Índios munduruku perdem a paciência e reagem

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07 Julho 2012

"A situação em Jacareacanga nestes dias está tensa. Finalmente a tensão se dá porque o povo Munduruku ainda é capaz de se unir e resistir às agressões dos que se tornam seus inimigos. A forma agressiva de sua reação ao assassinato de seu parente pode ser criticada pelos bem pensantes da sociedade, mas quem  vive aqui mais próximos deles e sente como são marginalizados pelo própio governo brasileiro, que programa tantas barragens nos rios da região, sabe que esse gesto forte de indignação é justo. Oxalá, munduruku e pariwat (não índios, na lingua deles) se unam e se organizem para resistir a tantas formas de violação de nossos direitos. É preciso concretizar a farse do hino nacional: " verás que um filho teu não foge à luta ...", esceve Edilberto Sena, padre coordenador geral da Rádio Rural de Santarém, presidente da Rede Notícias da Amazônia – RNA e membro da Frente em Defesa da Amazônia – FDA, ao enviar o artigo que publicamos a seguir.

Eis o artigo.

Quem apenas ouve a informação de que lá em Jacareacanga, alto Tapajós, um grupo de 500 índios se revoltou e destruiu uma delegacia de polícia, poderá por preconceito, dizer que os índios são mesmo assim, brabos e perigosos. Mas por que os munduruku se revoltaram? Quem vive e lá e merece confiança dá outra versão do acontecido.

Outra informação diz que a pessoa assassinada era muito querida entre eles e que foi morto brutalmente por pessoas viciadas em droga e que assaltaram o rapaz. Além disso, a polícia prendeu os assassinos e teria liberado um deles que fugiu. Os outros dois foram levados para Itaituba. Quem é o perverso e selvagem  nesse caso?

Os munduruku perderam a paciência com a falta de segurança na cidade e a perda de seu parente querido. Essa capacidade de se indignar e reagir contra as perversas injustiças sociais e ambientais hoje, é mais visível entre os indígenas do que entre os não índios, não por eles serem brabos, mas porque a situação de humilhação tem crescido sobre esses povos tradicionais.

As manifestações em defesa de sua dignidade tem sido frequentes por parte dos povos  indígenas. Por causa do perverso plano do governo federal de construir tantas hidroelétricas, já reagiram: o povo Enauê-nauê no rio Juruena, os Apiaká e Munduruku em Teles Pires, os Kaiapó e Xikrim no rio Xingu, além de outro povo no rio Aripuanã, quando o governo começou a destruir a bela cachoeira Dardanelos para construir mais uma hidroelétrica.

Todas essas reações revelam que os povos indígenas são  mais decididos dos que os não índios. Os munduruku do Tapajós já avisaram por carta a presidente da republica em 2009, que não vão aceitar hidroelétricas no rio Tapajós. Será que eles vão resistir contra as barragens do São Luiz e Jatobá, como fizeram nestes dias em Jacareacanga, pela morte de um parente?

E os grupos não índios da bacia do Tapajós vão se unir aos munduruku e impedir a injustiça perversa das hidrelétricas de São Luiz e Jatobá? Os indígenas dão o exemplo de que unidos são capazes de mudar uma situação. Será que os sindicatos, as igrejas, os moradores das margens do Tapajós vão seguir o exemplo dos munduruku e defender seu rio, suas vidas e dignidades? Capacidade existe, desde que haja consciência amadurecida.

Os legalistas e os puritanos dirão que não é lícito se fazer justiça com as próprias mãos, o que estão querendo fazer os indígenas em Jacareacanga nestes dias. Mas a defesa da vida e da dignidade é um direito natural. O governo usa a polícia e até a força nacional para defender seu Programa de Aceleração do Crescimento. Por que os povos agredidos da Amazônia não podem usar suas forças unidas para defender sua soberania? Quem disse que um governo democrático tem poder absoluto sobre as riquezas da Amazônia, sem respeitar os povos tradicionais da região?

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