''Eu direi a verdade'': o desafio de Giordano Bruno

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20 Fevereiro 2012

"Eu direi a verdade". Assim exorta Giordano Bruno na primeiro das sete costituti, os interrogatórios aos quais o filósofo foi submetido ao longo do processo de Vêneto. Quem relata a busca da verdade de Bruno é o novo livro de Guido del Giudice, Io dirò la verità. Intervista a Giordano Brunò (Di Renzo Editora, 128 páginas, prefácio de Angelo Tonelli).

A nota é de Giacomo Galeazzi, publicada em seu blog, Oltretevere, 13-02-2012. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

A história se passa em dezembro de 1599 e está ambientada nos cárceres do Santo Ofício Romano, em que Bruno está preso. Nela, é descrito o encontro que ele teve efetivamente na cela com os dois representantes mais eminentes da sua Ordem: o geral dos dominicanos, Ippolito Maria Beccaria, e o seu vigário, Paolo Isaresi, encarregado pelo Colégio Judicante de tentar, pela última vez, induzir à abjuração o herege pertinaz.

Os dois religiosas têm caráteres muito diferentes: Beccaria, severo e inflexível; Isaresi, mais aberto e compreensivo. Assim começa um confronto que, entre momentos de duro confronto e outros mais conciliatórios, coloca frente a frente, dia após dia, os principais argumentos da filosofia nolana, tão atual em sua não atualidade.

"Aprofundando a biografia e o caráter dos dois interlocutores de Giordano Bruno – explica Del Giudice – brota uma fascinante pista de interpretação. Investigando em profundidade o convento de San Domenico Maggiore, em Nápoles, onde ele está sepultado, surgiu a importância de Ippolito Beccaria. Um personagem até agora quase desconhecido, que, nestas páginas, se revela como o verdadeiro perseguidor de Bruno. Não foi, portanto, Bellarmino o implacável carnífice de Giordano Bruno, mas sim um coirmão seu".

Nos vários capítulos, a discussão se articula como uma verdadeira entrevista com Bruno sobre os principais aspectos da sua filosofia e das suas escolhas de vida. Fala-se da arte da memória à infinidade de mundos, passando pelo heroico furor. Estamos na fase crucial do episódio processual de Bruno e se assiste, página a página, à combativa esperança do filósofo de ainda poder levar os seus acusadores e o papa às suas posições de livre-pensador, não de teólogo.

Depois, vem o reconhecimento da queda de toda ilusão e a firme vontade de enfrentar seu  próprio destino, sem compromissos. Bruno entende que não há mais nada a fazer e confirma: ele não quer e não tem do que se arrepender. O epílogo, um dos mais famosos e representativos da história do pensamento, é o da sentença e da condenação.

Mas, desta vez, vai-se além da fogueira de Campo dè Fiori, continuando a contar o destino de Beccaria e de Isaresi. Para eles também, o evento marca o fim, porque os dois teólogos, marcados pelo confronto com um homem que insinuou nas suas almas o tormento e a beleza da dúvida, sobrevivem apenas alguns meses a mais.

O livro será apresentado em Nápoles, no Cinema Academy Astra, juntamente com um novo documentário de 45 minutos intitulado Giordano Bruno e os Rosacruzes.

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