Habitar a Rede: como vencer o risco de viver em uma bolha filtrada?

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02 Março 2012

Eis que se apresenta um risco relevante para o ser humano de hoje no momento em que a Rede está se tornando um lugar relevante para se ter acesso ao conhecimento. Tanto as redes sociais como o Facebook, quanto os motores de busca como o Google, conservam as informações das pessoas que os frequentam, e esses dados são utilizados para dirigir as respostas ou as atualizações sobre os seus contatos pessoais.

A análise é do jesuíta Antonio Spadaro, diretor da revista La Civiltà Cattolica, em nota publicada em seu blog, Cyberteologia, 26-02-2012. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Antonio Spadaro participará do XIII Simpósio Internacional IHU: Igreja Cultura e Sociedade, a ser realizado nos dias 2 a 5 de outubro de 2012, na Unisinos.

É como se o Google construísse o nosso perfil de interesses com base nos nossos acessos à rede, dos sites que visitamos, do que mais nos interessa. E tudo isso é analisado, de forma anônima, através dos algoritmos de referência, para os quais as nossas pesquisas jamais são neutras, ou baseadas em critérios exclusivamente objetivos, mas sim nos nossos interesses específicos. Portanto, são orientadas ao sujeito, e, assim, sujeitos diferentes obtêm resultados diferentes.

A vantagem é imediata: chego mais rápido ao que presumivelmente me interessa mais, porque o Google me "conhece" e me sugere o que pode me atrair mais. Mas, por outro lado, há um grande risco: o de permanecer fechado em uma espécie de "bolha", pela qual eu não sou mais capaz de acessar o que não corresponde à minha figura e aos meus interesses, isto é, àquilo que expressa uma opinião diferente da minha. Assim, no fim, vou estar circundado por um mundo de informações que se assemelham a mim, correndo o risco de permanecer fechado à provocação intelectual que provém da alteridade e da diferença.

O risco é evidente: perder de vista a diversidade, aumentar a intolerância, o fechamento à novidade, ao imprevisto que brota dos meus esquemas relacionais ou mentais. O outro se torna significativo para mim se for de algum modo semelhante a mim, senão não existe. Como evitar esse risco?

Leitura sugerida: E. Pariser, The Filter Bubble: What the Internet Is Hiding from You, Ed. Penguin Press, New York 2011.

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