contam a vida da artista e ativista lésbica iraniana Kiana Firouz e da sua tentativa de pedir asilo na Grã-Bretanha.

Há também os sites dos ativistas como www.irqr.net, da associação Iranian Railroad for Queer Refugees, fundada por Arsham Parsi, que, depois de uma série de travessias, consegue se estabelecer no Canadá. Parsi também cria a primeira revista online dedicada às temáticas queer no Irã intitulada Maha (Nós). Entre as suas campanhas também se encontra a linguística para utilizar não o termo "gay", mas sim "hamgensgarayan", a fim de enfatizar que a homossexualidade não é é um "vício ocidental" e que as relações sexuais e afetivas podem se dar com bse em uma escolha recíproca. Existe, portanto, um Islã em lenta emersão, em que a homossexualidade é possível.

Descobrimos isso nos romances, naqueles que dão profundidade à relação entre mulheres, como L'odore della cannella, da síria Samar Yazbik, que coloca no centro da narração a relação entre uma mulher e a sua empregada doméstica, com a possibilidade de uma inversão de papéis. Mas também Io sono te, de Ilham Mansur, obra em que se renova a perspectiva, e as protagonistas não têm mais incertezas sobre a sua orientação sexual.

O cerne do problema é, no mínimo, conseguir viver serenamente o lesbianismo na sociedade árabe entre sanções e tímidas frestas.

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