Transição demográfica: Oportunidade de crescimento e redução da pobreza no Vale do Sinos

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08 Outubro 2012

O programa ObservaSinos realizou no dia 28 de agosto de 2012 o Seminário “Retratos do Brasil e a erradicação da pobreza no Vale do Rio dos Sinos”. Em suma o objetivo do Seminário foi analisar, debater e prospectar a realidade brasileira e do Vale do Rio dos Sinos, numa perspectiva da afirmação de uma sociedade includente  e sustentável. A partir dos dados censitários de 2010 buscou-se perceber e analisar as mudanças ocorridas em nível nacional e regional no que se refere à pobreza e à miséria. Ao mesmo tempo que o Seminário objetivou debater as possibilidades e limites da superação  destas realidades.

A primeira exposição do painel foi realizada por Ademir Koucher do IBGE. Tratou-se da transição demográfica e a questão dos limites ou possibilidades de crescimento e redução da pobreza. Indicam os dados que no ano de 2011, atingimos uma população de 7 bilhões de pessoas no Planeta, com projeção de alcançarmos 8 bilhões no ano 2025.

O pico maior de crescimento ocorreu na década de 1950 quando o crescimento atingiu 34,9% e regressivamente começou a despencar desde então. Hoje, a nível nacional temos uma taxa de crescimento de 12,3%.  Conforme apontam os dados, mesmo assim, teríamos uma projeção de aumento populacional até meados de 2030, quando chegaremos a 219 milhões de habitantes e então não cresceremos mais, analisa Koucher. Situação semelhante se dá no Rio Grande do Sul.

Em relação à questão demográfica um dos dados em destaque diz respeito à distribuição da população quanto à área urbana ou rural. Em 60 anos, o Brasil praticamente inverteu o local da residência, afirma Koucher. A população que até fins da década de 60, tinha mais de 50% de seu total vivendo na área rural, chega aos dias de hoje com apenas 15%.

Para Koucher, essa transição demográfica no Brasil e no Rio Grande do Sul, aconteceu de uma forma muito rápida. Na Europa este processo levou mais de 100 anos para acontecer. Outra realidade retratada pelos dados do Censo diz respeito à taxa de fecundidade, ou seja, a média de filhos por mulher. Com o passar do tempo, essa taxa foi diminuindo. O que era uma média de seis filhos em 1950 chega hoje à média nacional de 1,9 filhos por mulher. Sustenta Koucher que quando a taxa de fecundidade fica abaixo de dois, ela está abaixo da taxa de reposição, isto é, quando o pai e a mãe tem dois filhos, em teoria, a população não é reposta quando os pais morrerem. Caso o Brasil tivesse continuado com a taxa de 06 filhos em média por casal, hoje a nossa população estaria aproximadamente em 400 milhões.

No entanto, continua Koucher, há outra taxa de controle populacional que é a de mortalidade infantil. Na década de 50, no cenário nacional esta taxa era de 150 para 1000. Ou seja, de cada 1000 crianças que nasciam sem antes 150 morriam. A taxa de mortalidade infantil compensava a elevada taxa de e fecundidade, ao longo do tempo essas duas taxas foram diminuindo proporcionalmente.

Da taxa de mortalidade infantil à expectativa de vida. Para Koucher, no início do século XX, a esperança de vida no Brasil beirava os 30 anos de idade, os jovens morriam muito cedo. Assim, a taxa de fecundidade tinha de ser muito alta, sobretudo porque no contexto de um país agrário, necessitava-se de muita mão-de-obra. Atualmente no Rio Grande do Sul, a esperança de vida está em torno dos 75 anos de idade. Para as mulheres gira em torno dos 80 anos.

Olhando a realidade da população em geral, Ademir Koucher analisa a relação entre três grupos: crianças, população economicamente ativa e idosos. O destaque a ser feito é quanto o crescimento da população acima dos 64 anos, de 3,1 em 1970 para 7,4, em 2010, como um fator de resposta à expectativa de vida. Koucher ressalta dois aspectos: O primeiro sobre a o crescimento da população economicamente ativa, no período, e o segundo, que, no Rio Grande do Sul, a população de idosos cresce num ritmo muito mais elevado que a média do Brasil.

Ao analisar os dados da População economicamente ativa, Ademir destaca a relação entre as proporções de ocupação por sexo. Afirma Koucher que aqui se destaca um dado extremamente vital para a discussão sobre a questão da pobreza. Trata-se do ingresso da mulher no mercado de trabalho. Em 1991 nós tínhamos em torno de 39,5 milhões de homens no mercado de trabalho na década de 90 e este número subiu para 52 no, 8 milhões no ano de 2010. Isso equivale a um crescimento de 13,3 milhões enquanto que as mulheres tiveram um crescimento de 21,7 milhões.

No Rio Grande do Sul nós tivemos um crescimento de 555 mil de homens na população economicamente ativa e mais de 1,1 milhões de mulheres neste período de 1991 e 2010. Quando a mulher ingressou no mercado de trabalho acelera a transição demográfica porque as mulheres tendem a casar mais tarde, assim como também terem filhos mais tarde. Outro fator ligado a esse ingresso da mulher no mercado de trabalho é o aumento da renda familiar o que por sua vez tende a reduzir a pobreza.

O último indicador analisado por Ademir Koucher tratou da razão de dependência, ou seja, o peso da população considerada inativa (0 a 14 anos e 65 anos ou mais de idade), sobre a população potencialmente ativa (15 a 64 anos idade), conforme o IBGE. Nos anos 80 a razão de dependência era de 73,2, ou seja, em torno de 4 dependentes nas famílias com cerca de 5 pessoas. Nos domicílios onde a razão de dependência era alta, objetivamente, maiores eram as despesas e consequentemente menor era a renda. À medida que a transição demográfica avança, o número de crianças diminui e o aumenta o número de idosos, ocorre a diminuição na relação de dependência.

A previsão é que em 2020 teremos a menor relação de dependência da história, onde teremos em média três habitantes por domicílio com dois a três ingressos de renda. Mais renda, menos despesas e provavelmente mais poupança, analisa Koucher. Em termos mais amplos, teremos um período entre 2015 a 2030, em que o Brasil terá a maior população economicamente ativa.

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