Escândalo dos vazamentos no Vaticano continua

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06 Março 2012

Na última rodada do escândalo dos vazamentos do Vaticano, um jornal italiano da última quarta-feira, 29 de fevereiro, publicou duas cartas confidenciais que documentam um esforço fracassado, em 2011, por parte do cardeal Tarcisio Bertone, o poderoso secretário de Estado do Vaticano, para assumir o controle de uma importante universidade e de um sistema hospitalar católicos italianos.

A reportagem é de John L. Allen Jr., publicada no sítio National Catholic Reporter, 02-03-2012. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

A divulgação dos documentos é vista como um outro constrangimento para Bertone, cuja eficácia já havia sido posta em causa pelo escândalo dos vazamentos e de outros episódios desde que Bento XVI nomeou Bertone para o cargo em 2006.

As cartas e suas consequências também documentam um caso em que o Papa Bento XVI se alinhou com os bispos locais contra uma tentativa de centralizar o poder eclesiástico adicional no Vaticano.

O cabo-de-guerra se centra de guerra no Instituto de Estudos Superiores Giuseppe Toniolo, efetivamente o corpo de governo da Universidade Católica do Sagrado Coração, uma extensa operação acadêmica com sede em Milão, mas com outras sedes por toda a Itália. Suas instituições afiliadas incluem o famoso Hospital Gemelli, em Roma, onde um conjunto privado de quartos está sempre reservado para o papa.

A Universidade do Sagrado Coração é a maior universidade privada da Europa e uma das mais prestigiadas universidades católicas do mundo, abrangendo 14 departamentos acadêmicos principais, 1.400 docentes e 7.000 funcionários.

Embora as tensões acerca do Instituto Toniolo tenham sido amplamente divulgados um ano atrás, essa é a primeira vez que foi publicada a carta de Bertone, de fevereiro 2011, enviada ao então cardeal de Milão, Dionigi Tettamanzi, ordenando-lhe a renunciar à presidência do instituto e a nomear o sucessor escolhido por Bertone.

A intervenção de Bertone foi amplamente vista como uma tentativa de disputar o controle do instituto em prol do Vaticano e de tomá-lo dos bispos italianos, durante a transição em Milão, em 2011, de Tettamanzi ao cardeal Angelo Scola, o poderoso prelado italiano que muitos observadores veem como um forte candidato à sucessão de Bento XVI.

No dia 30 de abril de 2011, um dia antes da beatificação do Papa João Paulo II, Tettamanzi se encontrou com Bento XVI para protestar contra a tentativa de Bertone de assumir o poder. No fim, Bento XVI ficou do lado de Tettamanzi, e nenhuma alteração foi feita no Instituto Toniolo antes da chegada de Scola a Milão.

Com efeito, a decisão significou que o controle da Universidade do Sagrado Coração permaneceu com os bispos italianos, em vez de passar à Secretaria de Estado do Vaticano.

Em linhas gerais, três coisas parecem significativas para os não italianos sobre essa última rodada de vazamentos do Vaticano.

Primeiro, a disputa em torno do Instituto Toniolo é um caso raro em que Bento XVI realmente se posicionou contra Bertone, seu antigo amigo e assessor que serviu junto ao futuro papa na Congregação para a Doutrina da Fé. Nesse sentido, isso sugere que o apoio e a estima de Bento XVI por Bertone, que o papa deixou claros em várias ocasiões, no entanto, não é ilimitado.

Em segundo lugar, esse é um caso em que um papa se colocou ao lado dos bispos locais nos esforços para defender a sua autonomia contra o Vaticano, apesar de percepções de uma tendência de centralização romana nas últimas décadas. Além dos amplos pontos de vista de Bento XVI sobre o governo da Igreja, a sua relutância em mudar o status quo também pode refletir o fato de que a medida de Bertone foi vista como uma ameaça a outro dos amigos e apoiadores mais próximos de Bento XVI, Scola.

Em terceiro lugar, essa última rodada de documentos confidenciais do Vaticano que chegam à imprensa sugere que o escândalo do "Vatileaks" ainda não terminou – seja porque a equipe dentro do Vaticano continua vazando material, seja porque o material já foi vazado em grande quantidade e está sendo seletivamente divulgado pela mídia.

Em ambos os casos, a previsão parece ser que mais revelações ainda estão por vir.

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