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17 Julho 2012

"Os documentos do Concílio contêm uma riqueza enorme para a formação das novas gerações cristãs". Bento XVI, a menos de três meses do 50º aniversário do início do Vaticano II, reiterou a importância e o valor desse evento que marcou a vida da Igreja no século passado, justamente no dia em que se concluiu o capítulo geral da Fraternidade São Pio X, fundada pelo bispo tradicionalista Marcel Lefebvre.

A reportagem é de Andrea Tornielli, publicada no jornal La Stampa, 16-07-2012. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

É esperada nestas horas a resposta do superior da Fraternidade, Bernard Fellay, à proposta da Santa Sé para um retorno à plena comunhão com Roma desse ramo de sacerdotes e fiéis para os quais os males da Igreja, a secularização e a crise da fé devem ser atribuídas justamente ao Concílio Vaticano II. Depois de anos de contatos e apesar da mão estendida do Papa Ratzinger, as perspectivas não parecem ser róseas, e é provável que venha dos lefebvrianos um "não" ao preâmbulo doutrinal que o Vaticano pede que eles assinem.

Bento XVI, considerando como uma das prioridades do seu pontificado costurar novamente alguns rasgos históricos e tentar curar feridas e cismas, concedeu tudo o que podia conceder aos tradicionalistas: liberalizou a missa antiga, revogou a excomunhão aos bispos lefebvrianos, consentiu que se entabulasse um diálogo doutrinal com eles.

Mesmo Fellay, o mais equilibrado e eminente dos quatro bispos ordenados ilicitamente por Lefebvre, deu passos importantes, como o de ter destituído o "colega" Richard Williamson, famoso pelas suas posições negacionistas sobre as câmaras de gás, além das suas posições radicais. Mas os lefebvrianos não podem pedir ao papa de serem isentos de aceitar o magistério conciliar nas partes que, a seu ver, não refletem a tradição da Igreja.

Ratzinger foi um teólogo que viveu os trabalhos do Vaticano II. Ele nunca considerou o Concílio como um "superdogma", nem jamais o considerou como o início de uma "nova Igreja", mas ele não pode aceitar que documentos votados por unanimidade pelos bispos de todo o mundo e selados pelo papa sejam rebaixados a um incidente de percurso ou mesmo a causa da perda da fé.

À espera da resposta de Fellay, Bento XVI, nesse domingo, afastando-se do discurso preparado, convidou a ler, além dos textos do Concílio, também o Catecismo da Igreja Católica. Uma ênfase não casual: justamente no Catecismo, que o então cardeal Ratzinger editou, os documentos do Vaticano II são apresentados no contexto do magistério que os precedeu e daquele que os seguiu. Na esperança de que os lefebvrianos saibam aproveitar a oportunidade irrepetível que lhes é oferecida.

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