E a doutrina Kennedy permanece viva

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07 Março 2012

A disputa entre um ultraconservador ultracatólico, de um lado, e um mórmon capitalista de risco bilionário, de outro, é um dos espetáculos mais intrigantes que a política norte-americana oferece ao mundo há algum tempo. Por exemplo, os democratas de Michigan fizeram campanha pelo republicano Rick Santorum nas eleições presidenciais primárias, na esperança de maximizar o dano que a sua candidatura está fazendo contra o principal candidato do partido, Mitt Romney.

A reportagem é da revista católica britânica The Tablet, 03-03-2012. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

As credenciais católicas de Santorum parecem tê-lo ajudado até agora a convencer os evangélicos conservadores incondicionais, onde uma vez eles teriam objeções. Mas eles podem ter dificuldade para engolir o seu repúdio à "doutrina Kennedy" do primeiro presidente católico – pois, como provável titular católico da Casa Branca, ele acreditava na absoluta separação entre Igreja e Estado, e assim, na prática, ele não aceitaria ordens do Vaticano.

A doutrina Kennedy provocou nele uma "vontade de vomitar", disse Santorum, que passou a dar-lhe uma construção extrema, muito além do que John F. Kennedy jamais pretendeu. O presidente Kennedy, dirigindo-se a líderes de Igrejas protestantes, havia respondido à acusação de que, como católico, ele dividiria lealdades e, portanto, era impróprio para o cargo.

Santorum se aplica a sua própria versão intransigente da doutrina católica a muitas das questões morais polêmicas dos EUA. Ele representa o reductio ad absurdum de alguns pressupostos questionáveis e não examinados nessa área. Por exemplo, ele se opõe à venda de contraceptivos, quer que os atos homossexuais sejam novamente criminalizados e que o mesmo seja feito para todos os abortos. Ele também é contra a oferta de uma educação universitária para todos os setores da sociedade norte-americana, uma ideia que ele denunciou como "esnobismo". Mas são suas rígidas opiniões sobre a relação entre o ensino da Igreja e a lei penal que podem prejudicar mais a sua causa.

Santorum pode afirmar que está fazendo exatamente o que os bispos queriam, por exemplo, quando exigiram que os legisladores católicos rejeitassem as reformas da saúde de Obama, porque eles as consideravam contrárias à doutrina católica, ou quando alguns bispos disseram ao candidato presidencial democrata John Kerry, em 2004, que ele não estava apto para receber a Santa Comunhão porque havia se oposto insuficientemente contra o aborto. Isso deu a impressão de que os bispos estavam tentando puxar as rédeas dos políticos católicos.

A justificativa deles vinha da encíclica Evangelium Vitae, de 1995: "No caso de uma lei intrinsecamente injusta, como aquela que admite o aborto ou a eutanásia, nunca é lícito (...) dar-lhe a aprovação com o próprio voto". Na opinião de Santorum, parece, os políticos católicos devem compartilhar a culpa de todo ato imoral ao qual eles não votaram para tornar uma ofensa penal.

No entanto, o enquadramento do direito penal exige, por excelência, o exercício do juízo prudencial, depois de um debate honesto sobre o que melhor serve à dignidade humana e ao bem comum. Falando no Westminster Hall em 2010, o Papa Bento XVI perguntou de onde deviam vir as normas morais e declarou: "O papel da religião no debate político não é tanto suprir essas normas – e menos ainda propor soluções políticas concretas que se encontrariam completamente fora da competência da religião – mas sim ajudar a purificar e a lançar luz sobre a aplicação da razão à descoberta de princípios morais objetivos".

Essa análise justifica totalmente a participação da Igreja em praça pública. A abordagem de Santorum, no entanto, rapidamente a desacreditaria.

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