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09 Março 2012

Excesso de trabalho, estresse, dificuldade para ajudar os outros, problemas afetivos, abusos, exaustão: os padres também se encontram cada vez mais frequentemente em condições que requerem a ajuda do psicanalista. A partir dessa consideração de fundo, move-se a iniciativa tomada pela Pontifícia Universidade Salesiana de Roma que, através do seu Instituto de Psicologia e sob a orientação do professor Zbigniew Formella, acolherá na segunda-feira, 12 de março, o seminário sobre o tema Padres no divã. Conforto e desconforto no trabalho pastoral.

A nota é de Marco Tosatti, publicada no blog San Pietro e Dintorni, 06-03-2012. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

"É preciso renovar o trabalho dos padres", explica o padre Giuseppe Crea, comboniano e psicoterapeuta, um dos relatores da jornada de estudos. "Está em jogo a responsabilidade do contato com as pessoas. A formação não é mais apenas a do seminário. Há a necessidade de um monitoramento contínuo, de um apoio. Existem problemas relacionados ao excesso de trabalho, à afetividade, ao estresse. Se não foram enfrentados devidamente, há o risco de que as pessoas não confiem mais na Igreja e que as próprias igrejas se esvaziem".

Entre os objetivos da iniciativa também está a promoção do apoio psicoterápico em benefício dos sacerdotes. Para responder às novas tarefas às quais são chamados, é necessário que os padres, "além de se ocupar dos outros, cuidem de si mesmos porque ninguém é onipotente, e o padre também deve renunciar a algo, enfrentar os próprios problemas. Até do ponto de vista afetivo é preciso cultivar amizades verdadeiras, a afetividade não pode ser simplesmente removida".

Naturalmente, há também o tema dos abusos sexuais, que preocupa muito a Igreja, que serve de pano de fundo para o congresso. "Sim – explica o padre Crea –, há também a questão dos abusos. A reflexão na faculdade salesiana ocorre, de fato, em continuidade ao que aconteceu na Gregoriana [o congresso mundial Rumo à cura e à renovação]. Devemos cultivar a capacidade de evitar o problema, de fazer uma triagem adequada para evitar depois que se tenha que reparar os danos".

Na opinião de Crea, na Itália, a situação é feita de luzes e de sombras: "De um lado, há uma forte atenção porque há uma urgência, mas, de outro, registra-se uma grande lentidão para introduzir práticas novas e para enfrentar problemas como esses. Temos um legado cultural que nos faz acreditar que podemos viver de renda. Na Itália, o padre é considerado 'bom', até mesmo pela escolha de vida que ele fez, por natureza, mas as coisas são muito mais complexas, e, no nosso país, a Igreja toma consciência de tudo isso com grande lentidão. Na Europa e em outras partes do mundo, eles estão muito mais à frente".

A iniciativa irá ocorrer na faculdade salesiana onde o cardeal Tarcisio Bertone, hoje secretário de Estado vaticano, foi professor e reitor. Um convidado especial do congresso será o professor Leslie Francis, anglicano, professor em Warwick (Grã-Bretanha), autor de dezenas de monografias sobre os problemas do clero: do estresse ao burnout [esgotamento emocional], do uso dos animais de estimação aos problemas afetivos. Francis fez várias pesquisas e análises estatísticas que envolvem tanto sacerdotes católicos quanto anglicanos.

No encontro, na próxima segunda-feira 12 de março, também participará o professor Hans Zollner, jesuíta, diretor do Instituto de Psicologia da Universidade Gregoriana, recém-vindo do congresso internacional sobre os abusos no início de fevereiro; a historiadora Lucetta Scaraffia, professora da La Sapienza, de Roma, e colunista renomada do L'Osservatore Romano; o professor Alberto Oliverio, famoso psicobiólogo italiano que há alguns anos também leciona na Universidade Salesiana; e o jornalista Fabrizio Mastrofini, editor-chefe da Rádio do Vaticano.

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