Irmão Francisco, irmã Clara. Artigo de Enzo Bianchi

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12 Janeiro 2012

A transparência evangélica da intuição franciscana não deixa de nos questionar, porque, ainda hoje, nos coloca diante do rosto misericordioso de Cristo, que Clara e Francisco souberam discernir nos mais pobres e no "outro" não mais visto como inimigo.

A opinião é do monge e teólogo italiano Enzo Bianchi, prior e fundador da Comunidade de Bose, em artigo publicado no jornal La Stampa, 07-01-2012. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Eis o texto.

Que Francisco e Clara de Assis tenham sido personagens capazes de fascinar muitíssimos dos seus contemporâneos e de para levá-los de volta às exigências radicais do Evangelho é um dado histórico inegável. Que esse fascínio tenha se dilatado ao longo dos séculos, para além de todas as barreiras confessionais, às vezes até perdendo o significado mais profundo da mensagem desses dois jovens cristãos de Assis, também é igualmente certo. Que também, recentemente, alguns elementos da sua vida e pregação tenham inspirado – mais ou menos devidamente – movimentos ecológicos e pacifistas de todas as cores é dificilmente negável. O que pode surpreender é que esse fascínio evangélico não cessa de fluir genuinamente sempre que se retorna à vida concreta de Clara e Francisco, ao seu modo de olhar o mundo e de agir para que ele mude sobre as pegadas de Cristo.

É o fascínio que emana do estupendo e envolvente estudo que Chiara Frugoni dedicou aos dois santos de Assis: Storia di Chiara e Francesco (Ed. Einaudi, 202 páginas). A autora alimenta uma amoroso predileção por Clara, em quem, com razão, avista o núcleo mais genuíno da intuição franciscana e a capacidade de lhe conferir continuidade histórica e solidez comunitária.

Não é a primeira vez que ela oferece a um público mais amplo os tesouros do seu ato de perscrutar essa página única da história do Evangelho, na Itália medieval, mas esse último texto também conserva um surpreendente frescor e nos restitui, mais uma vez, a figura completa de dois jovens da Umbria, uma de nobre família, o outro filho de um rico mercador – que quiseram "seguir pobres o Cristo pobre".

Chiara Frugoni consegue, de fato, restituir-nos palavras e pensamentos o máximo possível próximos dos dois protagonistas: obra nada simples, considerando-se as incrustações e douramentos que a sua imagem sofreu ao longo dos séculos, com a expansão do movimento franciscano e o afastamento da radicalidade original: pense-se, por exemplo, que foi justamente o primeiro papa franciscano da história que removeu das discípulas de Santa Clara aquele "privilégio da pobreza" tão ardorosamente defendido pela própria Clara diante das insistências de dois pontífices!

Frugoni consegue admiravelmente esse intento, aproximando as diversas versões das Vidas aos poucos escritos autobiográficos dos dois santos e dos testemunhos oferecidos pelos seus contemporâneos aos processos de canonização. Assim, amigos de infância, caseiros, parentes, primeiros seguidores, cidadãos comuns de Assis narram melhor do que o mais acurado biógrafo a transparência evangélica de uma intuição que não deixa de nos questionar, porque, ainda hoje, nos coloca diante do rosto de Cristo, manso e humilde de coração, aquele rosto misericordioso que Clara e Francisco souberam discernir nos mais pobres do seu condado e no "outro" não mais visto como inimigo.

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